Convite Maldito

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Maldição em Família: Um Casamento Sangrento que Deixa Gostinho de Querer Mais

Há filmes que te agarram pela garganta, te jogam num turbilhão de emoções e te deixam com a sensação de que algo fundamental mudou dentro de você. Convite Maldito, lançado em 2022 e que assisti em uma plataforma de streaming há pouco tempo, não é exatamente um desses filmes. Mas ele é, sem sombra de dúvidas, um exemplar interessante do gênero, que me deixou pensando muito tempo depois dos créditos finais.

A sinopse já entrega o básico: Evie, após a morte da mãe, descobre uma família que desconhecia – e um casamento para o qual é convidada. O que começa como uma intrigante promessa de romance e uma conexão com o misterioso Walter, se transforma num pesadelo gótico com segredos obscuros, herança familiar sombria e, é claro, vampiros.

Jessica M. Thompson, na direção, demonstra um talento para criar uma atmosfera carregada de suspense. A mansão isolada, os vislumbres sinistros, a paleta de cores escura e opressiva – tudo contribui para um clima de crescente tensão que funciona muito bem. Ela acerta na mão no tom, equilibrando o terror com momentos de romance e humor negro, evitando o excesso de gore que poderia facilmente descaracterizar a trama. O roteiro de Blair Butler, porém, não é impecável. Em alguns momentos, a narrativa se perde em meandros desnecessários, deixando alguns fios soltos que poderiam ter sido melhor amarrados. A pressa em revelar todos os segredos da família Alexander prejudica o suspense, e a construção dos vilões, apesar de ameaçadora, poderia ser mais impactante.

Atributo Detalhe
Diretora Jessica M. Thompson
Roteirista Blair Butler
Produtor Emile Gladstone
Elenco Principal Nathalie Emmanuel, Thomas Doherty, Sean Pertwee, Hugh Skinner, Carol Ann Crawford
Gênero Terror, Thriller
Ano de Lançamento 2022
Produtoras Screen Gems, Latchkey Productions

Nathalie Emmanuel carrega o filme nas costas, com uma performance convincente de vulnerabilidade e força. Thomas Doherty como Walter também se sai bem, construindo um personagem intrigante e ambíguo, deixando o espectador na dúvida sobre sua verdadeira lealdade até o final. Sean Pertwee, como Mr. Fields, e o restante do elenco de apoio cumprem seu papel, dando suporte à trama principal sem roubar a cena.

O que funciona brilhantemente em Convite Maldito é sua atmosfera e a exploração de temas como a busca por pertencimento e a manipulação familiar. A ideia da família como um laço que pode ser tão mortal quanto acolhedor é desenvolvida com inteligência, e a própria Evie, em sua trajetória de descoberta, funciona como um excelente retrato de uma mulher moderna em busca de raízes. A trama se utiliza de elementos clássicos do terror gótico – a mansão assombrada, o segredo de família, o perigo escondido sob uma camada de elegância – e os atualiza de forma interessante, dando uma nova roupagem a velhos temas.

Porém, como mencionei, a trama se perde em alguns pontos. A resolução de alguns mistérios é previsível, e o roteiro não consegue explorar com a devida profundidade as nuances da história familiar e a mitologia vampírica apresentada. A utilização de elementos como a cerâmica e o ritual em torno do sangue, embora interessantes, não são totalmente explorados, o que prejudica um aprofundamento mais significativo da temática.

Em suma, Convite Maldito é um filme de terror/thriller que agrada pela sua atmosfera, pela atuação de Emmanuel e pelo tema central intrigante. Apesar de alguns deslizes na construção da narrativa e na resolução de alguns mistérios, ele se mantém envolvente do começo ao fim. Não é um clássico instantâneo do terror, mas, certamente, vale a pena assistir, especialmente se você aprecia filmes de terror que equilibram a ação com um elemento de suspense psicológico. Eu o recomendaria para quem procura um entretenimento divertido e ligeiramente perturbador em uma noite de filme, mas não espere uma experiência cinematográfica que irá modificar a forma como você entende o cinema. Recomendo assisti-lo em plataformas de streaming ou em futuras exibições em plataformas digitais – uma experiência de cinema convencional, em 2025, já não se justificaria.

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