Sabe, há filmes que a gente assiste e, um ano depois, eles ainda estão ali, martelando na nossa cabeça, como uma melodia persistente ou, mais precisamente, como uma daquelas contas que você tenta ignorar, mas que o lembrete nunca te deixa em paz. E aí, quando me pedem para falar de um que me marcou de verdade, o que me vem à mente imediatamente é The Burden of Nine Lives, lançado discretamente no ano passado, em 2024. O porquê? Bem, porque ele não só entregou a adrenalina que a gente espera de um bom filme de ação, mas também nos jogou num mar de dilemas que, francamente, me fez questionar se a vingança é mesmo um prato que se come frio, ou se ela não é, na verdade, um fogo que consome tudo.
Quando a gente se depara com a premissa de um “heist gone wrong” que vira um “revenge thriller”, a mente já traça um roteiro meio batido, né? Explosões, tiros, um herói implacável. Mas Vega Montanez, que além de dirigir também assina o roteiro, conseguiu desconstruir essa expectativa e nos entregar algo que é cru, humano e dolorosamente real. Não se trata apenas de um assalto que deu errado; é a história de almas que, por algum motivo, se veem presas em um ciclo vicioso de perda e retribuição, onde cada “vida extra” é mais uma cicatriz, não uma benção. O título, The Burden of Nine Lives, não é um mero adorno; ele é a espinha dorsal de uma narrativa que explora o preço da sobrevivência e o peso das escolhas irreversíveis.
Ari Brisbon encarna Tony de um jeito que a gente sente a sujeira e o cansaço do personagem. Seus olhos não mentem. Eles carregam uma história de derrota e uma promessa silenciosa de retorno, custe o que custar. Não é aquele herói irretocável que sai ileso de tudo; Tony é um homem que sangra, que falha, mas que se recusa a ser derrubado. Eu me peguei prendendo a respiração várias vezes enquanto assistia, sentindo a tensão vibrar na tela. Steven Staine Fernandez, como Jimmy, é o contraponto perfeito, o elo que nos conecta ao lado mais vulnerável e, talvez, ao que restou de humanidade no grupo. A dinâmica entre eles é palpável, e é através dela que a tragédia inicial do assalto se torna ainda mais pungente.
E os doutores? Ah, os doutores. Alysha Wright, que além de Dr. Francis também atuou como produtora, traz uma complexidade fascinante para sua personagem. Não são meros cientistas em um laboratório obscuro; eles são peças cruciais em um jogo muito maior, talvez até involuntariamente. Brendon Sinclair Wilde (Dr. Benjamin) e Pilar Adara (Dr. Alister) completam esse trio, criando um enredo que nos faz pensar: o que exatamente Tony e Jimmy estavam tentando roubar ou desmascarar? A presença desses personagens “acadêmicos” eleva o drama, sugerindo que o que está em jogo é muito mais do que dinheiro ou joias; talvez seja conhecimento, ou um segredo capaz de redefinir o que significa ter “nove vidas”.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Vega Montanez |
| Roteirista | Vega Montanez |
| Produtores | Cosmo Losco, Alysha Wright, Vega Montanez |
| Elenco Principal | Ari Brisbon, Alysha Wright, Steven Staine Fernandez, Brendon Sinclair Wilde, Pilar Adara |
| Gênero | Ação, Drama |
| Ano de Lançamento | 2024 |
| Produtoras | Coin Theory Media, Losco Pictures |
Vega Montanez, nesse seu trabalho de direção e escrita, mostra uma mão firme e uma visão artística que merece aplausos. Ele não se contenta em mostrar a ação; ele nos faz sentir o impacto de cada golpe, a agonia de cada perda, o desespero de cada fuga. A montagem, a fotografia – tudo conspira para nos imergir nesse universo sombrio onde a moralidade é uma paisagem em constante mutação. A cada reviravolta, a cada momento em que Tony parece beirar o abismo da aniquilação, a gente se pergunta: será que ele aguenta? Será que a mente humana tem capacidade para suportar tanto?
O que me prendeu em The Burden of Nine Lives é exatamente isso: a complexidade. Não é um filme onde o bem e o mal são claros como água. Há tons de cinza por toda parte. As ações de Tony são justificadas? Talvez, sob uma ótica; condenáveis, sob outra. E é essa dualidade que faz o filme ecoar muito depois dos créditos rolarem. Os produtores Cosmo Losco, Alysha Wright e Vega Montanez, junto às produtoras Coin Theory Media e Losco Pictures, nos entregaram uma obra que não tem medo de ser desconfortável, de questionar nossas próprias noções de justiça e perdão.
Este não é um filme para quem busca um entretenimento leve de sábado à noite. É uma experiência visceral, um mergulho profundo na psique humana quando empurrada aos seus limites mais extremos. The Burden of Nine Lives é um grito, um sussurro, e a persistente lembrança de que algumas cargas, por mais que a gente tente, jamais conseguimos nos livrar delas. E, para mim, como crítico e, antes de tudo, como ser humano, é exatamente esse tipo de filme que vale a pena ser visto, debatido e sentido. É cinema que mexe com a gente, que nos lembra que, por trás de qualquer explosão ou perseguição, há sempre um coração batendo – ou se despedaçando.




