Então é Natal: Um filme de Natal que esquenta o coração – ou não?
Confesso, tenho uma relação complicada com filmes natalinos. A maioria deles segue fórmulas tão previsíveis que me deixam sonolento antes mesmo dos créditos iniciais. Mas, em 2021, lá estava eu, sem grandes expectativas, assistindo a Então é Natal, e, bem, foi uma experiência… interessante.
O filme nos apresenta Nia Moore, uma corretora de imóveis com a vida um tanto complicada. A pousada do seu pai está à venda e, para piorar, surge Julian, um comprador encantador que desperta nela mais do que um mero interesse profissional. Romance, negócios familiares e a magia (ou a falta dela) do Natal se entrelaçam numa trama que, admito, me prendeu mais do que eu esperava.
A direção de Christie Will Wolf é competente, sem grandes arroubos de genialidade, mas com uma sensibilidade que funciona. A câmera passeia pelas paisagens nevadas com uma certa elegância, destacando a beleza do cenário como um personagem a mais na história. O roteiro, escrito por Joel e Lisa Canfield, é um misto de clichês bem-sucedidos e alguns tropeços narrativos. Há momentos que se encaixam perfeitamente na atmosfera festiva, outros que se perdem em diálogos previsíveis e situações um tanto forçadas. Aquele típico “plot twist” que você vê chegando a quilômetros de distância está lá, mas, surpreendentemente, não chega a irritar tanto quanto poderia.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretora | Christie Will Wolf |
| Roteiristas | Joel Canfield, Lisa Canfield |
| Produtora | Catherine Kretz |
| Elenco Principal | Rukiya Bernard, Dewshane Williams, Tom Pickett, Jason Cermak, Jocelyn Ott |
| Gênero | Cinema TV, Comédia, Romance, Drama |
| Ano de Lançamento | 2021 |
| Produtoras | Brad Krevoy Production, Johnson Production Group, Motion Picture Corporation of America, All Canadian Entertainment |
O elenco é um ponto positivo. Rukiya Bernard e Dewshane Williams possuem uma química palpável, carregando nas costas a maior parte do peso emocional do filme. Bernard consegue transmitir a vulnerabilidade e a determinação de Nia com naturalidade. Williams, por sua vez, interpreta Julian com um charme que beira o caricato, mas que funciona dentro da proposta leve do longa. Os atores coadjuvantes cumprem seus papéis sem grandes destaques, mas também sem prejudicar a narrativa.
Um dos pontos fortes de Então é Natal é a sua capacidade de explorar, ainda que superficialmente, as complexidades das relações familiares e o peso da responsabilidade. A relação de Nia com seu pai, interpretado por Tom Pickett, é um exemplo disso. Embora pouco explorada, a dinâmica entre eles gera alguns momentos de emoção genuína. Por outro lado, a trama sofre de alguns enredos paralelos mal desenvolvidos e uma previsibilidade excessiva em certos pontos, o que torna a experiência menos memorável do que poderia ser.
Apesar dos seus defeitos, Então é Natal cumpre a sua função como um filme de entretenimento leve e agradável. É o tipo de filme ideal para uma noite tranquila em frente à televisão, principalmente na época do Natal, como era a intenção. Ele não reinventa a roda, não cria novos padrões para o gênero, mas oferece uma história calorosa – no sentido literal, considerando o clima natalino do filme – e romântica que, admito, me deixou com um sorriso no rosto. No entanto, não espere nada revolucionário.
Em resumo, Então é Natal é um filme que entrega o que promete: um romance natalino com doses de comédia e drama. Sua simplicidade pode ser vista como um defeito para alguns, mas para outros, pode ser o seu maior trunfo. Assisti-lo em 2025, quatro anos após seu lançamento, reforçou a minha percepção de que é um filme que não busca a inovação, mas sim, a confortabilidade de uma narrativa clássica e previsível. Se você gosta de filmes de Natal tranquilos e sem grandes pretensões, vale a pena assistir, especialmente em plataformas de streaming. Mas se procura algo mais profundo e inovador, talvez deva procurar em outros lugares. Eu recomendo para uma sessão despretensiosa, acompanhado de chocolate quente e um bom edredom.




