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O Legado de Osiris: Uma Viagem Espacial Inesperadamente Cativante
Nove anos se passaram desde a estreia de “O Legado de Osiris” nos cinemas brasileiros, em 6 de outubro de 2017. Revisitar este filme de ficção científica australiano, dirigido por Shane Abbess, em 2025, é uma experiência curiosa. A nostalgia, é claro, desempenha seu papel, mas também há uma certa perspectiva que permite uma avaliação mais equilibrada. Não se trata de um épico espacial de tirar o fôlego, mas de uma obra que, em sua modéstia, consegue entregar uma história envolvente e personagens com os quais, surpreendentemente, nos conectamos.
A trama acompanha Sy Lombrok (Kellan Lutz), um ex-enfermeiro que vive à margem da sociedade em um futuro marcado pela colonização espacial. Sua vida solitária é interrompida quando ele se alia a Kane Sommerville (Daniel MacPherson), um tenente militar em busca desesperada de sua filha, Indi (Teagan Croft), em meio a uma crise de proporções globais. A sinopse, embora simples, esconde uma trama mais complexa que se desenvolve gradualmente, revelando segredos e reviravoltas que mantêm o espectador engajado.
A direção de Shane Abbess, que também assina o roteiro ao lado de Brian Cachia, é competente. Não se trata de uma obra visualmente exuberante, mas a estética se encaixa perfeitamente no tom da narrativa. As cenas de ação são bem coreografadas, e a atmosfera sombria e tensa é eficaz em criar suspense. Há uma economia de recursos evidente, algo que, em vez de prejudicar, contribui para um certo charme peculiar. O roteiro, apesar de alguns clichês do gênero, funciona bem em construir os personagens e a relação improvável entre Sy e Kane, o coração da história.
As atuações são um ponto alto do filme. Kellan Lutz, conhecido por papéis mais físicos, demonstra uma sensibilidade surpreendente no papel de Sy, um personagem com um passado traumático e uma complexidade que vai além do estereótipo do anti-herói. Daniel MacPherson, como Kane, entrega uma performance igualmente convincente, transmitindo o desespero de um pai em busca de sua filha. O elenco de apoio, incluindo Isabel Lucas e Rachel Griffiths, também oferece atuações sólidas. A menção especial fica para a jovem Teagan Croft, que demonstra um talento nato.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Shane Abbess |
| Roteiristas | Shane Abbess, Brian Cachia |
| Produtores | Matthew Graham, Sidonie Abbene, Shane Abbess, Brett Thornquest |
| Elenco Principal | Kellan Lutz, Daniel MacPherson, Isabel Lucas, Luke Ford, Rachel Griffiths |
| Gênero | Ficção científica |
| Ano de Lançamento | 2016 |
| Produtoras | Eclectik Vision, Storm Vision Entertainment |
Pontos Fortes e Fracos de uma Viagem Interestelar
Um dos maiores trunfos de “O Legado de Osiris” é sua capacidade de humanizar a ficção científica. Em vez de se concentrar em grandes batalhas espaciais ou tecnologias futurísticas deslumbrantes, o filme se concentra na relação entre os personagens, em suas motivações e traumas. A jornada emocional é tão importante quanto a aventura espacial. Por outro lado, alguns efeitos visuais demonstram a limitação de orçamento, algo que pode distrair espectadores acostumados aos grandes blockbusters de Hollywood.
A escolha de focar no drama humano, embora seja uma decisão inteligente, também pode ser vista como um ponto fraco para alguns. A ausência de grandes sequências de ação contínua pode desagradar aqueles que buscam apenas entretenimento explosivo. A trama, apesar de funcionar bem, poderia ter explorado ainda mais a mitologia do universo apresentado.
Temas e Mensagens
“O Legado de Osiris” aborda temas relevantes como a fragilidade da humanidade diante da vastidão do espaço, a importância da família e a busca por redenção. A história explora a capacidade de superação em face da adversidade e a complexidade da natureza humana, mostrando que mesmo em um futuro tecnológico avançado, os problemas e dilemas da condição humana permanecem os mesmos.
Conclusão: Uma Experiência a Ser Descoberta
“O Legado de Osiris” não é um filme perfeito. Ele apresenta limitações técnicas e algumas escolhas narrativas discutíveis. Mas, ao mesmo tempo, ele possui um charme e uma honestidade que o tornam uma experiência cinematográfica significativamente satisfatória. Para aqueles que apreciam ficção científica com foco no drama humano, e que não se importam com uma produção visual menos grandiosa, este filme é uma descoberta obrigatória. Se você está procurando um blockbuster com efeitos especiais espetaculares, talvez esta não seja a melhor opção. Mas se deseja uma história envolvente, com personagens críveis e uma narrativa que lhe proporcionará uma experiência cinematográfica genuína, então eu recomendo fortemente que você busque “O Legado de Osiris” nas plataformas digitais. Vale a pena.




