A Era do Gelo: As Aventuras de Buck – Uma Aventura que Congela o Tempo (ou Não)
Três anos se passaram desde que assisti a A Era do Gelo: As Aventuras de Buck em janeiro de 2022, e a memória daquela sessão de cinema continua um tanto… nebulosa. Não no sentido de que tenha sido ruim, mas de que se encaixa naquela categoria de filmes animados leves e divertidos que não deixam uma marca duradoura. É um filme para se curtir no momento, sem grandes pretensões, e talvez seja esse o seu maior encanto, ou sua maior falha, dependendo do seu ponto de vista.
A história acompanha os gambás Crash e Eddie, esses eternos personagens cômicos da franquia “A Era do Gelo”, que se juntam a Buck Wild, a doninha caolha e aventureira, em uma jornada para o misterioso Mundo Perdido, habitado por dinossauros nada amigáveis. É uma premissa simples, ideal para um filme familiar, sem grandes reviravoltas ou complexidades narrativas. A animação, como de costume na franquia, mantém o padrão visual aceitável, sem ser memorável. O 3D não adiciona muito, mas também não prejudica a experiência.
A direção de John C. Donkin segue uma linha segura demais. A narrativa é linear, previsível, e não arrisca grandes experimentos visuais ou narrativos. Os momentos de comédia, frequentemente baseados em situações físicas e gags visuais, funcionam em alguns momentos, mas em outros se tornam repetitivos e cansativos. Já o roteiro, assinado por William Schifrin, Ray DeLaurentis e Jim Hecht, sofre do mesmo problema: falta de originalidade e um apelo mais consistente à criatividade.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | John C. Donkin |
| Roteiristas | William Schifrin, Ray DeLaurentis, Jim Hecht |
| Produtor | Denise L. Rottina |
| Elenco Principal | Simon Pegg, Vincent Tong, Aaron Harris, Utkarsh Ambudkar, Justina Machado |
| Gênero | Animação, Comédia, Família, Aventura |
| Ano de Lançamento | 2022 |
| Produtoras | Bardel Entertainment, Walt Disney Pictures |
No quesito atuação de voz, Simon Pegg, como Buck, rouba a cena com sua energia contagiante e seu carisma habitual. O restante do elenco faz o trabalho, sem grandes destaques, entregando as linhas de forma competente, mas sem adicionar muito à personalidade dos personagens. A química entre Crash e Eddie continua funcionando bem, principalmente em termos de comédia física. O restante do elenco de apoio, personagens novos criados para essa aventura, não deixam rastros.
A maior força do filme reside em sua simplicidade e na nostalgia para os fãs da franquia original. Para aqueles que cresceram com Manny, Sid e Diego, a presença de Buck – já um personagem querido em aparições anteriores – é um chamariz. A aventura em si é leve e despretensiosa, perfeita para uma tarde de domingo em família. No entanto, a previsibilidade e a ausência de momentos verdadeiramente memoráveis são suas maiores fraquezas. Não há um arco dramático significativo, nem uma mensagem profunda a ser transmitida. Ele serve ao seu propósito: entreter por uma hora e meia, sem maiores compromissos.
Os temas explorados são superficiais: a importância da amizade, a coragem de enfrentar o desconhecido, etc. – temas familiares em animações desse gênero. No entanto, a forma como são apresentados é pouco inspirada, sem conseguir criar um impacto emocional duradouro.
Em resumo, A Era do Gelo: As Aventuras de Buck é um filme mediano. Não é ruim, mas também não é excepcional. Ele cumpre seu papel como um entretenimento familiar leve, porém carece da criatividade e originalidade para se destacar no vasto universo da animação. Recomendaria para famílias com crianças pequenas, que buscam um filme divertido e sem grandes pretensões, mas não esperem uma obra-prima cinematográfica. Considerando a recepção morna que o filme teve, talvez sua curta permanência nas plataformas digitais tenha sido uma justa retribuição. Assim sendo, é um bom candidato para uma sessão descompromissada, mas esqueça se você procura algo marcante.




