G.I. Joe Origens: Snake Eyes

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Snake Eyes: Uma Origem Ninja que Cai em Algumas Armadilhas

Quatro anos se passaram desde que G.I. Joe Origens: Snake Eyes chegou aos cinemas brasileiros em 19 de agosto de 2021. E, a essa distância, consigo avaliar com mais clareza o que foi essa incursão no universo G.I. Joe, focada na origem do icônico ninja silencioso. A premissa era promissora: um filme de ação com elementos sobrenaturais, explorando a mitologia do clã Arashikage e o relacionamento complexo entre Snake Eyes e Storm Shadow. A sinopse, em poucas palavras, nos apresenta Snake Eyes aceitando um lugar no clã Arashikage após salvar Storm Shadow, e ambos se unindo contra a Cobra, culminando em revelações de segredos que colocam à prova sua lealdade.

O que encontramos, na prática, é um filme que se divide entre momentos de pura excelência visual e outros de roteiro previsível e um tanto arrastado. Robert Schwentke, na direção, demonstra maestria em criar sequências de luta impecáveis, coreografadas com precisão e energia. As cenas de ação são, sem dúvida, o ponto alto do longa, com uma estética visual inspirada e uma fluidez que nos prende à tela. A beleza dos cenários, a fotografia cuidadosa e a utilização da luz e sombra são dignas de nota e resgatam a atmosfera sombria e elegante que se espera de um filme com temática ninja.

Porém, o roteiro, assinado por Evan Spiliotopoulos, Joe Shrapnel e Anna Waterhouse, peca em alguns aspectos. A construção dos personagens, especialmente o aprofundamento da relação entre Snake Eyes e Storm Shadow, poderia ter sido mais rica e explorada com maior profundidade. Há uma certa pressa em revelar os segredos do passado, sacrificando o desenvolvimento de uma narrativa mais orgânica. O ritmo, em certos momentos, torna-se irregular, com alguns trechos se arrastando enquanto outros avançam com muita velocidade.

Atributo Detalhe
Diretor Robert Schwentke
Roteiristas Evan Spiliotopoulos, Joe Shrapnel, Anna Waterhouse
Produtores Brian Goldner, Lorenzo di Bonaventura, Erik Howsam
Elenco Principal Henry Golding, Andrew Koji, Haruka Abe, Úrsula Corberó, Samara Weaving
Gênero Ação, Aventura
Ano de Lançamento 2021
Produtoras Paramount Pictures, Metro-Goldwyn-Mayer, di Bonaventura Pictures, Entertainment One, Skydance Media, Hasbro

As atuações são um ponto positivo. Henry Golding, como Snake Eyes, entrega uma performance física impecável, transmitindo a força e a serenidade do personagem. Andrew Koji, como Storm Shadow, também brilha, entregando uma interpretação complexa e cheia de nuances. Haruka Abe, Ursula Corberó e Samara Weaving completam o elenco com atuações sólidas, mesmo com personagens que não recebem o mesmo desenvolvimento.

Os pontos fortes residem, sem dúvidas, nas sequências de ação, na fotografia impecável e na construção visual do mundo ninja apresentado. Por outro lado, a narrativa fragmentada e a falta de aprofundamento em certos personagens são os seus pontos fracos mais notáveis. O filme se concentra na ação, mas poderia ter se beneficiado de um roteiro mais introspectivo e mais equilibrado entre a ação visceral e a exploração dos personagens.

Em termos de temas e mensagens, o longa explora a honra, a lealdade e o conceito de família, conceitos centrais para a cultura ninja e que se refletem na jornada de Snake Eyes. No entanto, esses temas não são explorados de forma tão profunda quanto poderiam ter sido, ficando um pouco na superfície. A jornada de Snake Eyes se torna mais uma sucessão de combates e revelações do que uma exploração profunda desses conceitos, que, por si só, já seriam uma grande contribuição.

Ao fim, G.I. Joe Origens: Snake Eyes é um filme que agrada mais aos olhos do que à mente. A ação é de primeira, sem dúvida. Mas a falta de uma narrativa mais coesa e personagens mais bem desenvolvidos impede que ele se torne uma obra-prima. Recomendo o filme aos fãs de ação e de filmes de origem, mas com a ressalva de que é preciso gerenciar as expectativas em relação à profundidade da história. Se você busca uma experiência puramente visual e repleta de ação ninja bem executada, vá em frente. Caso deseje um filme de origem mais denso e com uma narrativa mais completa, talvez deva procurar outros títulos. A experiência, de qualquer forma, permanecerá registrada como mais uma aventura no mundo dos ninjas.