Edie

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O filme Edie, lançado em 25 de maio de 2018 sob a direção de Simon Hunter, emerge como um drama comovente que subverte as expectativas sobre a velhice e a busca por um propósito tardio. Longe de ser apenas uma narrativa de superação física, a obra se estabelece como um potente estudo de personagem que explora a urgência de viver plenamente, mesmo diante de um passado carregado de arrependimentos e um futuro incerto. Sua unicidade reside na forma como ele eleva a simples premissa de uma idosa escalando uma montanha a uma metáfora visceral para a redenção e a reconexão com o eu autêntico.

A tese central de Edie não se limita à superação de um desafio físico, mas argumenta que a agência pessoal e a autodescoberta são direitos atemporais, desafiando a percepção social de que a vida se encerra com a idade. O filme propõe uma reflexão sobre a coragem necessária para confrontar os próprios limites e as expectativas alheias, afirmando que a verdadeira liberdade reside em reescrever a própria história, não importa quão tarde pareça ser.

A direção de Simon Hunter em Edie demonstra uma sensibilidade notável para o contraste entre a fragilidade humana e a majestade implacável da natureza. Hunter, conhecido por trabalhos anteriores que flertam com gêneros variados, aqui refina um estilo mais contemplativo, utilizando as vastas e imponentes paisagens das Terras Altas Escocesas não apenas como pano de fundo, mas como um espelho para o estado interior de Edie. Sua câmara frequentemente emprega planos abertos, que diminutivamente posicionam Edie contra a grandiosidade montanhosa, enfatizando sua vulnerabilidade e a imensidão da tarefa à sua frente. Contudo, Hunter alterna esses enquadramentos panorâmicos com closes íntimos e despojados que capturam a determinação e a exaustão no rosto de Sheila Hancock, revelando uma evolução em sua capacidade de extrair drama da introspecção e do silêncio.

Tecnicamente, o filme é um feito de sutileza e impacto. A cinematografia de August Jakobsson é um dos pilares da narrativa, banhando as paisagens em uma luz natural que varia do dourado esperançoso ao cinza opressor, ressaltando os altos e baixos emocionais da protagonista. A escolha de uma paleta de cores terrosa e naturalista reforça a autenticidade da jornada de Edie, evitando artifícios e ancorando a história na realidade crua da montanha. O roteiro de Edward Lynden-Bell e Elizabeth O’Halloran é hábil em construir a personagem de Edie, revelando sua resiliência por meio de diálogos concisos e momentos de silêncio eloquente. A recusa de Edie em aceitar sua situação, manifestada em um olhar teimoso e em uma frase áspera como “Eu não estou acabada”, na cena de seu primeiro encontro com Jonny, é um exemplo da escrita que dá profundidade à sua motivação. A performance de Sheila Hancock, como Edie, é o coração pulsante do filme; ela não apenas interpreta a personagem, mas a habita, transmitindo uma gama complexa de emoções através de gestos e olhares. Na cena em que Edie, exausta e ferida durante um treinamento, recusa-se a desistir mesmo quando Jonny sugere parar, a vulnerabilidade física combinada com a tenacidade em seu rosto carrega o peso de uma vida de arrependimentos e a urgência de uma última chance.

Direção Simon Hunter
Roteiro Edward Lynden-Bell, Elizabeth O’Halloran
Elenco Principal Sheila Hancock (Edie), Kevin Guthrie (Jonny), Paul Brannigan (McLaughlin), Amy Manson (Fiona), Wendy Morgan (Nancy)
Gêneros Drama
Lançamento 25/05/2018

Os temas centrais de Edie giram em torno da velhice, do arrependimento e da busca por autonomia. O filme questiona a narrativa de que a terceira idade é um período de declínio e dependência, apresentando uma Edie que, embora fisicamente frágil, possui uma força de vontade inabalável. A montanha se torna um palco para Edie exorcizar os fantasmas de seu passado, especialmente o arrependimento de ter cedido às pressões do marido e não ter escalado o Suilven em sua juventude. Este tema é explicitado na sequência final da escalada, onde cada passo é uma confrontação com a dor física e emocional, e a paisagem escarpada reflete a aspereza das memórias que Edie precisa superar. A relação de Edie com Jonny (Kevin Guthrie), seu jovem guia, é outro aspecto temático importante, representando a ponte entre gerações e a capacidade de encontrar apoio e compreensão em lugares inesperados, sem cair em clichês de mentores ou pupilos.

No nicho de drama de autodescoberta na terceira idade com jornada em ambiente natural, Edie encontra paralelos temáticos com obras que exploram a dignidade e a persistência do espírito humano em face dos desafios da idade e da natureza. Pode-se traçar uma comparação com “Uma História Verdadeira” (The Straight Story, 1999), de David Lynch, que narra a odisseia de um idoso que viaja de trator através de estados americanos para reconciliar-se com seu irmão. Ambos os filmes compartilham uma quietude contemplativa e uma reverência pela jornada física como uma manifestação da busca interna por redenção e paz. Além disso, Edie ressoa com o espírito de “Na Natureza Selvagem” (Into the Wild, 2007), de Sean Penn. Embora este último apresente um protagonista mais jovem, o filme compartilha com Edie a premissa de uma fuga para a natureza selvagem como um catalisador para a autodescoberta e a confrontação de uma vida não vivida, onde o ambiente hostil se torna um espelho para a alma em busca de propósito e liberdade. O enfoque cultural e identitário de Edie reside na valorização da experiência individual na velhice, desafiando a invisibilidade social imposta aos mais velhos.

Edie é um filme que ressoa profundamente como um testamento à resiliência humana e à ideia de que nunca é tarde para perseguir um sonho ou confrontar um arrependimento. Sua narrativa poderosa e a performance inesquecível de Sheila Hancock o tornam uma experiência cinematográfica obrigatória para aqueles que buscam inspiração em histórias de superação pessoal, ou para quem simplesmente aprecia um drama bem construído, enraizado em paisagens de tirar o fôlego. Não é apenas um filme sobre escalar uma montanha, mas sobre escalar a montanha da própria vida com coragem e determinação, independentemente da idade.

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