Quando se trata de filmes que exploram a experiência feminina, especialmente dentro do gênero de terror, é comum encontrar obras que, embora bem-intencionadas, acabam por não surpreender devido à falta de ousadia e inovação. No entanto, o filme Corra, Querida, Corra, dirigido e escrito por Shana Feste, se destaca nesse cenário, trazendo uma perspectiva única e emocionais para o gênero.
A sinopse do filme nos apresenta a Shari, uma mãe solteira que, após pressão de seus colegas de trabalho, decide voltar ao mundo dos encontros a cegas. Seu chefe a arranja com Ethan, um homem que parece ter todas as qualidades desejadas, mas que, no entanto, esconde uma natureza perigosa e obsessiva. À medida que a noite avança, Shari se vê forçada a fugir por sua vida, navegando pelas ruas de Los Angeles em uma luta desesperada por sobrevivência.
A direção de Shana Feste é um dos pontos fortes do filme, trazendo uma sensibilidade e uma compreensão profunda da experiência feminina que são essenciais para a narrativa. Ela consegue criar uma atmosfera tensa e assustadora, sem recorrer a clichês ou estereótipos, e seu roteiro é cheio de surpresas e reviravoltas que mantêm o espectador engajado e ansioso pelo desfecho. A atuação de Ella Balinska como Shari é notável, trazendo uma profundidade e uma vulnerabilidade à personagem que a torna completamente relatable e humana. Pilou Asbæk, por sua vez, entrega uma performance convincente como o perturbador Ethan, capturando perfeitamente a essência de um personagem complexo e aterrorizante.
Um dos pontos fortes do filme é sua capacidade de explorar temas como a violência de gênero, o estupro e a opressão, sem jamais perder o foco na história central ou se tornar didático. A mensagem é clara e poderosa, ressoando fortemente com o público e deixando uma marca duradoura após o crédito final. Além disso, a paisagem de Los Angeles é utilizada de forma eficaz, tornando-se um personagem à parte na narrativa e adicionando uma camada extra de tensão e desespero à história.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretora | Shana Feste |
| Roteirista | Shana Feste |
| Produtores | Brian Kavanaugh-Jones, Jason Blum, Shana Feste |
| Elenco Principal | Ella Balinska, Pilou Asbæk, Clark Gregg, Shohreh Aghdashloo, Dayo Okeniyi |
| Gênero | Terror, Thriller |
| Ano de Lançamento | 2020 |
| Produtoras | Blumhouse Productions, Automatik Entertainment, Quiet Girl Productions, Gamechanger Films, Stuck On On |
Se por um lado o filme apresenta muitos pontos fortes, por outro, não está imune a críticas. Algumas cenas podem parecer um pouco forçadas ou previsíveis, e a caracterização de alguns personagens secundários poderia ser mais aprofundada. No entanto, esses são pequenos defeitos em um filme que, de forma geral, é bem-sucedido em sua missão de entreter, assustar e, mais importante, provocar reflexão.
Corra, Querida, Corra foi lançado originalmente em 2020, um momento em que o gênero de terror estava passando por uma transformação significativa, com mais espaço para vozes femininas e histórias centradas na experiência das mulheres. Nesse contexto, o filme se destacou por sua ousadia e disposição em abordar temas difíceis de forma honesta e sensível. Atualmente, com a facilidade de acesso a filmes através do streaming e plataformas digitais, é mais fácil do que nunca para o público descobrir e apreciar obras como essa, que merecem ser vistas e discutidas.
Em conclusão, Corra, Querida, Corra é um filme que deve ser visto por qualquer fã de terror ou thriller, especialmente aqueles interessados em histórias que exploram a experiência feminina de forma autêntica e poderosa. Com sua direção sensível, atuações convincentes e uma narrativa cheia de suspense, este filme é um exemplo de como o gênero pode ser usado para contar histórias importantes e provocar reflexão. Recomendo fortemente que o público procure Corra, Querida, Corra nas plataformas digitais e se permita ser envolvido por esta jornada assustadora e emocionalmente carregada.




