Batman e Superman: Batalha dos Super Filhos

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Eu me pego, às vezes, revendo filmes de animação que, à primeira vista, parecem ser feitos “apenas para crianças”. Mas a verdade é que, como um bom vinho (ou talvez, uma pizza favorita), alguns títulos guardam camadas de sabor que só a revisitação e a perspectiva do tempo revelam. E foi exatamente isso que aconteceu comigo com Batman e Superman: Batalha dos Super Filhos, lançado lá em 2022. Lembro-me de ter assistido na época, mas foi ao revisitar essa aventura animada agora, alguns anos depois, que a paixão genuína por essa história de amadurecimento e responsabilidade reacendeu.

Sabe, a gente cresce imerso em mitologias, e poucas são tão ricas quanto as do Batman e do Superman. Mas o que acontece quando a tocha, ou melhor, a capa, precisa passar para a próxima geração? É aí que entra a beleza desse filme. A premissa é simples, mas deliciosamente eficaz: Jonathan Kent, o filho do Homem de Aço, e Damian Wayne, o herdeiro sombrio do Cavaleiro das Trevas, são empurrados para o centro do palco. E não é por escolha própria, diga-se de passagem. Eles são forçados a se unir para resgatar seus pais – os ícones que todos conhecemos – e, de quebra, salvar o planeta de uma ameaça iminente.

O que me fisgou de verdade foi a dinâmica entre Jonathan e Damian. É como ver o sol e a lua, ou melhor, a luz solar de um fazendeiro de Kansas e a sombra gótica de Gotham, tentando coexistir em um mesmo quarto. Jonathan, dublado com uma energia contagiante por Jack Dylan Grazer, é todo coração e otimismo, um Superboy que ainda está descobrindo a extensão de seus poderes e a carga de seu legado. Por outro lado, Damian, com a voz afiada de Jack Griffo, é o clássico Robin mal-humorado, treinado para a guerra, relutante em tudo que não seja uma demonstração de força ou inteligência superior. O atrito entre eles não é apenas engraçado; é a espinha dorsal emocional do filme. Eles não se suportam no começo, e é justamente nessa resistência que a magia acontece, florescendo em uma amizade improvável e profundamente crível.

Muitas vezes, a gente ouve que filmes de ação animados para essa faixa etária podem ter um roteiro um tanto “fino”, e uma das críticas da época até mencionou isso. E, sim, “Batalha dos Super Filhos” pode não ter a complexidade de um tratado filosófico sobre o multiverso, mas sua simplicidade é sua força. O roteirista Jeremy Adams soube o que estava fazendo: focou na aventura de ficção científica, na invasão alienígena que serve como um catalisador para o crescimento dos personagens, e na jornada dos jovens heróis se tornando quem eles deveriam ser, não apenas por obrigação, mas por um senso de propósito próprio. A ação é vibrante, os super poderes são explorados de maneiras criativas, e o diretor Matt Peters entrega um ritmo que não deixa a peteca cair.

Atributo Detalhe
Diretor Matt Peters
Roteirista Jeremy Adams
Produtor James Krieg
Elenco Principal Jack Dylan Grazer, Jack Griffo, Laura Bailey, Troy Baker, Darin De Paul
Gênero Animação, Ação, Ficção científica
Ano de Lançamento 2022
Produtoras Warner Bros. Animation, DC Entertainment

E falando em vozes, é justo dizer que a performance de Jack Dylan Grazer e Jack Griffo como a dupla principal é o que eleva o filme. Eles trazem uma vivacidade e uma autenticidade que fazem você torcer por esses meninos, mesmo quando estão se alfinetando. A Laura Bailey como Lois Lane é sempre um acerto, e o Troy Baker, assumindo o manto do Batman, sempre entrega uma performance sólida, embora para alguns, ele ainda esteja construindo sua própria “identidade” vocal para o Cavaleiro das Trevas, que já teve tantas vozes icônicas. Mas isso é um detalhe, um sutil contraponto que não diminui o brilho dos protagonistas. O Darin De Paul como Lex Luthor/Starro, por sua vez, traz aquele peso e ameaça vilanesca que a gente espera.

Batman e Superman: Batalha dos Super Filhos é mais do que um filme de super-heróis sobre o bem contra o mal. É uma narrativa sobre crescer sob a sombra de gigantes, sobre encontrar sua própria voz e seu próprio caminho, sobre a relutância que se transforma em aceitação, e a rivalidade que se solidifica em respeito mútuo. É um lembrete de que, às vezes, as histórias mais potentes são aquelas que nos fazem rir e nos deixam com um certo calor no peito, provando que não é preciso ser complexo para ser bom – basta ser verdadeiro em sua essência. E esse, meus amigos, é um filme que me faz querer acreditar que a próxima geração de heróis está em boas, embora por vezes ranzinzas, mãos.