Sabe, de tempos em tempos, a gente se depara com um filme que, mesmo que não seja a epopeia de Hollywood mais falada, mexe com a gente de um jeito particular. Eu me peguei pensando em Código do Armagedom esses dias, quase três anos depois da sua estreia em dezembro de 2022, e percebi o quanto essa produção brasileira ficou martelando na minha cabeça. Por quê? Talvez seja a audácia de uma proposta que ousa ir além do trivial, misturando fé, mistério e uma boa dose de ação, tudo isso com um sotaque tão nosso.
Quando a gente pensa em cinema nacional, é comum vir à mente dramas sociais, comédias românticas ou biopics. Mas Código do Armagedom chega chutando a porta do gênero de aventura, e não é qualquer aventura. O enredo nos joga de cabeça na história de três irmãos – Chris (Sandro Alcantara), Felipe (Daniel Friesen) e Sofia (Marine Friesen) – cuja viagem ao exterior vira de cabeça para baixo quando um tesouro antigo do avô os coloca no caminho de uma ordem mundial secreta. E essa ordem, meu amigo, não está brincando: ela quer nada menos que moldar os acontecimentos do fim dos tempos. É um prato cheio para quem gosta de teoria da conspiração com um tempero bíblico.
O que me prendeu, e acredito que ainda prende, é a ambição de Daniel Friesen, que não só dirigiu o filme, mas também interpreta Felipe Ferreira e assina o roteiro junto com Marine Friesen (que também atua como Sofia Abrantes). Essa proximidade com a obra dá um toque muito pessoal, quase artesanal. Você sente que cada detalhe, cada reviravolta, foi pensado com carinho e, mais importante, com uma convicção que transborda da tela. Não é só contar uma história; é compartilhar uma visão.
Os atores, em suas respectivas peles, conseguem nos guiar por essa jornada. Sandro Alcantara, como Chris, traz uma dose de liderança e a inquietude do irmão mais velho que, de repente, se vê no centro de algo muito maior do que ele podia imaginar. Daniel Friesen, no papel de Felipe, talvez represente a racionalidade em meio ao caos, enquanto Marine Friesen, como Sofia, adiciona uma camada de emoção e, quem sabe, um toque de sensibilidade espiritual que permeia a narrativa. E não podemos esquecer de Felipe Folgosi, encarnando o “World Order Chef”, que entrega um vilão com a frieza necessária para nos fazer acreditar na seriedade da ameaça. E Bruna Karla, interpretando a si mesma, é um acréscimo interessante, que conecta a ficção com uma certa realidade cultural, um aceno direto a um público que reconhece sua voz e sua mensagem.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Daniel Friesen |
| Roteiristas | Daniel Friesen, Marine Friesen |
| Produtor | Daniel Friesen |
| Elenco Principal | Sandro Alcantara, Felipe Folgosi, Daniel Friesen, Marine Friesen, Bruna Karla |
| Gênero | Ação, Aventura |
| Ano de Lançamento | 2022 |
| Produtora | SAVD Filmes |
O filme, produzido pela SAVD Filmes, sob a batuta do próprio Daniel Friesen, não esconde suas intenções. Ele abraça a temática escatológica com uma seriedade que poucos filmes brasileiros se arriscam a tocar, especialmente no gênero de ação e aventura. E isso é algo para se aplaudir. Em um cenário onde produções com temas complexos muitas vezes são relegadas a nichos muito específicos, Código do Armagedom tenta transpor essas barreiras com sequências de ação e um ritmo que busca manter o espectador grudado na cadeira. As locações, a atmosfera de mistério antigo misturada com a modernidade da conspiração global, tudo contribui para nos transportar para esse universo.
Claro, como toda obra ambiciosa, talvez nem tudo seja polido com o brilho de uma superprodução de centenas de milhões de dólares. Mas é exatamente aí que reside grande parte do seu charme e da sua força. Ele é a prova de que com paixão, visão e um roteiro que se atreve a questionar e explorar, é possível criar algo que ressoa. A narrativa não tem medo de ser direta em suas mensagens, o que pode ser um ponto forte para quem busca uma história com propósito, mas também um convite à reflexão sobre as próprias crenças e a linha tênue entre a fé e a conspiração.
Para mim, Código do Armagedom não é apenas um filme que passou pelos cinemas em 2022; ele é um marco de coragem no cinema brasileiro. Uma prova de que há espaço para explorar novos gêneros e temáticas, mesmo que elas sejam desafiadoras ou fora do convencional. Ele nos lembra que a aventura pode estar na descoberta de segredos ancestrais, na luta contra forças ocultas e, acima de tudo, na jornada de autoconhecimento que cada um dos personagens (e nós, espectadores) empreende. E, para ser sincero, isso é algo que, quase três anos depois, ainda me faz pensar: e se o código do armagedom estiver mais perto do que imaginamos?




