Gostos e Cores

Mulher ruiva no centro com olhar fixo. Duas figuras e um moinho de vento em fundo urbano colorido e vibrante. Clima enérgico.

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Gostos e Cores (Les Goûts et les Couleurs), lançado em 2018 e dirigido por Myriam Aziza, emerge como uma comédia romântica que transcende as convenções do gênero ao mergulhar em temas de identidade cultural, sexualidade e aceitação familiar. O filme se destaca por sua abordagem leve, porém profunda, da jornada de Simone, uma jovem judia confrontada com o desafio de conciliar sua orientação sexual e seu amor por um chef senegalês com as expectativas de sua tradicional família.

A obra de Aziza não se limita a retratar um simples “sair do armário”; ela constrói uma tese sobre a resiliência do amor e da autenticidade frente às muralhas da tradição e do preconceito. Gostos e Cores argumenta que a verdadeira aceitação, tanto individual quanto familiar, reside na capacidade de desconstruir normas rígidas e abraçar a pluralidade, utilizando a comida – uma ponte cultural por excelência – como metáfora central para a fusão de mundos e o amolecimento de corações endurecidos por convenções.

Myriam Aziza, com Gostos e Cores, demonstra uma notável habilidade em equilibrar o humor perspicaz com a delicadeza dos conflitos emocionais. Sua direção opta por uma estética visual calorosa, com uma paleta de cores que frequentemente evoca a vivacidade da culinária e a riqueza cultural dos personagens, contrastando com o peso das expectativas familiares. Aziza habilmente orquestra a narrativa para que a comédia não minimize a seriedade dos dilemas de Simone, mas sim os torne mais acessíveis e humanos, permitindo que a audiência se conecte com a jornada de autoafirmação da protagonista sem cair em didatismo. A diretora utiliza planos que enfatizam a união e a separação dos personagens, como em cenas de jantar que, a princípio, separam Simone de sua família, mas gradualmente se tornam espaços de revelação e eventual união.

O roteiro, coescrito por Denyse Rodriguez-Tomé e Myriam Aziza, é um ponto alto, entregando diálogos afiados que expõem as tensões familiares e os mal-entendidos culturais com autenticidade e humor. A performance de Sarah Stern como Simone Benloulou é o cerne emocional do filme; sua interpretação transmite uma mistura de vulnerabilidade e determinação, particularmente evidente na cena em que tenta, com hesitação, apresentar Wali à sua família sem revelar a profundidade de seu relacionamento. A química entre Stern e Jean-Christophe Folly (Wali) é palpável, com Folly entregando uma performance carismática e aterrada que oferece um contraponto caloroso à ansiedade de Simone. A fotografia de Rémy Chevrin emprega uma iluminação suave e natural que ressalta a intimidade dos momentos a dois e a efervescência das reuniões familiares, enquanto o design de produção utiliza detalhes culturais – como a decoração da casa judia e os elementos do restaurante senegalês – para enriquecer a ambientação e aprofundar a colisão de mundos.

Direção Myriam Aziza
Roteiro Denyse Rodriguez-Tomé, Myriam Aziza
Elenco Principal Sarah Stern (Simone Benloulou), Jean-Christophe Folly (Wali), Julia Piaton (Claire), Richard Berry (Norbert Benloulou), Arié Elmaleh (David Benloulou)
Gêneros Comédia, Romance
Lançamento 24/06/2018
Produção Incognita

O filme explora predominantemente a identidade e aceitação, particularmente no contexto de Simone tentando abraçar sua sexualidade e seu relacionamento inter-racial em uma família judia tradicional. Uma cena marcante ocorre quando Simone finalmente tenta revelar a verdade sobre Wali à sua família durante um jantar. A tensão palpável, os olhares de desaprovação e os comentários passivo-agressivos de seu pai, Norbert (interpretado com nuance por Richard Berry), ilustram de forma vívida o choque entre o desejo de autenticidade de Simone e as expectativas culturais profundamente enraizadas. A interculturalidade é outro tema central, manifestado na relação entre Simone e Wali, e na forma como a culinária senegalesa de Wali se torna um símbolo de sua cultura e, eventualmente, um agente de união quando apresentada à família de Simone. O filme questiona a rigidez das tradições familiares e como elas podem, paradoxalmente, sufocar a individualidade, ao mesmo tempo em que oferece a possibilidade de evolução e redefinição desses laços através do amor e da compreensão.

Gostos e Cores insere-se no nicho de Comédias Românticas de Identidade Queer e Conflito Cultural. Sua abordagem de uma protagonista que se descobre em meio a expectativas familiares e culturais estritas evoca ressonâncias com obras que exploram dinâmicas semelhantes. Pode-se traçar paralelos com “Kissing Jessica Stein” (2001), onde uma mulher judia de Nova York explora sua bissexualidade e confronta as expectativas de casamento de sua família, focando na busca por aceitação pessoal e na complexidade das relações familiares. Outra comparação relevante é com “Com Quem Você Casa?” (Qu’est-ce qu’on a fait au Bon Dieu?, 2014), uma comédia francesa que satiriza os choques culturais e religiosos dentro de uma família conservadora cujas filhas escolhem parceiros de origens diversas. Ambas as obras compartilham o enfoque cultural/identitário, a exploração do humor resultante dos preconceitos e a eventual jornada rumo à compreensão e aceitação dentro do contexto familiar e social.

Gostos e Cores se estabelece como um filme perspicaz e caloroso, que habilmente navega pelas complexidades da identidade e da aceitação familiar. A obra de Myriam Aziza não apenas diverte, mas também provoca reflexão sobre a importância da autenticidade e do diálogo intercultural. É um título imperdível para aqueles que apreciam comédias românticas com substância, que celebram a diversidade e que acreditam no poder transformador do amor e da boa culinária, especialmente relevante para públicos que buscam narrativas queer e interculturais que fogem dos clichês, entregando uma mensagem de esperança e inclusão. Com isso, Gostos e Cores se posiciona como um testamento à riqueza que emerge da fusão de identidades e tradições, um convite à celebração da diversidade em todas as suas matizes.

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