Extermínio: A Evolução – Um apocalipse com sabor de déjà vu?
Lançado em 19 de junho de 2025 no Brasil, Extermínio: A Evolução chegou aos cinemas prometendo uma experiência visceral no subgênero zumbi. Três décadas após um surto de raiva modificada, a humanidade luta pela sobrevivência em um mundo devastado, com alguns sobreviventes encontrando refúgio em ilhas isoladas. A trama acompanha um desses sobreviventes que, ao se aventurar no continente, descobre a verdade por trás da catástrofe, desvendando segredos perturbadores sobre os infectados e os próprios humanos. É uma premissa que, confesso, me deixou bastante animado – e com uma pitada de receio, dado o estado atual do subgênero.
Neste artigo:
A Direção de Danny Boyle e o Roteiro de Alex Garland: Uma Dança de Talentos
A parceria entre Danny Boyle e Alex Garland sempre gera expectativas. A dupla, que já nos presenteou com obras-primas como 28 Dias Depois, entrega aqui um filme visualmente impactante. A direção de Boyle, com sua assinatura visual frenética, consegue manter a tensão em alta, principalmente nas sequências de ação. Apesar do ritmo acelerado, há momentos de contemplação, permitindo que o espectador absorva a atmosfera opressiva do mundo pós-apocalíptico.
Porém, o roteiro de Garland, que inicialmente me pareceu promissor, apresenta alguns problemas. Apesar de abordar temas interessantes sobre a natureza humana e a capacidade de adaptação em situações extremas, o desenvolvimento da trama se mostra, em alguns momentos, atropelado e previsível. Há uma clara falta de consistência em alguns plot points, criando uma sensação de falta de coerência, como apontam algumas críticas que li antes de assistir. Não é um desastre absoluto, mas poderia ter explorado melhor suas ideias audaciosas.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Danny Boyle |
| Roteirista | Alex Garland |
| Produtores | Danny Boyle, Alex Garland, Andrew Macdonald, Peter Rice, Bernard Bellew |
| Elenco Principal | Jodie Comer, Alfie Williams, Aaron Taylor-Johnson, Ralph Fiennes, Edvin Ryding |
| Gênero | Terror, Thriller, Ficção científica |
| Ano de Lançamento | 2025 |
| Produtoras | Columbia Pictures, DNA Films, Decibel Films, TSG Entertainment |
Atribuindo Pontos e Penalidades: Atuações e Outros Detalhes
O elenco é impecável. Jodie Comer, como Isla, entrega uma atuação visceral e convincente, carregando o peso emocional do filme nas costas. Alfie Williams e Aaron Taylor-Johnson também compõem personagens memoráveis, contribuindo para a atmosfera sombria. Ralph Fiennes, como sempre, adiciona uma camada de elegância e complexidade à sua atuação, mesmo em um papel relativamente pequeno.
Entretanto, é aqui que entro em rota de colisão com alguns críticos. Não concordo totalmente com a ideia de que o personagem principal se torna irrelevante, como algumas críticas anteciparam. Isla é o centro emocional, mas a narrativa permite que outros personagens cresçam, explorando a dinâmica do grupo. É uma escolha de roteiro que, apesar de ousada, funciona para a construção do ambiente. Concordo, porém, que a trama oscila demais entre vários pontos, perdendo o foco e deixando algumas pontas soltas irritantemente frustrantes.
Pontos Fortes e Fracos de uma Obra Ambiciosa
Entre os pontos fortes de Extermínio: A Evolução estão a fotografia impecável, as atuações memoráveis, e a criatividade visual. Boyle nos apresenta um mundo pós-apocalíptico genuinamente assustador, utilizando a câmera de maneira brilhante para criar tensão e claustrofobia. O design dos infectados também é um acerto: assustador e eficaz.
Porém, o roteiro irregular e a transição abrupta entre diferentes pontos da trama são os seus maiores tropeços. O filme se perde em sua ambição, tentando abarcar diversos temas sem desenvolvê-los adequadamente. Há uma sensação de que algumas ideias interessantes foram subutilizadas, em detrimento de um desenvolvimento mais focado.
O Que Extermínio: A Evolução Tenta Dizer (ou não)?
O filme explora temas pertinentes à natureza humana, a resiliência diante da adversidade, e o dilema moral em um mundo sem leis. Mas a mensagem fica um pouco diluída pelo roteiro irregular. Entendo a tentativa de criar um universo complexo, com múltiplas camadas, mas não posso deixar de sentir que poderia ter sido mais preciso em suas intenções.
Veredito: Uma Experiência Agridoce
Extermínio: A Evolução é um filme ambicioso que, apesar de suas falhas, possui qualidades inegáveis. Não é a obra-prima que alguns esperavam, nem o fracasso anunciado por outros. É uma experiência cinematográfica agridoce, com momentos de brilho deslumbrante e outros que deixam a desejar. Se você busca um filme de zumbis com direção impecável e atuações memoráveis, vale a pena conferir. Mas prepare-se para algumas frustrações narrativas. Recomendo, mas com ressalvas. A nota? 3,5 de 5 estrelas.




