Halloween O Final: Um Adieu Polêmico para o Bicho-Papão de Haddonfield
Quando Halloween O Final chegou aos cinemas brasileiros em 13 de outubro de 2022, a expectativa era palpável. Este longa-metragem prometia não apenas encerrar a mais recente trilogia de David Gordon Green, mas, como o próprio título sugere, dar um ponto final à saga inesgotável de Michael Myers e Laurie Strode. E, meus caros amantes do terror, que final… diferente. Como crítico e fã de longa data da franquia, fui à sessão com a mente aberta, pronto para qualquer coisa, e saí com uma série de sentimentos conflitantes que ainda hoje, em setembro de 2025, ressoam em minha mente.
A jornada de Green com Michael Myers e Laurie Strode sempre foi marcada por reviravoltas e uma tentativa de redefinir o que o terror clássico pode ser. Halloween O Final não é exceção, e talvez seja o filme mais audacioso – e, por que não dizer, controverso – de toda essa nova leva.
A Trama: Onde o Medo Permanece, e o Mal Encontra um Novo Rosto
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | David Gordon Green |
| Roteiristas | Chris Bernier, Paul Brad Logan, David Gordon Green, Danny McBride |
| Produtores | Jason Blum, Malek Akkad, Bill Block |
| Elenco Principal | Jamie Lee Curtis, Andi Matichak, James Jude Courtney, Rohan Campbell, Will Patton |
| Gênero | Terror, Thriller |
| Ano de Lançamento | 2022 |
| Produtoras | Universal Pictures, Blumhouse Productions, Miramax, Rough House Pictures, Trancas International Films |
Quatro anos se passaram desde os eventos caóticos e brutais de Halloween Kills. Haddonfield, ainda se recuperando das cicatrizes deixadas por Michael Myers, tenta seguir em frente. Laurie Strode (a incomparável Jamie Lee Curtis), vivendo com sua neta Allyson (Andi Matichak), finalmente parece ter encontrado um vislumbre de paz. Ela está escrevendo suas memórias, num esforço consciente para se libertar do trauma, do medo e da raiva que o espectro de Michael impôs à sua vida por décadas. Curiosamente, o Shape não é visto desde a última matança.
Contudo, essa aparente calmaria é brutalmente interrompida. Um jovem chamado Corey Cunningham (interpretado por Rohan Campbell), que trabalha como babá, é acusado de um terrível acidente que resultou na morte de um menino sob seus cuidados. Este incidente trágico se torna a centelha para uma nova cascata de violência e terror que se espalha pela cidade, forçando Laurie a encarar o mal de uma forma que ela jamais esperava – não mais apenas Michael Myers, mas algo que ele, talvez, tenha deixado para trás.
Análise de Direção, Roteiro e Atuações: Um Passo Arriscado
A direção de David Gordon Green, juntamente com o roteiro assinado por ele, Chris Bernier, Paul Brad Logan e Danny McBride, é o ponto central da discórdia em Halloween O Final. O filme se afasta consideravelmente do slasher puro e da perseguição incessante que definiram os capítulos anteriores desta trilogia e, claro, o original de 1978. A decisão de focar grande parte da narrativa em Corey Cunningham, na sua transformação e na sua complexa relação com o mal que permeia Haddonfield, é uma aposta altíssima. Em certo sentido, eu diria que isso “subestima e enfraquece” o que muitos esperavam como a conclusão épica entre Laurie e Michael. Para ser franco, a história se torna “confusa” em seus propósitos, e alguns diriam que o “roteiro pobre” não consegue amarrar todas as pontas de forma satisfatória.
Por outro lado, não há como negar a força das atuações. Jamie Lee Curtis, como Laurie Strode, entrega uma performance digna de aplausos. É a culminação de quarenta anos de uma personagem icônica, e a atriz abraça cada nuance da sobrevivente, da guerreira e, finalmente, da mulher que busca libertação. A resolução de sua história pessoal, com todo o trauma e a busca por um fim para seu tormento, é, para mim, um dos “momentos brilhantes” do filme. Rohan Campbell, no papel de Corey, também merece destaque. Ele encarna a figura do jovem marginalizado, que se torna um “monstro humano” através de bullying e circunstâncias nefastas, com uma intensidade que prende a atenção. A forma como seu personagem se entrelaça com o legado de Michael Myers, quase em uma “relação mentor-protegido”, é a espinha dorsal de um enredo que tenta, ainda que de forma desajeitada, expandir a própria natureza do mal.
Pontos Fortes e Fracos: A Audácia Versus a Expectativa
Entre os pontos fortes inegáveis de Halloween O Final estão a performance magnética de Jamie Lee Curtis e a forma como sua personagem Laurie Strode finalmente encontra um desfecho para sua saga de décadas. A jornada de superação do “trauma” e a busca por uma vida livre do “medo” são emocionantes. A tentativa do filme de explorar a ideia de que o “mal” pode ser um vírus, uma força contagiosa que se espalha e corrompe, é um conceito instigante. Há momentos de tensão eficazes, especialmente os que envolvem a “máscara” e as cenas mais viscerais.
No entanto, os pontos fracos são evidentes e, para muitos, diluem a experiência. O roteiro, como mencionei, é o calcanhar de Aquiles. A forma como Michael Myers é relegado a um segundo plano, quase como uma figura simbólica, e a prioridade dada ao desenvolvimento de Corey, faz com que o filme se afaste drasticamente do que se esperava de um “sequel” de Halloween. Para os puristas do slasher, a ausência de Michael como a principal força motriz do terror pode ser decepcionante. É um filme que, dentro da “totalidade da trilogia”, “enfraquece e mina” as expectativas criadas pelos títulos anteriores, sendo, como bem apontado por algumas críticas, um “filme estranho”.
Temas e Mensagens: A Corrupção do Mal
Halloween O Final mergulha profundamente em temas como “trauma”, “insanidade” e a natureza cíclica da “violência”. A luta de Laurie para superar o “mal” que a assombra, expressa em suas “memórias”, é um ato de libertação pessoal. A figura de Corey Cunningham levanta questões perturbadoras sobre o bullying, a marginalização social e como a sociedade pode, inadvertidamente, criar seus próprios “psicopatas”. O filme sugere que o mal de Haddonfield não está mais contido em um único “assassino em série” mascarado, mas se tornou uma entidade quase espiritual, pronta para habitar novos hospedeiros e perpetuar uma “onda de assassinatos” e “sadismo”. É uma reflexão sobre como o “mal humano” pode ser contagioso, e como até mesmo uma “morte acidental” pode desencadear uma série de eventos sinistros.
Conclusão: Um Final Inesperado
Halloween O Final é, sem dúvida, um longa-metragem audacioso. Não é o slasher direto e sem rodeios que muitos esperavam, e talvez nem seja o “final” que a trilogia merecia em sua totalidade, especialmente para aqueles que buscavam um embate definitivo e ininterrupto entre Michael e Laurie. Mas, como um filme stand-alone que ousa tentar algo diferente, que explora novos ângulos sobre a natureza do mal e que entrega um encerramento significativo para a jornada de Laurie Strode, ele tem seu valor.
Para os fãs que buscam uma despedida convencional de Michael Myers, o desapontamento é uma possibilidade real. Contudo, se você estiver disposto a encarar uma obra que questiona as próprias convenções da franquia, que arrisca e provoca, então Halloween O Final pode ser uma experiência intrigante, ainda que frustrante em alguns aspectos. É um filme que, como todo bom terror, vai te deixar pensando e debatendo por um bom tempo depois que os créditos subirem. Para mim, valeu a pena pela ousadia, mesmo que a execução não tenha sido perfeita. É uma conclusão que, sim, encerra uma era, mas levanta mais perguntas do que responde sobre o legado do mal em Haddonfield.