Confesso que cheguei a Homo Argentum com certa reserva. Comédia argentina, elenco estelar, diretores aclamados… A receita do sucesso, sim, mas também um terreno fértil para a previsibilidade. E, em parte, estava certo. Mas, surpresa, a previsibilidade de Homo Argentum é o seu charme, sua própria piada interna. Lançado em 2025, o longa-metragem dirigido por Mariano Cohn e Gastón Duprat (a dupla que nos presenteou com “O Homem das Caixas”) é, de certa forma, uma comédia existencial disfarçada de farsa.
A sinopse, sem spoilers, é simples: acompanhamos um protagonista interpretado pelo sempre brilhante Guillermo Francella em uma série de situações cômicas, envolvendo relacionamentos, frustrações e a eterna busca por um sentido na vida – ou a falta dele. Ao seu redor, um elenco excepcional: Clara Kovacic, Eva De Dominici e Miguel Granados dão vida a personagens excêntricos e memoráveis, cada um contribuindo para a construção de uma narrativa que, por mais absurda que seja, ressoa com uma verdade desconcertante. Graciela Stefani também se destaca com sua performance.
Neste artigo:
A Direção, o Roteiro e as Atuações: Uma Orquestra de Talentos
A direção de Cohn e Duprat é impecável. A câmera se move com precisão, destacando a comédia física sutil e o timing impecável dos atores. O roteiro, assinado pela própria dupla em parceria com Andrés Duprat, é inteligente e sofisticado, evitando o humor fácil em prol de um sarcasmo bem-humorado e observações agudas sobre a condição humana. O trabalho de construção de personagens é primoroso. Não há vilões nem heróis, apenas indivíduos falhos, às vezes irritantes, mas sempre compreensíveis em sua humanidade – ou falta dela, como é o caso do personagem de Granados, que me lembrou mais de um personagem de Chekhov tragicômico do que de um arquétipo cômico tradicional.
As atuações, como esperado, são excepcionais. Guillermo Francella, como sempre, carrega o peso do filme com naturalidade, transmitindo uma melancolia sutil por trás da máscara de humor. O restante do elenco está em perfeita sintonia, criando uma dinâmica grupal genuína e divertida.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretores | Mariano Cohn, Gastón Duprat |
| Roteiristas | Mariano Cohn, Gastón Duprat, Andrés Duprat |
| Produtores | Agustín Bossi, Pablo E. Bossi, Pol Bossi, Martín Iraola, Maximiliano Lasansky |
| Elenco Principal | Guillermo Francella, Clara Kovacic, Eva De Dominici, Miguel Granados, Graciela Stefani |
| Gênero | Comédia |
| Ano de Lançamento | 2025 |
| Produtoras | Televisión Abierta, Star Original Productions, Pampa Films |
Pontos Fortes e Fracos: A Perfeita Imperfeição
O maior ponto forte de Homo Argentum é sua capacidade de fazer rir enquanto nos força a refletir sobre nossas próprias vidas. É uma comédia que não tem medo de ser melancólica, até mesmo um pouco deprimente (“dreary”, como diria o material promocional), o que, paradoxalmente, contribui para seu humor. A química entre os atores é palpável, criando momentos genuinamente espontâneos e hilários.
No entanto, alguns podem achar o ritmo lento em alguns momentos. A trama não é exatamente frenética; a comédia se constrói em observações sutis e diálogos cuidadosamente elaborados, o que, para alguns espectadores impacientes, pode se tornar um ponto negativo. Mas eu discordo. Essa lentidão é fundamental para construir a atmosfera do filme, mergulhando o público na atmosfera existencial da trama.
Temas e Mensagens: Um Espelho para a Alma
Homo Argentum explora temas universais como a solidão, a busca por significado e a dificuldade de se conectar com os outros em um mundo cada vez mais alienante. O filme não oferece respostas fáceis, mas sim provoca reflexões sobre a natureza da existência, usando o humor como ferramenta para abordar temas profundos e complexos.
Conclusão: Uma Comédia para Pensar
Apesar de algumas possíveis ressalvas sobre o ritmo, Homo Argentum é um filme excepcional. Uma comédia inteligente, bem escrita e interpretada, que vai além das risadas fáceis para nos oferecer uma experiência cinematográfica rica e significativa. Recomendo fortemente para quem aprecia comédias com camadas, com aquele toque de amargura doce que só o cinema argentino sabe proporcionar. Se você curtiu “O Homem das Caixas”, prepare-se para mais uma pérola desta dupla fantástica. Acho que Homo Argentum já é um filme de culto antes mesmo que termine 2025.




