Hellboy (2019): Uma Pancada Brutal e Sangrenta que Merece uma Segunda Chance?
Seis anos se passaram desde que Neil Marshall nos presenteou com sua visão sombria e visceral de Hellboy, e hoje, em setembro de 2025, continuo refletindo sobre esse longa-metragem que dividiu opiniões tão fortemente. A promessa de um reboot mais violento e adulto do icônico demônio vermelho, após os filmes aclamados de Guillermo del Toro, era tentadora, mas o resultado final, infelizmente, foi mais complexo do que um simples sucesso ou fracasso.
A história acompanha Hellboy, um demônio criado por um professor após ser invocado por nazistas, enquanto ele luta contra forças sobrenaturais. Quando a poderosa Nimue, a Rainha Sangrenta, ameaça o mundo, Hellboy precisa confrontar seu passado e seu destino. É uma premissa sólida, e a sinopse não esconde a jornada épica que nos espera.
Neil Marshall, conhecido por seu trabalho em filmes de terror como “Dog Soldiers” e “The Descent”, imprime sua assinatura na direção. A violência é explícita, crua, sem rodeios. É um banho de sangue estilizado, sem dúvida, mas que às vezes ofusca o desenvolvimento dos personagens e a trama. A fotografia, por outro lado, é impecável, capturando a atmosfera sombria e sobrenatural com maestria, especialmente em algumas sequências ambientadas na campestre inglesa e nos cenários mexicanos. O roteiro de Andrew Cosby, apesar de apresentar alguns furos e um ritmo irregular, consegue construir uma narrativa frenética e cheia de ação, com momentos de humor negro que funcionam bastante bem.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Neil Marshall |
| Roteirista | Andrew Cosby |
| Produtores | Lawrence Gordon, Lloyd Levin, Mike Richardson, Philip Westgren, Carl Hampe, Matthew O'Toole, Les Weldon, Yariv Lerner |
| Elenco Principal | David Harbour, Milla Jovovich, Ian McShane, Sasha Lane, Daniel Dae Kim |
| Gênero | Fantasia, Terror, Ação, Aventura |
| Ano de Lançamento | 2019 |
| Produtoras | Campbell Grobman Films, Dark Horse Entertainment, Millennium Media, Boyana Film Studios, Lawrence Gordon Productions, Lloyd Levin Productions, Davis Films, Summit Entertainment |
David Harbour, como Hellboy, entrega uma performance física e emocionalmente intensa. Sua interpretação é mais bruta e menos sarcástica que a de Ron Perlman, o que reflete a visão mais adulta do filme. Milla Jovovich como Nimue também se destaca, interpretando a vilã com um carisma sinistro e uma força imponente. Ian McShane, como o Professor Bruttenholm, novamente rouba a cena com sua interpretação paternal e emotiva. A química entre Harbour e McShane é um dos pontos altos do filme, construindo uma relação pai-filho repleta de nuances. Outros membros do elenco, como Sasha Lane e Daniel Dae Kim, cumprem bem seus papéis, embora seus personagens pudessem ter sido mais explorados.
O filme se beneficia de sua estética visual e de uma abordagem mais madura, explorando temas como a natureza da identidade, o peso do destino e a busca por redenção. A inclusão de elementos da mitologia arturiana e de criaturas folclóricas, como a Baba Yaga, enriquecem o universo de Hellboy, apesar de algumas conexões com o universo ficcional da obra original não serem muito exploradas. A luta entre o homem e o sobrenatural é constante, em uma jornada que nos leva de Londres a cenários mexicanos, sempre com muita ação e violência.
No entanto, o excesso de violência e a trama frenética às vezes prejudicam o desenvolvimento dos personagens secundários e o aprofundamento da própria mitologia. A ausência de um arco mais completo para alguns personagens, como Alice Monaghan, me deixou com a sensação de que o potencial do roteiro não foi totalmente explorado. A sensação de que o filme precisaria de um tempo de execução maior para desenvolver o universo e a trama de forma mais completa é forte.
Em resumo, o Hellboy de 2019 é um filme que não tem medo de mergulhar na escuridão e na violência. É uma experiência visualmente impressionante e brutal, com performances sólidas, mas que peca por um roteiro que, em alguns momentos, parece apressado e deixa algumas pontas soltas. Apesar de suas falhas, se você busca um filme de ação e fantasia com classificação indicativa para maiores, que não se esquiva da violência gráfica e de um tom mais sombrio, Hellboy pode ser uma escolha interessante. Ele não chega a ser tão bom quanto os filmes de Del Toro, mas oferece uma versão radicalmente diferente e que, ainda que imperfeita, tem seu próprio mérito. Não é para todos, mas certamente merece uma segunda chance, especialmente para os fãs do gênero que buscam uma experiência mais adulta. Recomendo assisti-lo em uma plataforma de streaming, uma experiência cinematográfica melhor do que assistir em 2019 nas salas de cinema.

