Comment tuer sa mère

Cinco adultos à frente de silhuetas com machado, faca e arma num fundo azul. Uma mulher central toma um drink, sugerindo humor sombrio.

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Comment tuer sa mère, lançado em 2018, emerge no cenário da comédia francesa como uma obra audaciosa, propondo uma exploração mordaz das dinâmicas familiares sob a lente do humor negro. Dirigido por Morgan Spillemaecker e David Diane, e roteirizado por Spillemaecker, o filme transforma um dos maiores tabus sociais — o desejo (metafórico ou literal) de “eliminar” um parente — em uma farsa cômica que desafia as convenções do afeto filial. A premissa, inerentemente provocativa, serve como um trampolim para uma sátira que vai além da simples diversão, cutucando as feridas das expectativas sociais e das frustrações geracionais.

O cerne de Comment tuer sa mère não reside em um manual literal de parricídio, mas sim na externalização cômica da exaustão e da desesperança que muitos filhos adultos sentem diante de pais superprotetores, manipuladores ou financeiramente dependentes. A tese central do filme argumenta que, ao levar ao extremo a fantasia da “libertação” de uma figura materna opressora, a obra expõe a fragilidade da paciência familiar e a busca por autonomia na vida adulta em uma sociedade que valoriza a independência, mas perpetua laços familiares muitas vezes sufocantes. É um espelho grotesco das pressões econômicas e emocionais que levam a pensamentos extremos, transformados em desastrosas tentativas cômicas.

Morgan Spillemaecker, que assina o roteiro e a codireção com David Diane, demonstra uma sensibilidade particular para o ritmo da comédia e a construção de personagens caricatos, porém relacionáveis. Sendo uma obra que marca uma fase inicial na carreira diretorial de ambos, Comment tuer sa mère não se prende a floreios visuais complexos, optando por uma abordagem direta que privilegia a performance e o timing cômico. A direção é funcional, garantindo que o foco permaneça na escalada das situações absurdas e nos diálogos afiados. Observa-se um estilo que bebe da tradição da comédia de situação francesa, onde a expressividade dos atores e a inteligência do texto são as verdadeiras estrelas, em detrimento de uma linguagem cinematográfica experimental.

A força técnica de Comment tuer sa mère reside primordialmente em seu roteiro. A construção dos arcos dos personagens – Nico (Vincent Desagnat), Ben/Gontran (Julien Arruti) e Fanny (Joséphine Draï) – como filhos desesperados em busca de liberdade (e, presumivelmente, herança, dado o gênero e a premissa), é sustentada por diálogos que misturam a banalidade do cotidiano com a grandiosidade de seus planos macabros. A atuação de Chantal Ladesou como Madame Mauret, a mãe, é central para a eficácia cômica; ela encarna a figura materna intrusiva e excêntrica com uma energia que justifica as motivações dos filhos. Em uma cena notável, Madame Mauret interrompe repetidamente uma conversa séria dos filhos com divagações sobre promoções de supermercado, ilustrando com precisão a irritação acumulada que fomenta os planos. A montagem ágil, com cortes que realçam as reações exasperadas dos protagonistas aos caprichos maternos, pontua o ritmo da comédia, elevando a tensão cômica sem nunca cair no melodrama. A paleta de cores, geralmente brilhante e doméstica, contrasta ironicamente com a escuridão dos planos dos filhos, sublinhando a natureza farcesca da narrativa.

Direção Morgan Spillemaecker, David Diane
Roteiro Morgan Spillemaecker
Elenco Principal Vincent Desagnat (Nico), Chantal Ladesou (Madame Mauret, the mother), Julien Arruti (Ben / Gontran), Joséphine Draï (Fanny)
Gêneros Comédia
Lançamento 13/06/2018
Produção SND, Axel Films

Os temas centrais do filme são múltiplos, mas orbitam em torno da liberdade individual, da pressão financeira e do peso das obrigações familiares. O filme explora a linha tênue entre amor e ressentimento na convivência familiar. A ideia de herança, embora não explicitada na sinopse, é um motor comum para tais fantasias em comédias do gênero e, aqui, ela se entrelaça com o desejo de os filhos “se livrarem” da influência materna. O filme satiriza a ideia de que a libertação só pode vir através de medidas extremas, expondo a imaturidade e a incompetência dos protagonistas ao tentar executá-las. Em uma sequência que beira o inesquecível, os irmãos tentam sabotar os freios do carro da mãe, resultando em uma série de trapalhadas que apenas reforçam sua incapacidade e a resiliência (e ingenuidade) da matriarca. Esta cena não apenas gera gargalhadas, mas também sublinha a futilidade de seus esforços e a inescapabilidade de seus laços.

Comment tuer sa mère se insere perfeitamente no nicho da Comédia Familiar Francesa com elementos de humor negro e sátira social. Este subgênero explora as tensões e absurdos inerentes às relações familiares, muitas vezes com um toque de cinismo e uma dependência de diálogos espirituosos e situações escalonadas.

Para contextualizar a maestria e o estilo do filme, podemos traçar paralelos com duas obras icônicas do cinema francês:

1. “Tanguy” (2001), dirigido por Étienne Chatiliez: Este filme explora a agonia de um casal parisiense cujos filhos adultos se recusam a deixar o lar. Embora a premissa seja a inversa – os pais querem se livrar do filho –, o tema da exaustão familiar e das medidas extremas consideradas para alcançar a autonomia (ou a paz) é idêntico. Ambos os filmes satirizam o conflito geracional e a capacidade dos laços familiares de se tornarem tanto um porto seguro quanto uma âncora opressora. O enfoque cultural é a crítica ao “ninho vazio” que nunca se esvazia, e a pressão social sobre a independência dos jovens adultos na França.
2. “Le Prénom” (2012), dirigido por Matthieu Delaporte e Alexandre de La Patellière: Adaptado de uma peça de teatro, este filme é um primor de comédia de costumes e diálogos afiados, onde uma reunião de família se transforma em um campo de batalha verbal devido a uma revelação provocadora. Comment tuer sa mère compartilha a mesma dependência da química entre os atores e da escalada de tensões dentro de um ambiente familiar para gerar humor. O estilo de humor, focado nas neuroses burguesas e nas hipocrisias sociais reveladas sob pressão, é uma marca registrada de ambas as obras, ressaltando o enfoque cultural de como as “boas maneiras” podem desmoronar em meio a conflitos pessoais.

Comment tuer sa mère não é apenas uma comédia sobre um conceito chocante; é uma análise perspicaz e hilariante sobre os limites da paciência filial e a busca por identidade em meio a laços familiares sufocantes. A obra, com sua abordagem direta e atuações competentes, especialmente a de Chantal Ladesou, cumpre a promessa de uma comédia que ousa ir além do trivial. Este filme é altamente recomendado para aqueles que apreciam o humor negro francês, as comédias de situação com personagens bem delineados e uma boa dose de sátira social sobre a vida adulta e suas complexas relações familiares. É uma peça que provoca risadas ao mesmo tempo em que oferece uma reflexão mordaz sobre os segredos e as frustrações que se escondem por trás das aparências da convivência familiar.

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