O Labirinto de Vidro e Pólvora de Believer: Uma Obsessão que se Recusa a Morrer
Sabe quando um filme simplesmente se agarra à sua mente e, anos depois, ainda ecoa na sua memória? Para mim, Believer, lançado lá em 2018, é exatamente esse tipo de experiência. Revi-o recentemente e percebi que a brutalidade estilizada e a busca incessante que ele nos apresenta não perderam um pingo de sua força. Na era da efemeridade cinematográfica, encontrar algo que perdure é um tesouro, e Believer tem essa capacidade, quase como um eco perturbador em um salão vazio. Não é apenas mais um thriller de crime; é um mergulho profundo na escuridão da obsessão humana, com cada cena parecendo um gole amargo de café forte em uma noite insonorização.
O diretor Lee Hae-young, junto com a roteirista Jeong Seo-kyung, pegou o coração do filme de Johnnie To, “Drug War”, e o infundiu com uma alma coreana vibrante, quase febril. A premissa é aquela velha conhecida que sempre nos prende: um detetive, Won-ho (interpretado com uma intensidade visceral por Cho Jin-woong), está na caçada de um lendário e evasivo chefão do narcotráfico conhecido apenas como “Mr. Lee”. Aquele tipo de figura mítica, sabe? O “rei do cartel”, o “mestre vilão” que opera nas sombras, deixando um rastro de destruição e enigmas. A grande virada, e o ponto onde a trama realmente engrena, é quando um jovem, Seo Young-rak (um 류준열 hipnotizante), o único sobrevivente de uma explosão misteriosa em uma fábrica de drogas, surge como uma peça-chave nesse quebra-cabeça mortal. Ele se torna o guia de Won-ho pelo submundo do tráfico, um mundo de segredos e traições, onde a linha entre o caçador e a caça se dissolve em uma névoa de perigo.
O que me prendeu, e acredito que prende a muitos, não é apenas a busca pelo “chefão do crime”, mas a forma como a busca consome Won-ho. Cho Jin-woong não interpreta um detetive; ele é a personificação da exaustão, da frustração acumulada e de uma fé inabalável, quase fanática, em sua missão. Vemos o suor escorrendo na testa dele, os olhos injetados em uma mistura de fúria e cansaço, e você sente a urgência de cada batida do seu coração. Ao lado dele, Ryu Jun-yeol, como Young-rak, é um contraponto brilhante. Sua performance é contida, cheia de um silêncio enigmático que esconde um passado misterioso e uma agenda própria, deixando a gente sempre questionando: de que lado ele está? Ele é uma vítima, um cúmplice, ou algo mais, uma sombra que dança na periferia da moralidade?
E o elenco de apoio? Ah, o elenco de apoio é um show à parte, um verdadeiro banquete de personagens memoráveis. Jin Ha-rim (o saudoso Kim Joo-hyuk, em uma de suas últimas performances brilhantes) e Brian (o sempre carismático Cha Seung-won) são, ambos, personificações da vilania, mas de formas tão distintas que dão profundidade ao universo do “drug dealer”. Kim Joo-hyuk, com sua energia maníaca e imprevisibilidade, nos faz prender a respiração a cada aparição, enquanto Cha Seung-won traz uma frieza calculista, um tipo de maldade elegante que é assustador em sua sutileza. Eles não são meros capangas; são forças da natureza, cada um com sua própria marca de perversão e poder. Cada diálogo entre eles e Won-ho ou Young-rak não é apenas uma troca de informações, mas um duelo psicológico, um teste de nervos.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | 이해영 |
| Roteiristas | 정서경, 이해영 |
| Produtores | Ham Jin, Jeong Hui-sun, Han Seung-hee, 윤석찬 |
| Elenco Principal | 조진웅, 류준열, 김주혁, 차승원, Kim Sung-ryung, 박해준, 남문철, 서현우, 강승현, Jung Jun-won |
| Gênero | Crime, Ação, Thriller |
| Ano de Lançamento | 2018 |
| Produtoras | Yong Film, Next Entertainment World, Kidari ENT, Contents Panda |
A direção de Lee Hae-young é um espetáculo visual. Ele sabe usar o espaço e a cor para contar sua história. As cenas de confronto não são apenas coreografias de golpes; são explosões de frustração e desespero, filmadas com uma clareza brutal. Pense em como ele coreografa as cenas de “drug manufacturing” – não são apenas fábricas, são covis, labirintos industriais onde a vida humana parece valer tão pouco quanto a poeira no chão. A câmera não apenas observa; ela mergulha na sujeira e na grita desse submundo, fazendo a gente sentir o cheiro da pólvora e o frio do concreto. E o ritmo? Ele não tem medo de variar. Há momentos de tensão escaldante, onde o ar parece denso, e então cortes bruscos para cenas de ação que nos jogam contra a parede. Não há respiro, não há alívio fácil. É um thriller de ação que te mantém na ponta da cadeira, mas também um drama psicológico que te faz ponderar sobre os custos da obsessão.
No final das contas, Believer é mais do que um filme sobre a caça a um traficante. É uma meditação sobre a natureza da obsessão, sobre a forma como o mal se propaga e se esconde, e sobre a tênue linha que separa a justiça da vingança pessoal. Ele nos deixa com perguntas incômodas sobre quem realmente é o monstro e o que estamos dispostos a sacrificar em nome da verdade, ou talvez, da nossa própria versão dela. É um filme que, mesmo depois de todos esses anos, continua a me cutucar, a me fazer pensar sobre os labirintos que construímos para nós mesmos e os demônios que caçamos – ou nos caçam – lá dentro. E você, já se deixou levar por essa perseguição implacável?




