Caçadores de Vampiros

Três silhuetas borradas caminham por uma rua escura e molhada, iluminadas por luzes alaranjadas. Clima sombrio e tenso.
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Caçadores de Vampiros: Um Documentário que Chupa o Sangue da Convenção (ou não?)

Três anos se passaram desde que Caçadores de Vampiros chegou às telas, e a lembrança do filme, para mim, se assemelha a um daqueles vampiros que se alimentam de memória. Intrigante no começo, mas com um sabor que fica cada vez mais aguado com o tempo. Para quem não se lembra (ou para os que, por alguma sorte, nunca assistiram), o filme acompanha uma dupla de investigadores que se depara com um aumento inexplicável de desaparecimentos no Arizona. Sua investigação os leva a um confronto com uma ameaça sobrenatural: um bando de vampiros que emergiu de sua hibernação, planejando algo… nefasto. Sim, a sinopse é um pouco genérica, e isso, infelizmente, resume boa parte da experiência.

Clint Lealos, na direção, tenta imprimir uma atmosfera tensa, apostando em uma estética de “found footage” – que, a essa altura, já está mais batido do que um disco de vinil de rockabilly. A câmera treme, as luzes são fracas, e o suspense, em teoria, deve se instalar. Na prática, a técnica, sem a inovação necessária, serve apenas para lembrar o espectador de filmes bem mais eficazes nesse estilo. A escolha por este formato, num documentário sobre vampiros, é, no mínimo, curiosa, gerando uma espécie de desconforto narrativo que não é totalmente aproveitado.

Brian Lemmons, como Tim Follun, carrega nas costas grande parte do peso narrativo, e cumpre com o mínimo necessário. Não há uma atuação memorável, mas também não há um desempenho que comprometa a experiência. Ele está ali, entregando o texto, com a mesma falta de emoção que o filme parece ter com seu próprio tema. O roteiro, aliás, é o grande calcanhar de Aquiles. A premissa é intrigante, mas a exploração dela se mostra rasa, preguiçosa. Faltam nuances, profundidade, e até mesmo alguns sustos minimamente convincentes. Os “vampiros” são, basicamente, um grupo de pessoas com sede de sangue. E é aí que a narrativa se perde, incapaz de entregar um toque de originalidade que pudesse justificar o esforço do espectador.

Atributo Detalhe
Diretor Clint Lealos
Elenco Principal Brian Lemmons
Gênero Documentário
Ano de Lançamento 2022
Produtora Karga Seven Pictures

Apesar dos defeitos, o filme não é totalmente uma perda de tempo. Há momentos em que a investigação se mostra promissora, com a tecnologia sendo usada de forma interessante, num contexto de investigação paranormal. É uma pena que esses lampejos de criatividade sejam raros demais para sustentar o longa-metragem. A mensagem principal, se é que há uma, parece ser um alerta sobre o perigo que reside nas sombras, uma ameaça insidiosa que pode estar mais perto do que imaginamos. Porém, essa mensagem, como o próprio filme, é transmitida de forma tão superficial que se dissolve antes de alcançar o impacto desejado.

Recomendo Caçadores de Vampiros apenas para aqueles que são verdadeiramente fãs de documentários sobrenaturais e que não se importam com uma narrativa mediana e previsível. Para o público mais exigente, a experiência pode ser desanimadora. No final das contas, o filme é como uma refeição barata de fast food: te sacia momentaneamente, mas não te deixa satisfeito. A sensação que fica é que ele poderia ter sido muito mais. Muito, muito mais.