Insanidade

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Insanidade: Uma Comédia de Erros (e Sangue) no Campo

Richard Bates Jr. nos presenteia em 2019 com Insanidade, um longa-metragem que se equilibra precariamente entre o terror, o thriller e – acreditem – a comédia. Se funciona? Essa é a questão que me acompanha desde que assisti, seis anos atrás, e que tentarei desvendar aqui. A premissa é simples: Olive, uma mulher recém-demitida e emocionalmente esgotada, busca refúgio em uma casa de campo alugada. O que ela não sabe é que o anfitrião, o viúvo Harvey, guarda segredos perturbadores. O encontro dessas duas gerações – a millennial Olive e o baby boomer Harvey – gera um confronto explosivo, que promete – e em partes cumpre – mais do que um simples final de semana de descanso.

A direção de Bates Jr., que também assina o roteiro, é onde o filme patina. Há momentos de brilho, principalmente nas cenas que exploram o grotesco e o macabro com um toque de humor negro. A fotografia, por vezes, é bastante eficaz, criando uma atmosfera de suspense crescente e claustrofobia. Mas a narrativa, como alguns críticos já apontaram em 2019, se perde em um mar de ideias não muito bem desenvolvidas. A história tem a ambição de um longa, mas a execução lembra um curta-metragem esticado, com alguns personagens mal-explorados e subtramas soltas que parecem mais preenchimentos do que contribuições significativas. Lembrei-me, ao assistir, daquela crítica que dizia que o filme tinha “a história de um curta na aparência de um longa”. Concordo em parte: a ideia central é boa, mas a falta de profundidade atrapalha o desenvolvimento.

Robert Patrick, como Harvey, entrega uma atuação memorável. Ele realmente se destaca, mergulhando na personagem com uma entrega visceral que beira o hilário, o assustador e o patético em momentos distintos. Amanda Crew, como Olive, faz o possível para contrabalançar a performance exagerada de Patrick, e em certos momentos consegue, principalmente quando a narrativa concentra-se em sua vulnerabilidade. As atrizes coadjuvantes, Hayley Marie Norman e AnnaLynne McCord, não recebem muito espaço para brilhar, e seus papéis acabam sendo apenas figurativos, o que é uma pena, porque em alguns poucos instantes demonstram potencial para algo maior.

Atributo Detalhe
Diretor Richard Bates Jr.
Roteirista Richard Bates Jr.
Produtores Brion Hambel, Paul Jensen, Lawrence Mattis, Brad Mendelsohn, Matt Smith
Elenco Principal Amanda Crew, Robert Patrick, Hayley Marie Norman, AnnaLynne McCord, Kim Delaney
Gênero Terror, Thriller, Comédia
Ano de Lançamento 2019
Produtoras Best Medicine Productions, Circle of Confusion

O filme tenta explorar a dissonância entre gerações, apresentando o choque cultural e de valores entre a millennial Olive e o baby boomer Harvey. Porém, esse tema fica superficial, não sendo explorado com a profundidade que merecia. A comédia, apesar de sua proposta, não chega a ser brilhante, mas funciona em alguns momentos específicos, fruto principalmente da interpretação expressiva de Patrick.

A fragilidade de Insanidade reside na inconsistência. O filme oscila entre o terror psicológico, a comédia negra e o thriller, sem se decidir por um tom específico, o que resulta numa experiência fragmentada e, em alguns momentos, desconexa. Apesar do potencial da premissa, o roteiro falha em explorar adequadamente o desenvolvimento dos personagens, o que torna o desenrolar da trama previsível e pouco impactante.

Apesar das falhas, devo admitir que a experiência não foi totalmente desagradável. Há momentos de genuíno suspense, principalmente nas cenas mais violentas, e a atuação de Robert Patrick salva o filme do fracasso total. Para os entusiastas do terror trash, o filme talvez seja um achado, porém para aqueles que buscam uma narrativa mais coesa e desenvolvida, Insanidade pode ser uma experiência frustrante. A conclusão é simples: assista se você aprecia um filme B com potencial e falhas em igual medida. Em 2025, eu o classificaria como um entretenimento mediano, uma opção aceitável para uma noite despretensiosa e sem grandes expectativas. Mas não esperem uma obra-prima. Nem mesmo um filme culto. Apenas… Insanidade.