E Então Nós Dançamos:Uma Ode à Liberdade em Passos Cautelosos
Seis anos se passaram desde que E Então Nós Dançamos chegou aos cinemas brasileiros em 19 de dezembro de 2019,e confesso:a lembrança daquela experiência continua viva em mim. Mais do que um simples filme,foi uma imersão visceral em um universo de paixão reprimida,rivalidade artística e o peso da tradição em um contexto social conservador. Levan Akin,diretor e roteirista,nos presenteia com um longa que transcende o drama LGBTQIA+ para se tornar uma obra-prima sobre a busca pela autodescoberta e o poder libertador da dança.
A trama acompanha Merab,um dançarino talentoso do National Georgian Ensemble,cuja vida cuidadosamente estruturada é abalada pela chegada de Irakli,um novo bailarino. A competição profissional se mistura com um desejo secreto e avassalador,colocando em risco tanto suas ambições quanto seu futuro na conservadora Geórgia. A sinopse,em sua simplicidade,esconde a complexidade emocional que pulsa em cada cena.
A direção de Akin é primorosa. A câmera dança junto com os personagens,capturando a força bruta e a poesia contida dos movimentos. A coreografia,aliás,é um personagem à parte,repleta de tensão sexual sutilmente comunicada em cada passo,cada olhar,cada toque. A escolha de filmar na Geórgia,com seus cenários deslumbrantes e a atmosfera carregada de tradição,adiciona uma camada extra de significado,contrastando a beleza natural com a opressão social. A estética do filme,com suas cores vibrantes e enquadramentos precisos,é tão envolvente quanto a própria história.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Levan Akın |
| Roteirista | Levan Akın |
| Produtores | Mathilde Dedye,Ketie Danelia |
| Elenco Principal | Levan Gelbakhiani,Bachi Valishvili,Ана Джавахишвили,გიორგი წერეთელი,Tamar Bukhnikashvili |
| Gênero | Drama,Romance |
| Ano de Lançamento | 2019 |
| Produtoras | French Quarter Film AB,Takes Film,AMA Productions,RMV Film,Inland Film,SVT,Svenska Filminstitutet,L'Aide aux Cinémas du Monde,La Région Île-de-France,The Swedish Arts Grants Committee |
As atuações são de tirar o fôlego. Levan Gelbakhiani e Bachi Valishvili,como Merab e Irakli,respectivamente,entregam performances visceralmente autênticas,transbordando emoções contidas e desejos reprimidos. A química entre eles é palpável,transformando a tensão sexual em algo quase físico,tangível na tela. O restante do elenco também brilha,com destaque para Ana Javakhishvili como Mary,a parceira de Merab,cujo sofrimento silencioso é tão pungente quanto a paixão dos protagonistas.
Apesar de sua quase perfeição técnica e narrativa,o filme não é isento de pontos a serem considerados. A abordagem da homofobia,por exemplo,apesar de realista,talvez poderia ter sido aprofundada em alguns aspectos,permitindo uma exploração mais ampla das suas consequências. Algumas passagens podem parecer um tanto lentas para espectadores acostumados a narrativas mais aceleradas,um reflexo talvez da própria lentidão e opressão que aprisionam os personagens.
No entanto,essas pequenas falhas são facilmente perdoadas diante da riqueza temática do filme. E Então Nós Dançamos aborda temas complexos com sensibilidade e honestidade:a busca pela identidade,o peso das expectativas familiares,a repressão da sexualidade em sociedades conservadoras,o medo do julgamento e,acima de tudo,a força redentora do amor e da autoaceitação. A mensagem de esperança,de libertação através da expressão artística,ressoa mesmo anos depois da sua exibição.
Em resumo,E Então Nós Dançamos é uma obra-prima cinematográfica que transcende os gêneros e as fronteiras geográficas. Um filme sobre a dança,sim,mas principalmente sobre a vida,o amor,e a coragem de ser quem se é,mesmo diante da adversidade. Se você busca uma experiência cinematográfica intensa e profundamente comovente,não hesite:procure pelo filme em plataformas digitais. Ele te tocará profundamente,garanto. A recepção do filme pela crítica,desde seu lançamento em 2019,foi majoritariamente positiva,corroborando com a minha opinião de que esta é uma obra imperdível. Recomendo fortemente.

