Entre Montanhas: Um Romance Sob o Véu da Ficção Científica
Lançado em 13 de fevereiro de 2025 no Brasil, após sua estreia em 2025, Entre Montanhas prometia uma mistura explosiva de romance, ficção científica e thriller, e, de certa forma, cumpriu a promessa. A premissa é simples, porém eficaz: dois atiradores de elite, Levi (Miles Teller) e Drasa (Anya Taylor-Joy), são enviados para proteger lados opostos de um desfiladeiro misterioso e aparentemente inócuo. O que começa como uma missão tensa e solitária logo se transforma em uma luta pela sobrevivência contra uma ameaça sobrenatural que emerge das profundezas do cânion.
A direção de Scott Derrickson, conhecido por seu trabalho em filmes de terror psicológico, confere a Entre Montanhas um tom visualmente marcante. A névoa constante que envolve o desfiladeiro, criando uma atmosfera opressiva e claustrofóbica, é um elemento essencial na construção da tensão. A fotografia é primorosa, explorando habilmente os contrastes de luz e sombra para destacar tanto a beleza imponente do cenário quanto o perigo latente que o habita. Derrickson demonstra maestria em construir suspense sem depender de sustos baratos, confiando na atmosfera e na crescente paranoia dos personagens.
O roteiro de Zach Dean, no entanto, é onde o filme demonstra algumas de suas falhas. Apesar da premissa intrigante, o desenvolvimento da trama se mostra, em alguns momentos, um pouco previsível. A revelação da ameaça sobrenatural, embora visualmente impressionante, carece de uma profundidade temática mais robusta. A construção dos personagens secundários, como Bartholomew (Sigourney Weaver), embora carregada de potencial, fica um pouco superficial. A personagem de Bartholomew se mostra subaproveitada, o que é uma verdadeira pena considerando o talento da atriz. O desempenho de Weaver, no entanto, é inegável: mesmo com um roteiro que limita suas possibilidades, ela consegue entregar uma interpretação memorável, roubando a cena em cada aparição.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Scott Derrickson |
| Roteirista | Zach Dean |
| Produtores | Adam Kolbrenner, Sherryl Clark, Zach Dean, Scott Derrickson, Dana Goldberg, Don Granger, C. Robert Cargill, David Ellison, Gregory Goodman |
| Elenco Principal | Miles Teller, Anya Taylor-Joy, Sigourney Weaver, Ṣọpẹ́ Dìrísù, William Houston |
| Gênero | Romance, Ficção científica, Thriller |
| Ano de Lançamento | 2025 |
| Produtoras | Skydance Media, Crooked Highway, Apple Studios |
As atuações principais, porém, são um ponto alto indiscutível. Miles Teller e Anya Taylor-Joy demonstram uma química excepcional, dando vida à relação tensa e crescente entre Levi e Drasa. A jornada de ambos, de inimigos a aliados, é convincente e repleta de nuances emocionais. A atuação de Teller é contida, transmitindo a frieza e o profissionalismo de um atirador de elite, enquanto Taylor-Joy entrega uma performance mais visceral, revelando a vulnerabilidade de sua personagem por baixo de uma fachada de força.
Um dos maiores trunfos de Entre Montanhas reside no uso cuidadoso do cenário. O próprio desfiladeiro, com suas torres imponentes e a constante presença de uma névoa densa, funciona como um personagem à parte. O isolamento e o mistério que emanam do lugar contribuem significativamente para o clima de suspense e paranoia. Entretanto, a história poderia ter explorado mais profundamente a mitologia ou as lendas que cercam o local.
Embora tenha pontos fracos, Entre Montanhas não deixa de ser uma experiência cinematográfica cativante. A combinação de romance e ficção científica, ainda que não revolucionária, é executada com estilo e competência. Os efeitos visuais da ameaça sobrenatural são de alta qualidade, e a trilha sonora contribui para a atmosfera tensa e envolvente. O filme é visualmente deslumbrante, uma obra de arte cinematográfica.
No entanto, e aqui me afasto de algumas críticas mais positivas que li, a falta de profundidade temática e o desenvolvimento pouco explorado de alguns personagens são fatores que impedem Entre Montanhas de alcançar a grandeza que a premissa inicial prometia. A obra deixa a desejar no desenvolvimento de seu universo e na exploração do tema da confiança em situações de alto risco.
Recomendo Entre Montanhas para os amantes de filmes de ficção científica com toques de romance e thriller. O filme oferece uma experiência visualmente gratificante e atuações memoráveis, mesmo que não apresente uma trama revolucionária. No fim das contas, é um filme que vale a pena ser visto, principalmente para apreciar a química inegável entre Miles Teller e Anya Taylor-Joy, além da beleza cinematográfica em si. É um entretenimento palatável, porém não algo que ficará gravado em sua memória por muito tempo. Se você busca algo mais substancial em termos temáticos, talvez deva procurar em outro lugar.




