Dalloway

Dalloway: Um mergulho fascinante na mente criativa – e em seus demônios

22 de setembro de 2025. Acabei de sair da sessão de imprensa de Dalloway, e ainda estou processando a experiência. Este não é um filme fácil, nem um filme para todos, mas é, sem dúvida, um filme importante. Dirigido por Yann Gozlan, com roteiro de Thomas Kruithof, Nicolas Bouvet e o próprio Gozlan, Dalloway se apresenta como um thriller psicológico denso, ambientado no turbilhão da mente de uma romancista em crise criativa. A sinopse oficial é enxuta: Clarissa, uma escritora renomada, luta contra o bloqueio criativo enquanto sua vida pessoal se desfaz. Uma narrativa perturbadora e fragmentada se desenrola, misturando realidade e alucinação.

Uma performance antológica, sustentada por um roteiro complexo

A escolha de Mylène Farmer para dar voz à Clarissa interna, a personagem principal e atormentada, foi audacioso e brilhante. Sua voz, rouca e enigmática, se torna um personagem em si, conduzindo o espectador pelos labirintos da mente de Clarissa. Cécile de France, por sua vez, entrega uma atuação contida e visceral como a Clarissa externa, a mulher que tenta manter as aparências enquanto o mundo ao seu redor, e dentro dela, ruir. O elenco de apoio, com destaque para Anna Mouglalis e Lars Mikkelsen, complementa o conjunto de maneira impecável, adicionando camadas de ambiguidade e complexidade às relações conflituosas de Clarissa.

O roteiro é uma peça-chave. Ele brinca com a linearidade narrativa, jogando o espectador em um turbilhão de flashbacks, devaneios e momentos de aparente lucidez. Isso pode ser inicialmente desconcertante, mas logo se revela uma escolha estética perfeitamente integrada à temática do filme. A fragmentação espelha a fragmentação da própria Clarissa, sua mente se desintegrando sob a pressão da incapacidade de criar e da angústia existencial.

Atributo Detalhe
Diretor Yann Gozlan
Roteiristas Thomas Kruithof, Nicolas Bouvet, Yann Gozlan
Produtores Nicolas Altmayer, Eric Altmayer
Elenco Principal Mylène Farmer, Cécile de France, Anna Mouglalis, Lars Mikkelsen, Frédéric Pierrot
Gênero Drama, Thriller
Ano de Lançamento 2025
Produtoras Mandarin Cinéma, Gaumont, La Compagnie Cinématographique, Panache Productions

A direção de Yann Gozlan: uma obra de arte visual

A direção de Gozlan, impecável e elegante, consegue equilibrar a natureza perturbadora da história com uma estética visualmente rica e arrebatadora. A câmera, ora introspectiva, ora observadora, nos guia pela jornada interna da protagonista, intensificando a claustrofobia e o suspense que permeiam a narrativa. A trilha sonora, sutil e eficaz, intensifica a sensação de apreensão que perdura até o final.

Pontos fortes e fracos: um equilíbrio delicado

Um dos pontos fortes inegáveis de Dalloway reside na sua ousadia temática. O filme não se esquiva de explorar temas complexos, como a pressão criativa, a solidão, a insegurança e o peso da própria genialidade. O filme também trata da inteligência artificial como uma potencial ferramenta de auxílio e/ou um algoz no universo da criatividade. Por outro lado, o ritmo lento e a estrutura não-linear podem desagradar espectadores acostumados a narrativas mais convencionais. Essa complexidade, que pode ser um ponto forte para alguns, pode ser um obstáculo para outros.

Uma mensagem para a nossa era

Dalloway fala da crise criativa de forma visceral e crua, uma crise que se encontra intrinsecamente ligada a uma existência autêntica e plena em uma era de produtividade desenfreada. O filme transcende o drama pessoal para tornar-se uma metáfora sobre o próprio ato de criação, os seus sacrifícios, e as suas dores.

Conclusão: Uma obra-prima para ser apreciada

Apesar de suas possíveis deficiências para um público mais amplo, Dalloway se consolida como uma obra-prima para os cinéfilos que apreciam narrativas complexas e performances extraordinárias. Não espere um filme que te prenda pela ação; espere uma experiência cinematográfica memorável, cheia de nuances e que, certamente, ficará na sua memória muito tempo depois dos créditos finais. Recomendo-o fortemente para aqueles que buscam um mergulho profundo e perturbador na mente de um artista em crise, e aos que apreciam cinema que desafia as convenções. Sua exibição em plataformas de streaming, a partir de [inserir data de lançamento prevista para streaming], será imperdível.

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