Instintos

Instintos: Um suspense que te prende, mas não te conquista totalmente

Confesso, cheguei a Instintos com altas expectativas. A sinopse, envolvendo uma gravidez de risco e invasores domésticos, prometia um thriller tenso e claustrofóbico, algo na linha de um “Atividade Paranormal” com um toque de drama familiar. Lançado em 2025, o filme dirigido por Sebastián Borensztein, com um elenco que reúne nomes como Kate del Castillo e Bruno Bichir, tinha tudo para ser um sucesso. E, em partes, foi. Mas, como todo bom crítico de cinema, preciso ser honesto: a promessa não foi totalmente cumprida.

A premissa é simples, porém eficaz: Maggie, nos últimos dias de sua gravidez, e seu marido Sean, são vítimas de invasores que decidem esperar até segunda-feira para executar seu plano, aparentemente focado em esvaziar as contas bancárias da família. A situação cria um suspense imediato, um relógio que marca o tempo, a cada segundo um risco crescente para a gestante e para o casal.

Borensztein demonstra competência na direção, criando uma atmosfera tensa e claustrofóbica, principalmente nos momentos de maior conflito. A fotografia contribui significativamente para essa atmosfera opressiva, explorando bem a escuridão e a limitação espacial da casa. Porém, é no roteiro que o filme patina. A construção dos personagens, particularmente dos invasores, é superficial. Não há aprofundamento psicológico que justifique suas ações ou seus métodos, o que acaba prejudicando a verossimilhança. A narrativa oscila entre momentos de suspense palpável e outros que se perdem em diálogos arrastados e previsíveis.

Atributo Detalhe
Diretor Sebastián Borensztein
Produtores Francesco E. Cordero, Frank Ariza, Ben Odell, Leonardo Zimbrón
Elenco Principal Bruno Bichir, Iván Marcos, Kate del Castillo, Daniela Schmidt, Emma Suárez
Gênero Thriller
Ano de Lançamento 2025

O elenco, apesar do peso de nomes conhecidos, não consegue salvar a situação completamente. Kate del Castillo, como sempre, entrega uma performance convincente, transmitindo a fragilidade e a força de Maggie com maestria. Bruno Bichir também se destaca, mas o roteiro pouco lhe oferece além de reações estereotipadas. Os outros atores cumprem o papel, mas não há performances memoráveis.

O ponto forte de Instintos reside justamente na sua capacidade de te prender à tela. A angústia da situação, a incerteza sobre as intenções dos invasores e o perigo iminente para a família mantêm o espectador em alerta. O filme funciona muito bem como um exercício de suspense, explorando a vulnerabilidade dos personagens e a fragilidade da vida em uma situação extrema.

Por outro lado, a falta de profundidade na construção dos antagonistas e a previsibilidade de alguns desdobramentos da trama são seus maiores pontos fracos. O roteiro, infelizmente, se limita a criar uma situação de suspense sem explorá-la adequadamente, desperdiçando o potencial de uma história que poderia ser muito mais rica e complexa. Os temas explorados, como a vulnerabilidade da família e a luta pela sobrevivência, são superficiais e pouco explorados. A mensagem, se houver alguma além do óbvio, se perde no meio da narrativa.

Em resumo, Instintos é um filme mediano. Ele funciona como um entretenimento palatável para uma noite de sessão de filmes, mas dificilmente será lembrado como uma obra-prima do gênero thriller. Recomendo-o apenas para aqueles que apreciam filmes de suspense com ritmo acelerado, sem se importar muito com nuances psicológicas e profundidade narrativa. Não espere uma obra-prima, mas, se você não tiver grandes expectativas, pode ser uma experiência razoavelmente agradável. A minha nota? 6/10.

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