#ComVocê: Volume: 1

O tempo, ah, o tempo… Ele tem um jeito engraçado de nos fazer olhar para trás, não é mesmo? Aqui estamos nós, em outubro de 2025, e a pandemia da COVID-19, que por um período paralisou o mundo, já parece algo distante, uma cicatriz ainda sensível, mas que a vida insiste em cobrir com novas camadas. É exatamente por isso que sinto uma necessidade quase visceral de revisitar ComVocê: Volume: 1, um filme que, quando estreou no Brasil em julho de 2022, não era apenas um lançamento, mas um espelho. Um espelho daqueles dias de reclusão, de incertezas e de uma estranha, quase sufocante, intimidade com o cotidiano transformado.

Por que falar sobre ele agora? Porque o filme não é só um registro histórico; é uma tapeçaria emocional que continua a nos ensinar sobre a resiliência e a fragilidade humanas. Lembro-me daquela época, cada um na sua bolha, a tela do celular ou do computador se tornando a janela principal para o mundo exterior e, paradoxalmente, para o mundo interior dos outros. ComVocê capturou essa essência de forma brilhante. A premissa é singela na sua execução, mas profunda no seu impacto: pessoas filmando suas próprias vidas, seus desafios, suas pequenas alegrias e grandes angústias, usando apenas o que tinham à mão – um smartphone, uma webcam.

A beleza de ComVocê reside precisamente nessa crueza. Não há glamour de superprodução, nem cenários elaborados. O que vemos são casas, apartamentos, rostos sem maquiagem, vozes que se quebram. É um mosaico de vozes, de pontos de vista únicos, que nos transporta para a realidade de diferentes origens e classes sociais. Quem não se lembra da sensação de se sentir preso? De querer gritar e, ao mesmo tempo, de encontrar um conforto estranho na solitude? O filme não te conta como foi; ele te mostra, através de fragmentos de vida que pulsam com uma autenticidade quase dolorosa.

E é fascinante como ele transita entre a comédia e o drama, às vezes em questão de segundos. Uma cena pode nos arrancar um riso nervoso, talvez por reconhecermos a própria loucura da situação, e a próxima nos enche os olhos d”água com a pura solidão de alguém que mal consegue se manter de pé. Pegue, por exemplo, o segmento “Leap”, estrelado por Sanaa Lathan e Lucy Punch. A tensão, o desespero de se adaptar a uma nova realidade, se misturam com momentos de uma estranha comédia de costumes, de pequenas interações que, fora daquele contexto, seriam banais, mas ali se tornam monumentais. É como observar um aquário: os peixes nadam, se esquivam, mas o vidro em volta é inquebrável, limitando todo o movimento.

Atributo Detalhe
Diretores Bart Freundlich, Sanaa Lathan, Rosie Perez, Morgan Spector, Maya Singer
Roteiristas Margaret Nagle, Rosie Perez, Bart Freundlich
Produtores Celine Rattray, Trudie Styler, Peter Soblioff, Michael Soblioff
Elenco Principal Sanaa Lathan, Lucy Punch, Rosie Perez, Justina Machado, Rebecca Hall
Gênero Comédia, Drama
Ano de Lançamento 2021
Produtoras Maven Screen Media, Off Media

Rosie Perez e Justina Machado, no segmento “Coco & Gigi”, nos entregam uma dinâmica tão palpável que é impossível não se envolver. A forma como o diálogo flui, ou como ele não flui, revelando a complexidade dos relacionamentos sob pressão, é uma aula de atuação e roteiro. Não é sobre o que elas dizem, mas sobre os silêncios, os olhares perdidos na tela, as pequenas explosões de frustração que todos nós sentimos quando o mundo exterior encolheu para as quatro paredes de casa. E Rebecca Hall, em “Mother”, nos lembra da carga invisível que muitos carregaram, os medos silenciados e a fortaleza que precisava ser forjada diariamente. Cada performance aqui não é apenas uma interpretação; é um desnudamento.

A equipe por trás das câmeras merece aplausos, não apenas pela audácia, mas pela sensibilidade. Diretores como Bart Freundlich, Sanaa Lathan, Rosie Perez, Morgan Spector e Maya Singer, junto com roteiristas como Margaret Nagle e o próprio Freundlich, não apenas coordenaram esses fragmentos, mas lhes deram forma, ritmo e alma. A produção da Maven Screen Media e Off Media, com Celine Rattray, Trudie Styler e os irmãos Soblioff à frente, foi fundamental para que essas vozes pudessem ecoar. Eles entenderam que o valor não estava na grandiosidade, mas na intimidade, na capacidade de transformar o isolamento em conexão.

Em 2025, ComVocê: Volume: 1 não é mais um retrato do presente, mas um poderoso lembrete de um passado não tão distante. É um filme que nos convida a pensar: o que aprendemos com aquele período? Como nossas vidas foram irrevocavelmente alteradas? E, mais importante, como conseguimos, apesar de tudo, encontrar maneiras de estar com você, mesmo quando a distância física nos impedia de estar juntos? É uma obra que, anos depois, ainda ressoa, nos fazendo revisitar não apenas um filme, mas um pedaço de nós mesmos. Será que já nos esquecemos da fragilidade da normalidade? Eu espero que não.

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