GOAT: Um toque de terror no campo sagrado do futebol americano
O ano é 2025. Acabei de sair da sessão de imprensa de GOAT, e posso dizer com convicção: este filme não é para os fracos de estômago. A sinopse oficial vende uma premissa aparentemente simples: um jovem quarterback talentoso, Cameron Cade (um excelente Tyriq Withers), recebe uma oportunidade de ouro – treinar em um complexo isolado de um time de futebol americano. Mas, como muitos filmes de terror que se prezam, a verdade é bem mais sinistra do que a promessa inicial. A ascensão ao sucesso se transforma num descenso aos infernos, repleto de mistério e suspense que prendem a atenção do espectador do começo ao fim.
Direção, Roteiro e Atuações: Um time de peso
Justin Tipping, na direção, consegue criar uma atmosfera opressiva e claustrofóbica. O isolamento do complexo, a fotografia escura e os ângulos de câmera cuidadosamente escolhidos contribuem para uma sensação constante de ameaça iminente. O roteiro, assinado por Akers, Bronkie e o próprio Tipping, é inteligentemente construído, alternando entre momentos de tensão palpável e breves lampejos de alívio que logo se desfazem. A trama, embora aparentemente simples, é rica em detalhes e nuances que se revelam gradativamente, mantendo o espectador intrigado.
O elenco é, sem dúvida, um dos pontos altos do filme. Tyriq Withers entrega uma performance convincente como Cameron, transmitindo a ambição, o medo e a crescente desconfiança em seus olhos. Marlon Wayans, em um papel inesperado, mostra o seu talento em um registro mais dramático, interpretando o enigmático Isaiah White, enquanto Julia Fox demonstra toda a sua força como Elsie White. Embora os papéis de Tim Heidecker e Jim Jefferies ainda sejam misteriosos e as suas performances, por consequência, difíceis de avaliar totalmente por enquanto, a expectativa é alta, dadas as suas carreiras.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Justin Tipping |
| Roteiristas | Zack Akers, Skip Bronkie, Justin Tipping |
| Produtores | Jordan Peele, Win Rosenfeld, Ian Cooper, Jamal Watson |
| Elenco Principal | Tyriq Withers, Marlon Wayans, Julia Fox, Tim Heidecker, Jim Jefferies |
| Gênero | Terror, Mistério |
| Ano de Lançamento | 2025 |
| Produtora | Monkeypaw Productions |
Pontos Fortes e Fracos: Uma jogada arriscada que quase dá certo
A construção lenta da tensão, a ambientação impecável e as atuações sólidas são, sem dúvida, os trunfos de GOAT. A exploração de temas como a obsessão, a ambição desmedida e a manipulação psicológica é feita com maestria, elevando o filme acima de um simples slasher. A fusão de elementos de terror sobrenatural e o universo do esporte é uma aposta ousada que, em sua maior parte, funciona muito bem.
No entanto, o terceiro ato apresenta alguns desvios que poderiam ter sido melhor desenvolvidos. A revelação final, embora chocante, se sente um pouco apressada, deixando algumas pontas soltas. A trilha sonora, embora funcione em determinados momentos, em outros soa um pouco genérica.
Temas e Mensagens: A sombra do sucesso
GOAT não se limita a assustar o público. O filme explora a obscuridade que se esconde por trás da busca incessante pelo sucesso, particularmente no mundo altamente competitivo do futebol americano. A pressão, a manipulação e a corrupção são temas que ressoam muito além da tela, criando uma reflexão perturbadora sobre os custos da ambição. A exploração do ritual satânico, no entanto, talvez tenha sido um pouco superficial, a meu ver, servindo mais como um elemento de sustentação do suspense do que como um estudo aprofundado do tema.
Conclusão: Vale a pena assistir?
Apesar de algumas pequenas falhas, GOAT é um filme de terror excepcionalmente bem-feito. A atmosfera tensa, as atuações convincentes e a exploração de temas relevantes o elevam acima da média. Recomendo fortemente a sua experiência, especialmente para aqueles que apreciam thrillers psicológicos com um toque sobrenatural e uma boa dose de suspense. A produção de Jordan Peele, Win Rosenfeld, Ian Cooper, e Jamal Watson já havia gerado expectativa, e, apesar de não alcançar o impacto de algumas outras obras do produtor, certamente entrega o que promete: medo, mistério e a sensação de que o sucesso pode ter um preço muito alto. A estreia em 2025 deve ser um sucesso, mas cuidado, se você não curte sustos, este não é o filme certo para assistir sozinho no escuro.




