Com 007 Viva e Deixe Morrer

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Viva e Deixe Morrer: Uma Injeção de Adrenalina nos Anos 70

Em 23 de setembro de 2025, revisitar “007 Viva e Deixe Morrer” é como mergulhar em uma cápsula do tempo colorida e explosiva. Lançado originalmente em 1973, e chegando aos cinemas brasileiros em 5 de outubro do mesmo ano, o filme marca a estreia de Roger Moore como o icônico agente 007, e, apesar de ter dividido opiniões na época, continua a ser um marco na franquia Bond, um divisor de águas que, para muitos, representou o início de uma nova era, mais leve e divertida, que nem sempre agradou aos fãs mais puristas.

O longa acompanha James Bond em uma corrida contra o tempo para desmantelar a operação de tráfico de heroína de Mr. Big, um chefão do crime de Nova York com uma organização criminosa amplamente espalhada. No caminho, ele encontra Solitaire, uma cartomante com poderes que se tornam cruciais para a trama. A busca leva Bond por cenários vibrantes e exóticos, desde as ruas de Harlem até os pântanos da Louisiana e as ilhas do Caribe, em uma aventura repleta de perseguições eletrizantes, ações explosivas e um toque de misticismo com a introdução da magia vodu. Mas não se engane pela diversão aparente: a ameaça é real e a contagem regressiva para uma catástrofe global é implacável.

A direção de Guy Hamilton é impecável. Ele consegue equilibrar a ação frenética com momentos de humor irônico, característicos da personalidade de Moore, sem jamais perder o tom de suspense que a trama exige. Hamilton soube usar a estética dos anos 70 a seu favor, criando uma atmosfera única e memorável. As locações são exuberantes, e a fotografia realça a beleza dos cenários, contrastando com a escuridão do submundo do crime.

Atributo Detalhe
Diretor Guy Hamilton
Roteirista Tom Mankiewicz
Produtores Harry Saltzman, Albert R. Broccoli
Elenco Principal Roger Moore, Yaphet Kotto, Jane Seymour, Clifton James, Julius Harris
Gênero Aventura, Ação, Thriller
Ano de Lançamento 1973
Produtoras EON Productions, United Artists

O roteiro de Tom Mankiewicz, embora às vezes escorregue para o território do nonsense – especialmente em algumas cenas mais fantasiosas –, consegue prender a atenção do espectador do início ao fim. Ele apresenta uma narrativa ágil e cheia de reviravoltas, fazendo uso criativo de elementos de suspense, ação e um toque de humor negro, que se encaixa perfeitamente com o estilo mais “leve” que a produção pretendia imprimir à saga.

A escolha de Roger Moore como Bond foi – e ainda é – um ponto de discussão entre os aficionados. Moore trouxe um charme e uma leveza distintos comparados à interpretação mais sóbria de Sean Connery. Sua performance aqui é memorável, especialmente no que se refere à sua capacidade de transmitir essa elegância cínica e humor seco que marcaram seu reinado como o agente 007. Yaphet Kotto como Mr. Big/Kananga rouba a cena com uma atuação poderosa e imponente, deixando sua marca como um dos vilões mais icônicos da franquia. Jane Seymour, por sua vez, demonstra uma fragilidade e sensualidade que complementam perfeitamente o arquétipo da “mulher fatal”, com uma atuação cativante.

Entre os pontos fortes do filme, destaca-se a trilha sonora de Paul McCartney, com a icônica faixa-título “Live and Let Die”, que se tornou um clássico da cultura pop. As cenas de ação, apesar de algumas vezes parecerem exageradas pelos padrões de hoje, são muito bem coreografadas e mantêm o espectador na ponta da cadeira. Por outro lado, alguns momentos se tornam cansativos ou até mesmo previsíveis, especialmente quando se foca nas cenas mais caricatas e o humor chega a ser bastante exagerado. Algumas escolhas narrativas também podem parecer datadas, um reflexo dos tempos em que foi produzido.

“Viva e Deixe Morrer” explora temas relevantes mesmo para os dias de hoje, como o tráfico de drogas e o impacto da globalização no crime organizado. A exploração de elementos de cultura vodu adiciona uma camada de misticismo interessante à trama, mas, como citado anteriormente, alguns exageros nesse aspecto poderiam ter sido evitados.

No geral, “Viva e Deixe Morrer” é um filme divertido, cheio de ação e com momentos memoráveis. Apesar de suas imperfeições, ele é um capítulo importante na história de James Bond, representando uma mudança de tom na franquia, que seria seguida por sucessos e outras mudanças significativas na década seguinte. Se você gosta de filmes de ação clássicos dos anos 70, com um toque de humor e cenas memoráveis, vale a pena dar uma chance a este longa-metragem. Recomendo fortemente sua exibição, principalmente por streaming, para um público que aprecia a história do cinema e a evolução da franquia 007. É uma experiência nostálgica e eletrizante, mesmo cinco décadas depois de seu lançamento.

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