Quando o maior castelo da Inglaterra é roubado por um notório chefe do crime, a última coisa que ele e sua gangue esperam é ter que
Ah, os filmes que nos levam de volta àquela fase da vida em que uma bicicleta era mais do que um meio de transporte; era uma nave espacial, um cavalo de batalha, a chave para um mundo inteiro de possibilidades. É com essa memória vívida, e um certo ardor nostálgico no peito, que eu me sento para conversar com vocês sobre Aventura em Duas Rodas. Vocês sabem, aqueles títulos que, de repente, piscam na tela e fazem a gente pensar: “Será que ainda se faz filme assim? Com a alma, com o coração?”. Eu diria que, neste caso, a resposta é um sonoro sim.
Quando soube da premissa – dois garotos em suas bicicletas enfrentando criminosos que roubaram um castelo e incriminaram o pai –, minha curiosidade foi imediatamente atiçada. Não é todo dia que a gente vê uma história que mistura a inocência e a energia pura da infância com uma trama de ação digna de um thriller. E Aventura em Duas Rodas, que chegou por aqui em 9 de julho de 2022, depois de sua estreia original em 2019, nos entrega exatamente isso: uma dose potente de adrenalina familiar com um toque de charme britânico.
Imaginem a cena: o majestoso castelo de Windsor, um símbolo da Inglaterra, não está mais lá. Sumiu! E quem paga o pato? Michael Harris, interpretado por ninguém menos que Howard J. Ford, o mesmo visionário por trás da direção e do roteiro, além de produtor. Poxa, que situação! O pai, injustamente preso, e dois irmãos, Sam (Rory Ford) e Jake (Felix Ford), que são filhos de Howard J. Ford na vida real. Já sentem o peso dessa conexão familiar, né? Não é apenas uma história contada; é quase um projeto de família, um legado de paixão pelo cinema e, talvez, pela bicicleta também. Essa dinâmica entre pai e filhos na tela, interpretando pai e filhos na ficção, adiciona uma camada de autenticidade e emoção que transcende a atuação. Dá pra sentir a química, a preocupação genuína, a ligação.
O que me prendeu, de verdade, foi a maneira como o filme “mostra” a coragem de Sam e Jake. Não é uma coragem forçada, de super-heróis. É a coragem de quem sente o chão tremer sob os pés, a incerteza corroer por dentro, mas decide seguir em frente porque não há outra opção. A gente vê isso nos olhares determinados de Rory e Felix, na forma como eles pedalam como se suas vidas dependessem disso – e, de certa forma, dependem. Cada curva, cada obstáculo superado na terra batida, na grama molhada, ou nas ruas de paralelepípedos, não é apenas um avanço físico, mas um passo em direção à maturidade, à compreensão da justiça. A bicicleta, para eles, deixa de ser um brinquedo para se tornar uma extensão de sua própria vontade, um motor de esperança.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Howard J. Ford |
| Roteirista | Howard J. Ford |
| Produtor | Howard J. Ford |
| Elenco Principal | Rory Ford, Felix Ford, Howard J. Ford, Jon Campling, Russell Shaw |
| Gênero | Família, Ação |
| Ano de Lançamento | 2019 |
| Produtora | Latitude Films |
E o que seria de uma aventura sem um vilão à altura? Jon Campling, no papel de Vladislav, o chefe do crime, é daqueles antagonistas que a gente ama odiar. Ele não é um monstro caricato; tem uma astúcia, uma frieza que o tornam ameaçador o suficiente para um filme família, sem cair no terror. E Simpson, interpretado por Russell Shaw, o braço direito de Vladislav, adiciona aquele tempero cômico-patético que equilibra a tensão, tirando umas risadas enquanto a gente torce para que os garotos consigam despistar esses malfeitores.
A Latitude Films, com Howard J. Ford à frente da produção, nos entrega um filme que, embora tenha um orçamento que talvez não compita com os grandes blockbusters de Hollywood, transborda em criatividade e coração. Essa dedicação de uma pessoa em tantas funções – diretor, roteirista, produtor e ator – é um testemunho da paixão pelo projeto. Imagino as reuniões de roteiro, as escolhas de cena, tudo permeado pela visão singular de um homem que sabia exatamente que história queria contar e como queria que seus filhos, dentro e fora das telas, vivessem essa experiência. É uma visão íntegra, sem desvios, que se reflete na consistência da narrativa.
Aventura em Duas Rodas não é só um filme de ação; é uma ode à resiliência familiar. É a prova de que laços de sangue podem mover montanhas, ou, neste caso, rastrear castelos roubados e limpar o nome de um pai. E tudo isso acontece enquanto Sam e Jake descobrem a verdadeira força que carregam em si. É um filme que, sabe, me faz pensar sobre como a simplicidade de uma bicicleta pode ser o veículo para as maiores e mais significativas jornadas da vida. Quem de nós, na infância, não sentiu a liberdade e o poder de explorar o mundo sobre duas rodas? Esse filme resgata essa sensação, essa magia.
Para quem busca uma história que junte diversão, emoção e uma pitada de “vai lá e faz” para toda a família, Aventura em Duas Rodas é uma pedida e tanto. Ele te lembra que, às vezes, os maiores heróis não usam capas ou voam; eles usam capacetes e pedalam com a alma. E, para mim, esse é o tipo de aventura que vale a pena assistir e revisitar, porque o espírito de Sam e Jake, com seus pneus cantando no asfalto e na terra, continua a inspirar.
