Sabe quando você esbarra num filme que, anos depois do seu lançamento, ainda te cutuca de uma forma estranha? Tipo, não é um daqueles clássicos incontestáveis, mas também não é um desastre completo. É algo que te faz pensar: “Puxa, que potencial desperdiçado… ou será que nem tanto?” Pra mim, Stillwater, de 2018, é exatamente esse tipo de experiência.
Chegando a 2025, a gente já viu de tudo no cinema de mistério e thriller. E, verdade seja dita, sou um viciado em histórias de “quem matou?”, especialmente aquelas que trocam os salões vitorianos por florestas densas e celulares sem sinal. Quando ouvi falar que Stillwater prometia um bom e velho whodunit com aquela vibe de isolamento que lembra A Bruxa de Blair – mas sem ser found footage – meu interesse apitou. Adoro um acampamento na floresta… em filme, claro. Na vida real, o máximo que chego perto da natureza é quando minha internet falha.
A premissa é aquela que a gente ama odiar: um grupo de amigos – Dawson, Leech, Fauna, Willie e Richie – se aventura em um acampamento. O clima tá leve, o fogo crepita, a cerveja desce. A gente já sabe, né? Essa paz é artificial e vai durar menos que sorvete em dia quente. E aí, quando a escuridão da floresta engole a luz do dia, o mistério começa a se armar, a paranoia se instala e a certeza de que há um assassino à solta se torna tão palpável quanto a umidade da mata. É o cenário perfeito pra prender o fôlego, sentir aquele arrepio na nuca enquanto o vento sussurra entre as árvores e cada galho quebra parece o prenúncio de algo terrível. A direção de Nino Aldi, que também assina o roteiro com Jay Ostrowski e Joseph Rein, consegue, em vários momentos, nos imergir nesse desespero gradual. A sensação de estar preso, sem saber em quem confiar, é um trunfo que Stillwater maneja com certa habilidade, usando a própria natureza como um personagem silencioso e ameaçador.
Mas aí, a gente topa com a parte que me faz franzir a testa e suspirar. Se o roteiro, em sua espinha dorsal, acerta em criar um playground para o mistério e a tensão, a execução tropeça em alguns pontos, principalmente no que diz respeito ao elenco. É complicado quando a gente tá ali, tentando se convencer de que a vida desses personagens está em jogo, e uma fala entregue de forma mecânica te puxa pra fora da imersão. Você se vê pensando: “Será que esse personagem tá realmente com medo? Ou será que o ator esqueceu a linha seguinte?”. Dawson (Tyler Ritter), Leech (Eric Michael Roy), Fauna (Carlena Britch), Willie (Paul Elia) e o próprio Richie (Nino Aldi) formam um grupo que, ora ou outra, parece desafinar. Alguns momentos de diálogo soam forçados, as reações nem sempre condizem com a gravidade da situação. E isso, pra um thriller de mistério onde a tensão depende muito da credibilidade das reações humanas, é um golpe baixo. Não é que o talento esteja ausente, mas a consistência, ah, a consistência se perde num mar de incertezas. É como se a floresta, tão bem montada para nos assustar, às vezes perdesse seu poder quando os personagens abrem a boca.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Nino Aldi |
| Roteiristas | Jay Ostrowski, Joseph Rein, Nino Aldi |
| Elenco Principal | Tyler Ritter, Eric Michael Roy, Carlena Britch, Paul Elia, Nino Aldi |
| Gênero | Mistério, Thriller |
| Ano de Lançamento | 2018 |
| Produtora | Flixseed Productions |
Apesar disso, não dá pra negar o esforço da Flixseed Productions em nos entregar uma história que, em sua essência, tem um charme retrô. Esse negócio de “quem é o assassino?” nunca envelhece de verdade, né? E Stillwater tenta, de verdade, brincar com as convenções, lançando suspeitas pra cá e pra lá, fazendo a gente questionar cada olhar, cada gesto dos campistas. Há momentos em que o roteiro consegue nos enganar, nos levar por um caminho e depois virar a mesa, e isso é gratificante num thriller. A direção de Nino Aldi, apesar dos percalços na atuação, consegue sustentar uma atmosfera de desconfiança e perigo iminente. Ele sabe como usar os sons da floresta, a penumbra da noite, para nos manter na ponta da cadeira, mesmo que alguns dos personagens pareçam estar lendo suas falas de um teleprompter invisível.
No fim das contas, Stillwater é um filme que me deixa com sentimentos ambíguos. É um lembrete agridoce de que uma boa ideia, uma premissa sólida, nem sempre garante um produto final impecável. Ele oferece um vislumbre do que poderia ter sido: um thriller de acampamento realmente arrepiante, que nos faria dormir com as luzes acesas. Em vez disso, entrega um mistério divertido e, por vezes, tenso, mas que esbarra em performances que não atingem a profundidade que a história pede. É o tipo de filme que você assiste, se diverte em alguns momentos, se irrita em outros, e depois de sete anos, ainda se pega pensando: “E se…?” É uma pena, porque a floresta de Stillwater tinha tudo para ser um pesadelo inesquecível. Mas talvez seja justamente essa imperfeição que o torna, de alguma forma, memorável. Afinal, a vida real também é cheia de “e se…”, não é mesmo?




