Feito na América

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Feito na América emerge como um fascinante e frenético mergulho nas entranhas da política secreta dos Estados Unidos e do submundo do narcotráfico nos anos 80. Longe de ser um drama biográfico convencional, a obra de Doug Liman opera como uma montanha-russa de adrenalina e comédia de erros, narrando a inacreditável, mas verídica, trajetória de Barry Seal, um piloto oportunista da Trans World Airlines que se tornou agente duplo para a CIA e, simultaneamente, para o cartel de Medellín.

A tese central do filme transcende a mera crônica de crimes; Feito na América é uma sátira mordaz sobre a hipocrisia e as consequências não intencionais da política externa americana, onde a linha entre o patriotismo e o oportunismo mercenário se dissolve em um caldeirão de operações clandestinas, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Barry Seal, interpretado com carisma anárquico por Tom Cruise, não é apenas um criminoso; ele se torna um reflexo distorcido do “sonho americano” em um contexto de intervenção governamental desregulada.

Doug Liman, conhecido por sua habilidade em infundir energia cinética em suas narrativas, como visto em “A Identidade Bourne” e “Sr. e Sra. Smith”, eleva Feito na América com um estilo visual e rítmico inconfundível. A direção adota uma abordagem quase documental, com uma câmera ágil e frequentemente na mão que segue Barry Seal em suas peripécias aéreas e terrestres, transmitindo uma sensação de urgência e espontaneidade. Liman constrói uma atmosfera vibrante dos anos 80, não apenas através da trilha sonora e do design de produção, mas pela própria montagem que alterna momentos de tensão com uma leveza irônica, criando um tom que oscila entre o suspense e a farsa.

A fotografia de César Charlone emprega uma paleta de cores saturadas, reminiscentes da estética cinematográfica da década de 80, e usa a luz natural para dar uma crueza autêntica às paisagens rurais da América Central e do sul dos EUA. A câmera muitas vezes parece intrusiva, quase um observador escondido, intensificando a imersão do público na vida caótica de Seal. O roteiro de Gary Spinelli é um ponto forte crucial, destilando uma história complexa e repleta de reviravoltas em uma narrativa coesa e consistentemente divertida. Spinelli não busca moralizar, mas sim apresentar os fatos com um senso de humor cáustico, equilibrando o perigo inerente das atividades de Seal com o absurdo das situações em que ele se encontra.

Direção Doug Liman
Roteiro Gary Spinelli
Elenco Principal Tom Cruise (Barry Seal), Domhnall Gleeson (Monty ‘Schafer’), Sarah Wright (Lucy Seal), Jesse Plemons (Sheriff Downing), Caleb Landry Jones (JB)
Gêneros Ação, Comédia, Crime, Drama
Lançamento 18/08/2017
Produção Universal Pictures, Cross Creek Pictures, Imagine Entertainment, Vendian Entertainment, Quadrant Pictures, Hercules Film Fund

A atuação de Tom Cruise como Barry Seal é um de seus trabalhos mais cativantes e despojados em anos. Cruise infunde Seal com um charme dissimulado e uma imprudência irresistível, tornando o público cúmplice de suas escolhas moralmente questionáveis. Na cena em que ele tenta desesperadamente esconder o avião cheio de drogas de uma criança curiosa na pista improvisada de uma pequena cidade, o pânico cômico de Cruise humaniza o personagem, revelando a fragilidade por trás da fachada de auto-confiança. Domhnall Gleeson, como o agente da CIA Monty Schafer, fornece um contraponto essencial, com sua rigidez burocrática e incredulidade crescente diante das proezas de Seal.

O filme explora temas como o oportunismo americano e a ética ambígua da intervenção governamental. Barry Seal é um empresário nato, cujo talento para o voo se transforma em um veículo para a riqueza ilícita e, ironicamente, para servir os interesses de seu país. A cena em que ele, inundado de dinheiro, tenta comprar todos os pequenos negócios de uma cidadezinha para lavar seus ganhos é um poderoso comentário visual sobre o excesso e a corrupção do “sonho americano” quando desvinculado de qualquer bússola moral.

A narrativa também aborda a fragilidade das fronteiras morais quando agendas políticas se sobrepõem à legalidade. A CIA, em sua busca por conter o comunismo na América Central, inadvertidamente (ou propositalmente) cria um monstro de logística que alimenta o cartel de Medellín com armas e dinheiro, ao mesmo tempo em que inunda os EUA com cocaína. Essa teia de contradições é o cerne temático de Feito na América, expondo as ironias e as tragédias de um sistema onde a mão direita não sabe o que a esquerda está traficando.

Feito na América se encaixa no nicho do drama biográfico de crime com comédia negra, ambientado nos anos 80, que satiriza a ambição desmedida e a corrupção sistêmica. Pode ser comparado a obras que exploram figuras carismáticas e moralmente ambíguas em meio a esquemas financeiros ou criminosos gigantescos, sob uma lente de humor ácido.

Neste contexto, o filme ressoa com a energia e a narrativa fragmentada de “Go” (1999), também dirigido por Doug Liman, que explora as consequências de uma negociação de drogas sob múltiplas perspectivas, com um ritmo frenético e uma edição não-linear que captura o caos de um fim de semana descontrolado. A semelhança reside na representação de personagens à beira do colapso, impulsionados por suas escolhas arriscadas.

Adicionalmente, Feito na América compartilha a irreverência e a exposição do excesso humano em um mundo de moralidade flexível com “O Lobo de Wall Street” (2013). Ambos os filmes apresentam protagonistas magnéticos que se deleitam em sua riqueza ilícita e suas vidas extravagantes, enquanto o espectador é convidado a testemunhar o espetáculo da autodestruição com um misto de fascínio e repulsa. O enfoque cultural em ambos é a crítica a uma certa permissividade americana que, em busca de sucesso e poder, ignora as consequências de suas ações, seja no mercado financeiro ou nas operações clandestinas governamentais.

Feito na América é uma peça de cinema vibrante e provocadora, que utiliza o carisma de Tom Cruise e a direção ágil de Doug Liman para contar uma história complexa de oportunismo, intriga e as fronteiras borradas da moralidade. É um filme altamente recomendável para entusiastas de histórias baseadas em fatos reais que não se esquivam do humor negro, para admiradores de filmes de ação com um toque de inteligência e para aqueles que buscam uma crítica social disfarçada em um entretenimento de alto calibre. A obra deixa uma impressão duradoura sobre as consequências de um poder sem limites e a eterna sedução do lucro, independentemente do custo.

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