Fiction

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Fiction: Um Retrato Íntimo Que Se Esquiva da Perfeição

Seis anos. Seis longos anos desde que assisti a Fiction, o longa-metragem de 2019 da Mondiblanc Film Workshop, e ainda hoje, em 23 de setembro de 2025, a memória de suas imagens e personagens persiste em minha mente, um eco subtil mas insistente. Não se trata de um filme perfeito, longe disso, mas sua imperfeição, sua honestidade quase bruta, é precisamente o que o torna tão fascinante.

A história acompanha, sem revelar muito, a jornada de dois indivíduos, interpretados com maestria por Adinegoro Natsir e Klara Virencia. Seus caminhos se cruzam e se entrelaçam, num estudo de relações humanas que se desenvolve lentamente, com uma delicadeza que contrasta com a violência latente presente em alguns momentos. A trama não é o foco principal. Fiction é menos sobre o que acontece e mais sobre como acontece, sobre o silêncio que separa as palavras, sobre os olhares que transcendem a fala.

A direção demonstra um domínio impressionante da linguagem cinematográfica. A fotografia, de uma beleza quase dolorosamente crua, captura a alma dos personagens e dos cenários com uma sensibilidade rara. Os planos longos, muitas vezes sem cortes, criam uma atmosfera de intensa imersão, nos colocando diretamente no meio do turbilhão emocional que permeia a narrativa. A trilha sonora, discreta mas eficaz, funciona como uma sombra alongada, enfatizando as nuances dos sentimentos sem jamais se impor.

Atributo Detalhe
Elenco Principal Adinegoro Natsir, Klara Virencia
Ano de Lançamento 2019
Produtora Mondiblanc Film Workshop

No entanto, o roteiro, apesar de seus momentos de brilho, se perde em alguns momentos de indecisão. Há uma certa falta de foco, um certo divagar que, embora possa refletir a complexidade da própria vida, por vezes interrompe o fluxo da narrativa. A ausência de uma conclusão categórica, que alguns podem interpretar como um defeito, eu considero uma escolha corajosa, uma representação mais fiel da natureza imprevisível das relações humanas.

As atuações são, sem dúvida, o ponto alto do filme. Adinegoro Natsir e Klara Virencia entregam performances poderosas e contidas, transmitindo uma profundidade emocional que prende o espectador. É uma química entre os atores que transcende a tela, deixando uma marca duradoura na memória.

Fiction explora temas universais – amor, perda, solidão, a busca pela identidade – mas o faz de forma sutil, sem jamais cair no sentimentalismo barato. A mensagem é indireta, a ser decifrada por cada espectador, e é exatamente essa ambiguidade que torna o filme tão rico em interpretações. Ele não oferece respostas fáceis, mas provoca reflexões profundas sobre a condição humana.

No que diz respeito à recepção do filme em 2019, lembro-me de uma divisão significativa de opiniões. Alguns críticos elogiaram sua audácia e originalidade, enquanto outros criticaram sua lentidão e falta de clareza. A meu ver, estas críticas refletem uma incompreensão do que Fiction realmente busca: não é um filme para quem busca entretenimento fácil, mas uma experiência cinematográfica reflexiva e desafiadora.

Em suma, Fiction não é um filme para todos. Sua abordagem lenta, introspectiva e sua narrativa não linear podem desagradar a quem busca um enredo mais linear e previsível. Mas para aqueles dispostos a se entregarem à sua beleza austera e à profundidade emocional dos seus personagens, Fiction oferece uma jornada cinematográfica inesquecível, uma experiência que permanece viva na memória mesmo anos depois. Recomendo o filme para aqueles que apreciam filmes de arte mais densos e que não se importam em mergulhar num mundo mais introspectivo e menos comercial. Busque-o nas plataformas digitais – vale a experiência.