Capturado

Capturado: Uma Corrida Contra o Tempo que Deixa a Marca (Mas Não Para Sempre)

Cinco anos se passaram desde que Capturado, estrelado pelo incansável Scott Adkins, chegou às telas brasileiras em 12 de outubro de 2020. E, olhando para trás, me pego refletindo se a memória coletiva realmente o abraçou da forma como merecia, ou se, como aponta certa crítica que li na época, se tornou apenas mais um filme de ação descartável. A verdade é que Capturado é uma experiência cinematográfica complexa, um thriller de ação que gruda na memória, mesmo que não seja perfeito.

A trama gira em torno de Nero (Adkins), um ex-agente em uma corrida contra o tempo para salvar seu filho sequestrado no deserto. Com o oxigênio do garoto se esgotando em cinco horas, Nero precisa derrubar três organizações criminosas distintas. A sinopse, simples e direta, promete – e cumpre – um frenesi de ação sem pausas para fôlego.

A direção de Isaac Florentine, conhecida por sua estética de ação brutal e visceral, funciona aqui como um motor impulsionando a narrativa. As sequências de luta são coreografadas com precisão, explodindo na tela em uma dança frenética de golpes e contra-golpes. Apesar disso, a câmera muitas vezes se perde em movimentos excessivos, tentando em vão intensificar a tensão, que já está latente na premissa. Há um certo excesso de estilo que, em alguns momentos, ofusca a narrativa, gerando uma pequena dissociação entre a ação e a urgência dramática.

Atributo Detalhe
Diretor Isaac Florentine
Roteirista Richard Lowry
Produtores Elias Axume, Rafael Primorac
Elenco Principal Scott Adkins, Mario Van Peebles, Matthew Garbacz, Steven Elder, James P. Bennett
Gênero Ação, Thriller, Aventura
Ano de Lançamento 2020
Produtoras Premiere Entertainment Group, Arramis Films, BondIt Media Capital

O roteiro de Richard Lowry, embora funcional, peca pela previsibilidade. Os vilões são caricaturas, e a trama, apesar da urgência da situação, não escapa de certos clichês do gênero. Mario Van Peebles como o chefe do cartel, como já foi apontado por outros críticos, sofre com um sotaque espanhol pouco convincente, tirando um pouco da credibilidade de sua personagem. No entanto, a performance de Adkins é o ponto alto do filme. Ele encarna a desesperação e a força de Nero com uma intensidade palpável, sustentando o peso da narrativa em seus ombros.

Os pontos fortes de Capturado residem na sua ação crua e eficiente, e na performance central de Adkins. Ele transcende o papel de simples herói de ação, entregando uma interpretação visceral que nos conecta emocionalmente com a jornada de um pai desesperado. Os pontos fracos, por outro lado, são a previsibilidade do roteiro, a caracterização superficial dos vilões e alguns exageros na direção.

A mensagem subjacente é a força inabalável do amor paternal, um tema clássico, mas eficiente nesse contexto. A urgência da situação, a luta contra o relógio, torna esse sentimento central ainda mais poderoso. Em outras palavras, Capturado é um filme que não se leva muito a sério, sabendo explorar suas próprias limitações em prol de um espetáculo frenético.

Em suma, Capturado não é um filme que ficará na história do cinema como uma obra-prima, mas é uma diversão garantida para os fãs de ação pura e simples. Não espere profundidade narrativa ou personagens complexos; espere lutas bem coreografadas, uma premissa envolvente, e a força bruta de Scott Adkins carregando o filme nas costas. Se você busca um filme para desligar o cérebro e se divertir com explosões e pancadaria, Capturado é uma opção válida. Se, porém, você busca uma experiência cinematográfica mais sofisticada, talvez seja melhor procurar em outras plataformas de streaming. Ainda assim, cinco anos depois, lembro-me dele com uma certa nostalgia pela adrenalina que me proporcionou.

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