Fluentes no Amor

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Fluentes no Amor, uma comédia britânica lançada em 2018 e dirigida por Toby MacDonald, emerge como uma análise espirituosa e incisiva sobre a arte da conquista e a performance da identidade masculina no ambiente particular de um internato. Longe de ser apenas mais uma narrativa sobre o primeiro amor, o filme se estabelece como uma observação astuta sobre a pressão social e a autodescoberta que moldam a juventude, particularmente quando inserida em um contexto de hierarquia e competição. Sua singularidade reside na habilidade de transformar clichês do gênero em um estudo de personagem, onde o humor serve como lente para dissecar as inseguranças e as estratégias muitas vezes desastradas de seus protagonistas.

A tese central de Fluentes no Amor reside na forma como a obra desmistifica a ideia romântica do “destino” no amor, apresentando a conquista como um complexo jogo de xadrez social. O filme argumenta que, em ambientes fechados como o internato Caldermount, a atração e a rivalidade são menos sobre química espontânea e mais sobre a navegação calculista de expectativas sociais, performatividade e a incessante busca por validação. Amberson não está apenas tentando ganhar o coração de Agnes; ele está travando uma batalha para redefinir seu lugar na ordem social, utilizando o afeto como moeda.

A direção de Toby MacDonald demonstra uma familiaridade notável com o universo dos internatos britânicos, um terreno já explorado em sua filmografia, especialmente em “Old Boys” (lançado no mesmo ano). MacDonald emprega uma estética visual que balanceia o rigor arquitetônico da instituição com a energia caótica de seus jovens moradores. Cenas como o primeiro encontro de Amberson com a grandiosidade de Caldermount são filmadas com planos abertos que enfatizam sua pequenez e isolamento, contrastando-o com a postura de confiança inerente a Winchester. Esse estilo de direção permite que o cenário não seja apenas um pano de fundo, mas um participante ativo na formação das personalidades e conflitos. A paleta de cores, dominada por tons terrosos e o azul sóbrio dos uniformes, sublinha a atmosfera contida, pontuada apenas por cores mais vibrantes associadas a Agnes, simbolizando sua função como catalisadora.

Tecnicamente, o roteiro de Luke Ponte e Freddy Syborn é um dos pilmes fortes de Fluentes no Amor. O diálogo é ágil e perspicaz, frequentemente revelando a inteligência e a insegurança de Amberson através de monólogos internos espirituosos ou interações sociais desajeitadas. Por exemplo, a cena em que Amberson tenta impressionar Agnes com conhecimento acadêmico, apenas para se ver interrompido por Winchester, é um exemplo primoroso de como a escrita constrói a dinâmica de poder e a comédia da situação. A atuação de Alex Lawther como Amberson é um espetáculo à parte; ele encarna a vulnerabilidade e o intelecto com uma fisicalidade que oscila entre a agitação nervosa e a falsa confiança. Seus olhares de desespero e suas tentativas patéticas de parecer “cool” são transmitidos com uma precisão que evita a caricatura, tornando o personagem genuinamente empático. Jonah Hauer-King entrega um Winchester carismático, mas com nuances que sugerem que sua popularidade é tão frágil quanto a de Amberson. A cinematografia utiliza enquadramentos que frequentemente colocam Amberson ligeiramente fora de centro ou em segundo plano em relação a Winchester, reforçando visualmente seu status de forasteiro e a sua incessante luta para pertencer. A edição mantém um ritmo que acelera em momentos de pânico e desacelera para permitir a tensão romântica, um exemplo notável é a montagem que justapõe as estratégias simultâneas de Amberson e Winchester para atrair Agnes, culminando em resultados cômicos e desastrosos.

Direção Toby MacDonald
Roteiro Luke Ponte, Freddy Syborn
Elenco Principal Alex Lawther (Amberson), Jonah Hauer-King (Winchester), Pauline Étienne (Agnes), Denis Ménochet (Babinot), Joshua McGuire (Huggins)
Gêneros Comédia
Lançamento 22/06/2018
Produção WestEnd Films, Film4 Productions, Momac Films Ltd., BFI

Os temas centrais de Fluentes no Amor giram em torno da identidade, da hierarquia social e da competição. O internato Caldermount é um microcosmo onde as regras não escritas da popularidade e do status social são tão rígidas quanto o currículo acadêmico. Amberson, um novato deslocado, representa a busca por autenticidade em um ambiente que exige conformidade. A rivalidade com Winchester não é apenas por Agnes, mas por um reconhecimento social, por um lugar onde ele possa se sentir seguro e aceito. A cena em que Amberson, com a ajuda de seu colega de quarto, Huggins, elabora um plano complexo para interceptar uma carta de Winchester, ilustra a obsessão em superar o rival, não apenas em um confronto direto, mas em uma guerra de inteligência e subterfúgio. Este é um filme sobre a formação da masculinidade, questionando se a vitória no jogo amoroso se dá pela autenticidade ou pela habilidade de manipular as expectativas alheias.

Dentro do nicho de “Comédia de Amadurecimento em Internato Britânico”, Fluentes no Amor encontra paralelos significativos. Em primeiro lugar, é impossível não traçar uma linha direta com “Old Boys” (2018), também dirigido por Toby MacDonald e estrelado por Alex Lawther. Ambas as obras compartilham não apenas o diretor e o protagonista, mas o cenário de um internato masculino britânico e uma exploração bem-humorada das dinâmicas sociais, da amizade e da rivalidade juvenil em torno de interesses românticos, subvertendo as expectativas de gênero e classe social de forma sutil. Um segundo ponto de comparação é “A Vingança dos Nerds” (1984), que, embora ambientado em uma universidade americana, explora a mesma dicotomia fundamental entre o “nerd” inteligente e desajeitado e o “jock” popular e atlético. Ambas as narrativas se concentram na engenhosidade do protagonista mais fraco para superar um rival socialmente dominante, usando a inteligência e táticas pouco ortodoxas para navegar as hierarquias acadêmicas e românticas, celebrando o triunfo do intelecto sobre a mera popularidade, com um forte enfoque na comédia de situações.

Fluentes no Amor é uma obra que se recomenda entusiasticamente para aqueles que apreciam comédias que aliam o riso a uma camada mais profunda de observação social e psicológica. Não é um filme que busca a grandiosidade, mas sim a astúcia e a precisão em seu retrato da adolescência e da complexidade das relações humanas. Ideal para fãs de narrativas de amadurecimento que fogem do sentimentalismo excessivo e abraçam a ironia e a inteligência. É um lembrete divertido e perspicaz de que o amor, especialmente na juventude, é muitas vezes um campo de batalha estratégico antes de se tornar um refúgio.

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