Caramelo

O cheiro de pipoca ainda paira na memória enquanto as luzes do cinema se acendem e a gente volta à realidade, mas com uma sensação diferente na alma. Sabe, a vida é uma panela no fogo, fervendo com ambições, sonhos borbulhantes e, às vezes, um ingrediente inesperado que vira tudo de cabeça para baixo. É exatamente essa a sensação que Caramelo, o novo filme de Diego Freitas, me deixou. Não é só um filme; é um abraço quente, uma pitada de drama bem dosada e uma boa risada que a gente nem sabia que precisava.

Eu tenho um fraco por histórias que desarmam o coração da gente, aquelas que nos lembram que a vida não é uma receita exata, por mais que a gente insista em segui-la à risca. E Caramelo entra nesse cardápio com um sabor agridoce, mas incrivelmente reconfortante. A gente acompanha Pedro (interpretado com uma intensidade palpável por Rafael Vitti), um chef obcecado, que vive e respira a cozinha. Ele tem o olfato apurado para temperos, mas parece meio cego para o que realmente importa fora da sua bancada de trabalho. A paixão dele pela gastronomia é quase tangível, você consegue sentir o calor dos fogões, o barulho das panelas e o cheiro da comida através da tela. Vitti nos entrega um Pedro que transpira essa dedicação, com olhares firmes e movimentos precisos, um homem que está a um passo de realizar o grande sonho de sua vida.

Mas aí, como a vida adora uma reviravolta sem avisar, o destino de Pedro dá um nó. Um diagnóstico inesperado joga uma colher de areia nas engrenagens de sua existência meticulosamente planejada. É um momento de virada, de fragilidade exposta, onde o ego do chef se desfaz, e a gente percebe que, por trás daquele avental impecável, há um ser humano lutando para redefinir seu próprio sabor. Rafael Vitti aqui, gente, entrega uma atuação madura, mostrando a transição de um Pedro altivo para um homem quebrado, mas que, aos poucos, começa a reconstruir-se. A sutileza de sua dor, o modo como ele se fecha e depois, lentamente, se abre, é um espetáculo à parte.

E é nesse cenário de desmonte que surge Caramelo. Ah, Caramelo! O simpático vira-lata, encarnado pelo adorável Amendoim, não é apenas um coadjuvante fofo. Ele é o catalisador, o tempero secreto que Pedro nunca soube que precisava. A química entre Vitti e Amendoim é algo puro e real. Caramelo, com seu olhar curioso e sua lealdade incondicional, se torna o elo de Pedro com o “agora”, com a simplicidade da existência. Não é um amor idealizado de filme; é a conexão crua e desinteressada que só um animal pode oferecer, uma bússola que o guia de volta para a sua própria humanidade. Quem de nós nunca encontrou conforto onde menos esperava, não é mesmo? O filme não “conta” que Caramelo é importante; ele “mostra” através de pequenos gestos, de olhares trocados, da presença constante do cão que silenciosamente cura as feridas de Pedro.

Atributo Detalhe
Diretor Diego Freitas
Roteiristas Diego Freitas, Rod Azevedo, Vitor Brandt, Marcelo Saback
Produtora Iafa Britz
Elenco Principal Rafael Vitti, Amendoim, Arianne Botelho, Kelzy Ecard, Bruno Vinicius
Gênero Comédia, Drama
Ano de Lançamento 2025
Produtora Migdal Filmes

Arianne Botelho, como Camila, e Bruno Vinicius, como Leo, adicionam camadas importantes a essa jornada, representando os laços humanos que Pedro, talvez, tivesse deixado de lado em sua busca incessante. E Kelzy Ecard, interpretando Neide, traz aquela sabedoria prática e aquele afeto quase materno que a gente tanto adora ver. São personagens que não estão ali apenas para avançar a trama, mas para refletir e desafiar Pedro, obrigando-o a enxergar além do seu próprio umbigo.

A direção de Diego Freitas, com roteiro assinado por ele, Rod Azevedo, Vitor Brandt e Marcelo Saback, é delicada e precisa. Eles conseguiram tecer uma narrativa que equilibra a leveza da comédia com a profundidade do drama sem cair em sentimentalismos baratos ou soluções fáceis. A montagem tem um ritmo que acompanha o próprio amadurecimento de Pedro: começa mais frenético, quase ansioso, e desacelera conforme ele aprende a apreciar o momento presente. A Migdal Filmes, sob a produção de Iafa Britz, merece aplausos pela sensibilidade na execução, criando um ambiente visual que é ao mesmo tempo acolhedor e, quando necessário, cru.

Caramelo é mais do que a história de um chef e seu cachorro. É um lembrete agridoce de que a vida, por mais que a gente queira controlar cada ingrediente, muitas vezes nos serve pratos inesperados. E que, talvez, o segredo esteja em aprender a saboreá-los, a encontrar a doçura mesmo nas partes mais amargas. É sobre a redescoberta da alegria em detalhes simples, o calor de um olhar canino, a importância de uma pausa, e a coragem de refazer a receita da própria vida.

Saí da sessão com o coração aquecido, pensando em quantos “caramelos” a gente tem na nossa vida, sejam eles pessoas, momentos ou, quem sabe, um vira-lata que nos ensina a amar de novo. Se você, assim como eu, busca um filme que te faça rir, chorar um pouquinho e, principalmente, refletir sobre o que realmente importa, Caramelo é a pedida perfeita. Ele é para ser degustado sem pressa, com o coração aberto.

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