Cinquenta Tons Mais Escuros

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Cinquenta Tons Mais Escuros: Uma Ode ao Desejo e à Insegurança, Oito Anos Depois

Em 2017, Cinquenta Tons Mais Escuros chegou aos cinemas, prometendo mais do mesmo – e, em certa medida, entregou. Mas olhando para trás, oito anos depois, em setembro de 2025, a experiência do filme transcende a simples classificação de “sequência erótica”. É uma obra que, apesar de suas falhas, captura a complexidade do desejo e a fragilidade da construção de um relacionamento, especialmente um tão… incomum quanto o de Christian e Ana.

A sinopse, sem spoilers, é simples: Ana e Christian tentam navegar a turbulenta relação iniciada no primeiro filme, enfrentando desafios e dramas decorrentes dos traumas passados de Christian e das próprias inseguranças de Ana. O desejo, intenso e avassalador, se entrelaça com momentos de dúvida, fuga e reconciliação, numa montanha-russa emocional que tenta (às vezes com sucesso, às vezes não) manter o espectador preso à tela.

A direção de James Foley é, digamos, funcional. Ele cumpre o seu papel de traduzir o roteiro de Niall Leonard para as telas, mas não o faz com a maestria de um cineasta que realmente se apropria do material. Há momentos de visual interessante, principalmente nas cenas de intimidade, mas a direção em geral parece presa às expectativas de um público que, pelo que se viu na época e se vê agora no contexto, buscava mais do mesmo. O roteiro, por sua vez, sofre do mal de muitos filmes baseados em best-sellers: falta profundidade e substância para acompanhar a complexidade da relação central. Personagens secundários são subutilizados, servindo principalmente como peças de um jogo maior entre Ana e Christian.

Atributo Detalhe
Diretor James Foley
Roteirista Niall Leonard
Produtores Dana Brunetti, Marcus Viscidi, Michael De Luca, E.L. James
Elenco Principal Dakota Johnson, Jamie Dornan, Eric Johnson, Eloise Mumford, Bella Heathcote
Gênero Drama, Romance
Ano de Lançamento 2017
Produtoras Universal Pictures, Michael De Luca Productions, dentsu, Fuji Television Network, Perfect World Pictures

As atuações são… um caso à parte. Dakota Johnson e Jamie Dornan, como Ana e Christian, respectivamente, carregam o peso do filme sobre os ombros. Dakota transmite bem a vulnerabilidade e a insegurança da personagem, apesar de haver momentos em que a atuação pode parecer um tanto deslocada, principalmente ao lado do desempenho mais contido de Dornan. Dornan, por sua vez, encarna o charme e a atormentada escuridão de Christian com uma sobriedade que funciona bem, embora, em muitos pontos, o desempenho pareça pouco expressivo. O elenco de apoio cumpre seu papel, sem grandes destaques.

A força do filme reside na sua exploração, ainda que superficial, do BDSM e de suas implicações emocionais. A construção tensa da relação entre Ana e Christian, permeada por jogos de poder e desejo, é o que mantém a trama viva. O romance, embora carregado de clichês, funciona em alguns momentos, principalmente pelas cenas mais íntimas e pela química – no mínimo, palpável – entre os dois protagonistas. Por outro lado, a previsibilidade da trama e a falta de desenvolvimento de personagens coadjuvantes são pontos fracos que impedem o filme de atingir o seu potencial. A estética geral, com suas cenas em iates e cenários suntuosos, contribui para a atmosfera, mas não consegue elevar o filme além de uma narrativa mediana. A “sombra” de Christian, em grande parte, parece mais um truque de marketing do que uma exploração real de suas perturbações psicológicas.

Em resumo, Cinquenta Tons Mais Escuros é um filme que se equilibra entre o sucesso e o fracasso. A crítica na época de seu lançamento foi mista, e essa perspectiva não mudou muito até hoje. Ele não é um filme memorável pela sua qualidade cinematográfica excepcional, mas sim pela sua audácia em abordar, ainda que de forma superficial, um tema pouco explorado no cinema comercial de 2017. Acho que a experiência de assisti-lo, hoje em 2025, é mais uma viagem nostálgica do que uma apreciação artística crítica. Recomendo apenas para aqueles que apreciam dramas românticos com cenas de sexo explícito e não esperam uma obra-prima cinematográfica. Se você busca um filme para uma noite de entretenimento leve e com um bom nível de sensualidade, talvez Cinquenta Tons Mais Escuros atenda ao seu propósito. Mas não se espere algo revolucionário.

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