Sangue, suor e uma redenção improvável: Uma resenha de “Blood Father”
Nove anos se passaram desde que assisti a “Blood Father”, e a memória do filme, ainda vívida, me impulsiona a escrever esta resenha. Lançado em 11 de agosto de 2016 no Brasil, o longa-metragem, com um título que, sim, soa terrivelmente genérico (como bem pontuou uma crítica que li na época), é uma grata surpresa, uma joia escondida entre tantos lançamentos frenéticos de Hollywood. O filme acompanha John Link, um ex-convicto, alcoólatra em recuperação e tatuador que vive em um trailer no deserto californiano. Sua vida tranquila e solitária é abalada pela chegada inesperada de Lydia, sua filha desaparecida, que precisa desesperadamente de sua proteção contra um cartel mexicano.
O que se segue é uma jornada tensa, repleta de perseguições e confrontos violentos, mas também repleta de um afeto bruto e comovente entre pai e filha. Mel Gibson, em uma performance excepcional que resgata algo de sua antiga glória (e que, em 2016, parecia um retorno triunfal após um período conturbado de sua carreira), carrega o filme nas costas com maestria. Sua interpretação de John Link é complexa e multifacetada, transmitindo tanto a fragilidade de um homem lutando contra seus demônios quanto a força brutal necessária para proteger sua filha.
Jean-François Richet, na direção, opta por uma estética crua e realista, que se encaixa perfeitamente ao ambiente árido e desolado do deserto. A fotografia, com seus tons de ocre e marrom, acentua a atmosfera de tensão constante e perigo iminente. O roteiro, assinado por Peter Craig e Andrea Berloff, equilibra habilmente a ação frenética com momentos de introspecção, permitindo que explore a relação complexa entre pai e filha, marcada por arrependimentos e uma busca tardia por redenção.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Jean-François Richet |
| Roteiristas | Peter Craig, Andrea Berloff |
| Produtores | Pascal Caucheteux, Chris Briggs, Jennifer Roth, Sébastien K. Lemercier |
| Elenco Principal | Mel Gibson, Erin Moriarty, William H. Macy, Michael Parks, Thomas Mann |
| Gênero | Ação, Thriller, Drama |
| Ano de Lançamento | 2016 |
| Produtoras | Wild Bunch, Why Not Productions, Lionsgate |
A química entre Gibson e Erin Moriarty, que interpreta Lydia, é palpável. Moriarty, apesar de ser uma atriz mais jovem, consegue se impor ao lado de um peso-pesado como Gibson, construindo uma personagem crível e intensa. O elenco de apoio, incluindo William H. Macy e Michael Parks, também contribui para enriquecer o filme, adicionando camadas de profundidade e nuances à narrativa.
Mas “Blood Father” não é perfeito. A trama, apesar de eficiente, não inova muito em termos de narrativa de ação. Já vimos histórias semelhantes antes, com um pai protetor defendendo sua filha de perigos iminentes. A previsibilidade de certos acontecimentos pode ser um ponto negativo para aqueles que buscam roteiros surpreendentes.
Entretanto, para mim, os pontos positivos superam em muito os negativos. A força da atuação de Mel Gibson, a direção segura de Richet e a construção cuidadosa dos personagens elevam “Blood Father” acima da média dos filmes de ação genéricos. A jornada de redenção de John Link, sua luta contra seus próprios demônios e o amor incondicional por sua filha são temas poderosos e universalmente comoventes, que ressoam muito além do gênero de ação e thriller.
A recepção de “Blood Father” em 2016 foi, de forma geral, positiva, com muitos críticos elogiando a atuação de Gibson e a direção eficiente do filme. Hoje, em 2025, ele continua sendo uma excelente opção para quem busca um filme de ação com um toque de drama e uma narrativa humana e tocante, mesmo com suas pequenas falhas.
Recomendo “Blood Father” a todos os amantes de thrillers de ação, mas, especialmente, a aqueles que apreciam performances memoráveis e histórias que exploram temas de família, redenção e paternidade de forma visceral e autêntica. A experiência de assistir a este filme é, no mínimo, marcante. O título pode ser genérico, mas a experiência cinematográfica, definitivamente, não é.




