Blonde: Uma Marilyn para além do glamour, mas será que vale a pena?
Há quase três anos, em setembro de 2022, chegava aos cinemas brasileiros o longa Blonde, uma cinebiografia ousada e controversa de Marilyn Monroe, estrelada por Ana de Armas. O filme, baseado no romance homônimo de Joyce Carol Oates, aborda a vida da icônica atriz desde a infância traumática como Norma Jeane Mortenson até sua trágica morte, explorando os bastidores do estrelato e as cicatrizes profundas que a fama deixou em sua psique. Sem revelar os momentos mais chocantes, posso dizer que o filme não se esquiva das sombras, oferecendo uma versão ficcionalizada, porém impactante, da trajetória da estrela.
Uma direção polêmica e atuações intensas
Andrew Dominik, também responsável pelo roteiro, adota uma abordagem estilística bastante peculiar. A narrativa é fragmentada, onírica, muitas vezes transitando entre realidade e fantasia, o que para alguns pode ser uma experiência desconcertante, uma fragmentação que, na minha opinião, espelha a própria fragilidade mental de Marilyn. A fotografia, por outro lado, é impecável, usando a luz e a sombra para realçar a dualidade da personagem: a brilhante estrela e a mulher profundamente vulnerável. Essa escolha estética divide opiniões: há quem a veja como genial e quem a ache pretensiosa, e eu me coloco mais próximo do primeiro grupo. É um filme que exige do espectador uma entrega total, um mergulho profundo no turbilhão emocional da personagem.
Ana de Armas entrega uma performance extraordinária, física e emocionalmente. Ela não tenta imitar Marilyn Monroe, mas sim capturar sua essência, sua vulnerabilidade e força. O elenco de apoio também se destaca, com atuações sólidas de Adrien Brody e Bobby Cannavale, embora seus papéis sejam mais figurativos na complexa narrativa.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Andrew Dominik |
| Roteirista | Andrew Dominik |
| Produtores | Tracey Landon, Brad Pitt, Scott Robertson, Dede Gardner, Jeremy Kleiner |
| Elenco Principal | Ana de Armas, Adrien Brody, Bobby Cannavale, Sara Paxton, Lucy DeVito |
| Gênero | Drama |
| Ano de Lançamento | 2022 |
| Produtora | Plan B Entertainment |
Os pontos altos e baixos de uma obra ambiciosa
A ousadia de Blonde reside em sua recusa em mitificar Marilyn. O filme mergulha no lado obscuro da fama, no abuso e na exploração sofridos pela atriz, confrontando o espectador com a realidade por trás do glamour. A exploração de temas como trauma infantil, abuso psicológico e dependência química é pungente e, por vezes, difícil de assistir. A trama se aproxima da realidade e da fantasia com uma fluidez interessante, refletindo a própria realidade fragmentada de Marilyn.
No entanto, a estrutura fragmentada, por mais que seja uma escolha intencional, pode tornar o filme cansativo para alguns espectadores. A duração extensa e o ritmo lento exigem paciência e disposição para se envolver na narrativa. Acho que a ousadia do filme, por vezes, beira ao gratuito, e alguns momentos poderiam ter sido tratados com mais sutileza e sensibilidade. A crítica ao longo dos últimos três anos tem refletido essa polarização: enquanto alguns acham a obra uma obra-prima que desafia as convenções, outros a consideram um melodrama lento e excessivamente dramático.
Temas e mensagens: um legado complexo
Blonde levanta questões importantes sobre a exploração das mulheres na indústria cinematográfica, a natureza fugaz da fama e o peso da pressão pública sobre a imagem e a vida privada. A trama coloca em relevo o preço que muitas vezes é pago por aqueles que almejam o estrelato e a importância da compreensão das fragilidades mentais em um contexto de exposição tão intensa. É um filme que promove uma reflexão profunda sobre a construção da identidade e a busca incessante por amor e validação.
Conclusão: um filme que divide opiniões, mas vale a experiência
Blonde não é um filme fácil, nem para todos. É uma experiência cinematográfica intensa e, por vezes, perturbadora, que exige entrega e paciência do espectador. Mas é também um filme memorável e provocador, que oferece uma interpretação complexa e humana de um ícone inegável. Se você aprecia filmes ousados e com atuações impactantes, se está preparado para um mergulho profundo na psique de uma mulher que viveu uma vida marcada por paradoxos, então recomendo assistir Blonde. Entretanto, se você busca uma biografia clássica e linear, talvez esta não seja a melhor escolha. A experiência do filme ficará para sempre na sua memória, mesmo que as opiniões sobre ele sejam tão diversas quanto as facetas da própria Marilyn Monroe.




