Coronation Street

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Coronation Street: Um Clássico Britânico que Resiste ao Tempo (Mas com Algumas Rugas)

Coronation Street. O nome soa familiar, não? Para muitos, evoca imagens de casas geminadas charmosas, dramas familiares intensos e o inevitável burburinho do pub Rovers Return. A série, lançada em 1960, acompanha a vida dos moradores de Weatherfield, uma comunidade fictícia em Salford, retratando seus amores, perdas, intrigas e a rotina quase poética do dia a dia. É uma novela que, em seus mais de sessenta anos de exibição, se tornou um ícone da cultura britânica, um reflexo – nem sempre fiel, devo admitir – da sociedade em constante transformação.

A Fórmula do Sucesso (e seus Limites)

A genialidade de Tony Warren reside na simplicidade – aparentemente – de sua premissa. Ao focar no cotidiano de pessoas comuns, Warren criou um universo fascinante, repleto de personagens memoráveis que, ao longo das décadas, se tornaram parte da própria família para milhões de telespectadores. William Roache, interpretando Ken Barlow desde o primeiro episódio, é um exemplo emblemático dessa longevidade e imersão na história. A fórmula, aliás, funcionou e funciona maravilhosamente em termos de audiência. A série foi, e ainda é, um grande sucesso comercial, um pilar da ITV e, por muitos anos, um dos programas mais assistidos da televisão britânica. No entanto, a insistência em manter essa fórmula, a meu ver, é o calcanhar de Aquiles da série.

Um Olhar Crítico à Produção

Nos seus primórdios, a direção de Coronation Street se destacava pela naturalidade e pela capacidade de criar momentos de grande emoção com recursos mínimos. As atuações, embora mais contidas que os padrões atuais, tinham um realismo cru que a tornava envolvente. O roteiro, inicialmente mais realista, foi capaz de equilibrar o drama com o humor, criando personagens complexos e histórias que ressoavam com o público. Mas a partir da década de 1990, como já apontado por outros críticos, a série começou a perder um pouco desse brilho. O humor, por vezes, se tornou forçado e as tramas, às vezes, mais previsíveis e excessivamente melodramáticas.

Atributo Detalhe
Criador Tony Warren
Elenco Principal William Roache
Gênero Soap
Ano de Lançamento 1960
Produtora ITV Studios

A direção, embora eficiente, raramente se arrisca a sair da zona de conforto. As atuações, nos últimos anos, também demonstram uma certa falta de originalidade. O peso da tradição, infelizmente, pesa bastante. Existem momentos de brilho, claro, com atuações memoráveis surgindo aqui e ali, mas a inconsistência é gritante.

Temas e Mensagens: Um Espelho Embaçado

A força de Coronation Street sempre esteve em sua capacidade de refletir – ou pelo menos tentar refletir – os desafios e transformações da sociedade britânica. Temas como a classe social, as relações familiares, o trabalho, as questões de gênero e o preconceito foram (e continuam sendo) abordados, embora muitas vezes de forma superficial. Nos últimos anos, a série tem tentado se modernizar, abordando temas mais contemporâneos, mas ainda há uma certa resistência a explorar a complexidade dessas questões de forma mais profunda e menos didática.

Pontos Fortes e Fracos: Uma Análise Equilibrada

Os pontos fortes? A longevidade, a construção de um universo rico e consistente, a capacidade de gerar identificação com o público e, é preciso reconhecer, a criação de alguns personagens icônicos. Mas os fracos? A previsibilidade crescente das tramas, a dependência excessiva de conflitos repetitivos e o ocasional tom de melodrama exacerbado. O que era um espelho da sociedade se tornou, em muitos momentos, uma caricatura um tanto desbotada.

Conclusão: Uma Visita Vale a Pena, Mas com Cautela

Em 2025, Coronation Street continua sendo um marco da televisão britânica. Para qualquer fã de novelas ou de dramas de longa duração, assistir a alguns episódios (principalmente da época de ouro) é uma experiência essencial. Porém, se você for um espectador mais exigente, procurando por roteiros inovadores e atuações impecáveis, talvez precise temperar suas expectativas. A série continua viva, mas, a exemplo de muitas pessoas idosas, carrega as marcas do tempo. Recomendo uma visita, mas com a consciência de que nem todos os capítulos desta longa história serão igualmente cativantes. Afinal, em 65 anos, é inevitável que existam momentos de glória e momentos de fadiga.

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