Como Seria se…?

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Como Seria se…? Um mergulho na bifurcação da vida

Faz três anos que Como Seria se…? estreou nos cinemas brasileiros, em 17 de agosto de 2022, e até hoje a lembrança do filme me acompanha. Não é um longa-metragem que se esquece facilmente, e não apenas por causa da competente direção de Wanuri Kahiu ou pelo elenco talentoso, encabeçado por uma Lili Reinhart que entrega uma performance surpreendente. Como Seria se…? é um filme que se gruda na memória pela sua audácia temática e pela forma como, com leveza e humor, aborda o peso da escolha e a complexidade da vida adulta.

A trama acompanha Natalie Bennett, uma recém-formada que, na noite de sua formatura, descobre uma gravidez inesperada. A partir deste teste de gravidez, o filme se divide, mostrando duas realidades paralelas: uma em que Natalie decide seguir adiante com a gravidez e outra em que opta por abortar. A narrativa, inteligentemente estruturada, permite que acompanhemos o desenvolvimento de Natalie e seus relacionamentos em ambos os cenários, contrastando seus caminhos e consequências. Embora o filme evite o melodrama gratuito, ele não se esquiva da profundidade emocional inerente à temática.

A direção de Wanuri Kahiu é impecável. A cineasta queniana, conhecida por seu trabalho visualmente rico e sua sensibilidade para temas complexos, equilibra perfeitamente a comédia romântica com o drama da situação. A estética do filme, em especial as transições entre as realidades paralelas, é criativa e elegante, nunca sendo intrusiva.

Atributo Detalhe
Diretora Wanuri Kahiu
Roteirista April Prosser
Produtores Bryan Unkeless, Eric Newman, Jessica Malanaphy
Elenco Principal Lili Reinhart, Danny Ramirez, David Corenswet, Aisha Dee, Andrea Savage
Gênero Romance, Drama, Comédia
Ano de Lançamento 2022
Produtoras Screen Arcade, CatchLight Studios

O roteiro de April Prosser, por sua vez, é uma peça de engenharia narrativa. A trama é envolvente, com um ritmo que se adapta bem às duas narrativas paralelas, sem deixar o espectador perdido. A escrita é afiada, equilibrada entre momentos de humor inteligente e cenas carregadas de emoção genuína. Os diálogos são naturais e verossímeis, contribuindo para a construção de personagens realistas e complexos.

E que personagens! Lili Reinhart, como Natalie, está magnífica. Sua performance é nuançada e rica em detalhes, revelando as nuances emocionais da personagem com sutileza e força. Danny Ramirez e David Corenswet, como Gabe e Jake, respectivamente, complementam o elenco principal com atuações sólidas. Andrea Savage, como a mãe de Natalie, rouba todas as cenas em que aparece, com seu timing cômico impecável.

Apesar dos seus méritos indiscutíveis, Como Seria se…? não é isento de pequenas falhas. Em certos momentos, a narrativa corre um pouco rápido demais, em particular nos momentos de transição entre as linhas temporais paralelas. Senti falta de um aprofundamento em alguns aspectos das realidades criadas, mas é um pecado menor, considerando a complexidade do projeto.

O filme acerta em cheio ao explorar temas universais, como a pressão social sobre as mulheres, a importância da tomada de decisão autônoma e o impacto que as escolhas têm sobre o nosso futuro. Não se trata apenas de uma comédia romântica sobre gravidez, mas sim de uma reflexão sobre as múltiplas possibilidades da vida e a responsabilidade que carregamos sobre nossas decisões.

Em resumo, Como Seria se…? é um filme encantador, inteligente e profundamente comovente. Apesar de alguns pequenos deslizes, a força da sua premissa, a direção impecável, as atuações excepcionais e o roteiro cuidadoso o tornam uma experiência cinematográfica memorável. Recomendado para aqueles que apreciam dramas com toques de comédia, romances envolventes e histórias que nos convidam a refletir sobre a natureza da vida e da escolha. Três anos depois da sua estreia, ainda acho que é um filme que precisa ser visto e revisto. Em um mundo saturado de produções superficiais, Como Seria se…? é uma joia rara. Recomendo fortemente que você o assista em alguma plataforma de streaming – vale muito a pena.

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