Gute Zeiten, schlechte Zeiten: Um Clássico Alemão que Resiste ao Tempo (ou Não?)
Trinta e três anos. Trinta e três anos de intrigas, romances avassaladores, traições dignas de um folhetim e famílias que se desentendem com mais frequência do que se reúnem para o café da manhã. Estamos falando de Gute Zeiten, schlechte Zeiten (GZSZ), a novela alemã que, em 18 de setembro de 2025, continua a ocupar um lugar cativo no coração (e na grade de programação) de muitos telespectadores.
Neste artigo:
Um olhar sobre o cotidiano de Berlim
GZSZ, para quem não conhece, acompanha a vida dos moradores e frequentadores de um bairro fictício de Berlim. A trama se desenvolve em torno de um núcleo familiar e seus negócios, mas rapidamente se ramifica para um universo de personagens interconectados por laços de sangue, amor, ódio, e claro, muito dinheiro. É uma receita clássica, e aqui funciona com surpreendente eficiência, ainda que com certas ressalvas.
Direção, Roteiro e Atuações: Uma Mistura de Habilidade e Rotina
A direção, ao longo dessas três décadas, passou por diversas mãos, refletindo os diferentes estilos que a televisão alemã abraçou. Em alguns momentos, a série exibiu uma elegância quase cinematográfica, especialmente nas cenas mais dramáticas. Em outros, caiu na armadilha da repetição, com enquadramentos e transições um tanto previsíveis.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Elenco Principal | Wolfgang Bahro, Gisa Zach, Ulrike Frank, Felix von Jascheroff, Eva Mona Rodekirchen |
| Gênero | Drama, Soap |
| Ano de Lançamento | 1992 |
| Produtoras | UFA Serial Drama, Grundy UFA |
No roteiro, a fórmula se manteve relativamente estável: o drama familiar como fio condutor, entremeado com romances apaixonados, rivalidades empresariais, e os inevitáveis mistérios e crimes que garantem o suspense. A força do roteiro, no entanto, sempre residiu na capacidade de criar personagens memoráveis, ainda que alguns sejam caricaturas deliberadas. Há momentos brilhantes de construção de personagens, mas há também uma dependência em arquétipos que, depois de tantos anos, podem se tornar repetitivos.
E o elenco? Um ponto alto da série. Atores como Wolfgang Bahro (Jo Gerner), um verdadeiro ícone da televisão alemã, carregam a série nas costas com sua presença marcante e entrega convincente. A longevidade do elenco contribuiu para criar uma certa familiaridade que conecta os espectadores à narrativa. Contudo, a dependência em rostos conhecidos também pode limitar a exploração de novas dinâmicas e histórias.
Pontos Fortes e Fracos: Uma Equação Delicada
O maior trunfo de GZSZ é sua capacidade de criar um universo envolvente e persistente. A série construiu uma espécie de mitologia própria, com personagens que se tornam parte da cultura popular. A longevidade, apesar de seus problemas, é um testemunho dessa capacidade de engajamento com o público.
Porém, a fórmula, tão eficaz por anos, hoje mostra sinais de cansaço. A dependência em reviravoltas previsíveis e conflitos repetitivos, a falta de inovação em certos arcos narrativos, e uma certa estagnação temática são pontos que merecem atenção. A série precisa se reinventar constantemente para evitar se tornar uma repetição sem fim.
Temas e Mensagens: Um Espelho da Sociedade Alemã?
Ao longo dos anos, GZSZ refletiu, em menor ou maior medida, a evolução da sociedade alemã. Temas como preconceitos, questões LGBTQIA+, e mudanças no panorama familiar foram abordados, embora nem sempre com a profundidade que se esperaria de uma produção tão duradoura. A série funciona mais como um reflexo superficial do que uma análise profunda desses temas.
Conclusão: Vale a Pena Maratonar em 2025?
GZSZ é um produto da sua época. Uma novela que, em 1992, representou uma inovação no cenário televisivo alemão. Em 2025, contudo, a fórmula já mostra suas rachaduras. Recomendo a série para aqueles que apreciam o gênero, mas com uma ressalva: vá com baixas expectativas. Prepare-se para uma montanha-russa de emoções, mas sem grandes surpresas. Se você busca uma narrativa complexa e inovadora, talvez GZSZ não seja a melhor opção. Mas se está em busca de uma dose diária de drama familiar e personagens carismáticos, a maratona pode ser divertida, especialmente se você se apegar à nostalgia da década de 90. A pergunta é: você se importa com a repetição ou valoriza a familiaridade?




