Catfight

Catfight: Um soco no estômago (e no coração) do cinema de ação

Seis anos. Seis anos desde que Catfight, o frenético e sangrento longa-metragem de Ariel Sinelnikoff, invadiu as telas – ou melhor, as plataformas digitais – e me deixou, até hoje, com uma mistura de admiração e incômodo que poucos filmes conseguiram alcançar. Lançado em 2019, o filme segue a trajetória de um grupo de mulheres envolvidas em lutas de jaula, explorando a rivalidade, a amizade e a brutalidade inerente a esse universo. Não esperem uma narrativa sutil ou mensagens de autoajuda; Catfight é um soco visceral, direto no estômago, que deixa uma marca duradoura.

Um ringue de sangue, suor e sororidade (estranha)

A sinopse é simples: Sadie the Savage, Barb the Barbarian, Molotov Molly e outras lutadoras de calibre semelhante se enfrentam em uma série de lutas ferozes. Mas o que Catfight faz de especial não é a premissa, que, honestamente, se assemelha a inúmeros filmes de ação, mas sim a forma como ela explora as complexas dinâmicas entre essas mulheres. A trama se desenvolve em meio a rivalidades acirradas, alianças improváveis e momentos de surpreendente vulnerabilidade. Sem entregar spoilers, posso dizer que o roteiro, escrito pela própria Sinelnikoff em parceria com Sarah Mahan, é engenhosamente estruturado para nos manter em suspense até o final, subvertendo expectativas e construindo uma atmosfera de tensão crescente.

Direção visceral, atuações brutais

A direção de Sinelnikoff é tão impactante quanto a luta mais brutal do filme. Ela equilibra magistralmente a violência gráfica com momentos de humor negro e pathos, criando uma experiência cinematográfica única. A câmera acompanha as lutadoras de perto, imersindo o espectador na ação e nos fazendo sentir cada golpe, cada queda, cada gota de suor. A fotografia, escura e granulosa, reforça a atmosfera crua e visceral do filme. As atuações, por sua vez, são fenomenais. Carolina Do como Sadie the Savage, Vanessa Bontea como Barb the Barbarian e Chrissy Rose como Molotov Molly entregam performances poderosas, transmitindo a raiva, a determinação e a fragilidade de suas personagens com precisão cirúrgica.

Atributo Detalhe
Diretor Ariel Sinelnikoff
Roteiristas Sarah Mahan, Ariel Sinelnikoff
Elenco Principal Carolina Do, Vanessa Bontea, Chrissy Rose, Sarah Mahan
Gênero Ação
Ano de Lançamento 2019

Força e Fraqueza: Uma dança de extremos

Um dos pontos fortes de Catfight reside na sua honestidade brutal. O filme não romantiza a violência, nem idealiza as suas protagonistas. São mulheres complexas, com seus defeitos e virtudes, suas ambições e medos. A exploração da sororidade, ou melhor, da falta dela, entre as lutadoras é especialmente fascinante. Por outro lado, a narrativa pode se tornar, em alguns momentos, um tanto confusa e fragmentada. A edição, embora bem executada na maioria das vezes, sofre alguns tropeços, principalmente nos momentos mais frenéticos da ação.

A mensagem por trás dos socos

Catfight não se limita a ser um filme de ação vazio. Ele tece uma crítica sutil, porém incisiva, ao mundo do cage fighting e à forma como as mulheres são retratadas – e exploradas – na mídia. A brutalidade das lutas funciona como uma metáfora para as dificuldades enfrentadas pelas mulheres na sociedade, uma luta diária por sobrevivência, reconhecimento e respeito. O filme não oferece respostas fáceis, mas sim um espelho para a nossa própria realidade.

Um legado que permanece

Apesar de suas pequenas falhas, Catfight permanece uma experiência memorável. Em 2025, olhando para trás, consigo dizer que este filme se destaca pela sua originalidade, pela sua audácia e pela sua coragem em abordar temas complexos com uma honestidade rara no cinema comercial. Recomendo fortemente Catfight a todos que apreciam filmes de ação que vão além do espetáculo visual, que buscam uma narrativa desafiadora e uma experiência cinematográfica autêntica. Se você procura algo leve e previsível, procure outro filme. Mas se você quer sentir a adrenalina correndo nas veias e refletir sobre o significado da luta, tanto física quanto metafórica, Catfight é a sua escolha.

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