Belezas em Revista: Um Esplendor Pré-Code que Resiste ao Tempo
Confesso, sou um apaixonado por musicais da Era de Ouro de Hollywood, mas a minha paixão vai além do brilho superficial. Busco a alma, a audácia, a rebeldia que muitas vezes se escondem por trás das coreografias exuberantes e das canções cativantes. E foi exatamente isso que encontrei em Belezas em Revista (1933), um filme que, mesmo a 92 anos de sua estreia no Brasil (18/12/1933), continua a me fascinar e a me surpreender.
O filme acompanha Chester Kent, um diretor de Broadway em declínio que encontra uma nova oportunidade nos prólogos musicais exibidos antes das sessões de cinema. A premissa, aparentemente simples, é a porta de entrada para uma trama repleta de rivalidades, romances ocultos e uma corrida contra o tempo para impressionar um poderoso empresário teatral. Não vou revelar muito mais para não estragar a surpresa, mas garanto que a história, apesar de previsível em certos aspectos, é conduzida com uma energia contagiante e um ritmo impecável.
Lloyd Bacon e Busby Berkeley, na direção, entregam uma obra-prima de composição visual. Berkeley, mestre dos números musicais grandiosos e elaborados, está em sua melhor forma, criando sequências coreográficas que são verdadeiras odes à beleza e à sincronia. A estética pre-code é palpável, com uma liberdade e uma ousadia que seriam censuradas poucos anos depois. A câmera dança junto com os bailarinos, explorando ângulos ousados e criando um espetáculo visual hipnótico. A direção de Bacon equilibra perfeitamente a comédia e o drama, nunca deixando que um elemento ofusque o outro.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretores | Lloyd Bacon, Busby Berkeley |
| Roteiristas | Manuel Seff, James Seymour, Peter Milne |
| Produtor | Robert Lord |
| Elenco Principal | James Cagney, Joan Blondell, Ruby Keeler, Dick Powell, Frank McHugh |
| Gênero | Comédia, Música |
| Ano de Lançamento | 1933 |
| Produtora | Warner Bros. Pictures |
O roteiro, assinado por Manuel Seff, James Seymour e Peter Milne, é uma mistura inteligente de comédia romântica e drama profissional. Os diálogos são rápidos, espirituosos e, em alguns momentos, surpreendentemente ácidos para a época. A trama, apesar de sua simplicidade, explora temas universais como ambição, amor não correspondido e a busca pelo sucesso. A química entre o elenco principal é notável; James Cagney, com sua energia explosiva característica, está irresistível como o ambicioso Chester. Joan Blondell, como sua secretária apaixonada, Nan Prescott, equilibra perfeitamente a doçura com a força de vontade. A química entre eles é palpável e cria momentos de grande ternura e humor. Ruby Keeler e Dick Powell completam o elenco com atuações sólidas. Frank McHugh, como o coreógrafo Francis, rouba a cena em cada aparição com sua interpretação divertida e caricata.
Um dos grandes trunfos de Belezas em Revista reside em seu caráter inovador. Para 1933, a ideia de prólogos musicais em cinemas era ousada, refletindo a criatividade e a vontade de inovar da Warner Bros. Pictures, sob a batuta do produtor Robert Lord. A produção exala um brilho e uma sofisticação que poucos filmes da época conseguiram alcançar.
Entretanto, não é um filme sem falhas. Alguns números musicais, embora visualmente impressionantes, podem parecer um pouco longos para o espectador contemporâneo. A narrativa, como mencionei, segue um caminho previsível em alguns momentos. Mas, honestamente, essas pequenas imperfeições são facilmente perdoadas diante da energia contagiante e da beleza cênica do filme.
Belezas em Revista é mais do que um musical; é uma cápsula do tempo que nos transporta para a década de 1930, revelando a magia do cinema e a energia vibrante da era pré-code. É um filme que transcende o tempo, transmitindo uma mensagem de perseverança e mostrando a importância de seguir os seus sonhos, mesmo diante das adversidades. Recomendadíssimo para todos os amantes de musicais clássicos e para aqueles que apreciam uma boa dose de glamour e sofisticação na tela. Se você tiver a oportunidade de assistir a Belezas em Revista em plataformas digitais, faça-o; não se arrependerá. Este é um tesouro que merece ser redescoberto e apreciado pelas gerações futuras.




