Península: Uma Sequência que Devora o Terrível e Cuspe o Espectacular
Cinco anos se passaram desde que o apocalipse zumbi de Trem para Busan nos deixou de queixo caído. Em 2020, Península, a aguardada sequência, chegou aos cinemas brasileiros em 27 de agosto. E, apesar do peso da expectativa, e acreditem, senti o peso dessa expectativa na minha pele, a película dirigida por Yeon Sang-ho não é apenas uma repetição do sucesso anterior, mas uma ousada – e às vezes problemática – expansão do universo. A trama nos leva de volta à península coreana, um cenário de puro caos, quatro anos após o surto inicial. Um ex-soldado, Jung-seok (Kang Dong-won, impecável), retorna à zona de guerra em busca de uma última missão, encontrando no caminho um grupo de sobreviventes e uma luta pela sobrevivência ainda mais brutal.
A direção de Yeon Sang-ho é, sem sombra de dúvidas, o ponto alto do longa. Ele equilibra a claustrofobia visceral do original com uma escala maior, um espetáculo de ação frenética e coreografias de zumbis de tirar o fôlego. As cenas de perseguição são eletrizantes, a câmera se move com uma agilidade impressionante, capturando a insanidade da situação com maestria. Entretanto, aqui se encontra uma das pontas soltas: a direção se torna, em momentos, tão focada na espetacularização da ação que compromete o desenvolvimento de personagens secundários.
O roteiro, escrito por Yeon Sang-ho e Ryu Yong-jae, tenta costurar uma narrativa complexa, explorando temas de culpa, sobrevivência e a fragilidade da humanidade em face do apocalipse. Apesar disso, a construção de alguns personagens se perde no meio da explosão de efeitos especiais. A trama, por vezes, se torna confusa, com subplots que poderiam ter sido melhor desenvolvidas ou, honestamente, descartadas para dar mais fôlego às relações centrais.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | 연상호 |
| Roteiristas | 연상호, Ryu Yong-jae |
| Produtor | Kim Yeon-ho |
| Elenco Principal | 강동원, 이정현, 이레, 권해효, 김민재 |
| Gênero | Terror, Ação, Thriller, Aventura |
| Ano de Lançamento | 2020 |
| Produtoras | Next Entertainment World, RedPeter Films, Contents Panda, Union Investment Partners, Michigan Venture Capital |
Kang Dong-won, como Jung-seok, carrega nas costas o peso da história com a força de um tanque. Sua atuação é intensa, cheia de nuances, capaz de transmitir a dor e a resiliência do personagem com impressionante sutileza. Lee Jung-hyun, como Min-jung, a matriarca de uma família de sobreviventes, também entrega uma atuação marcante, roubando a cena em diversos momentos. A química entre os atores é palpável, salvando o filme de se tornar um mero festival de zumbis.
A grande virtude de Península reside na sua capacidade de transmutar o terror em puro entretenimento visceral. É um filme que entende a natureza viciante da ação, que brinca com as expectativas do público e entrega cenas memoráveis, cheias de adrenalina pura. Porém, o seu maior defeito é a sua ambição desmedida: a tentativa de expandir o universo de Trem para Busan em uma narrativa mais ampla resulta em uma experiência mais diluída do que o original.
O filme também tenta dialogar com temas de sociedade pós-apocalíptica, explorando a decadência moral e a luta pela sobrevivência em um mundo devastado. No entanto, esses temas, embora presentes, não são explorados com a profundidade necessária para alcançar o impacto emocional desejado.
Em suma, Península é um filme fascinante e repleto de ação. É uma montanha-russa frenética que, apesar de alguns desvios no roteiro e a falta de coesão em alguns momentos, consegue manter a energia e o suspense do início ao fim. Se você busca puro entretenimento com zumbis velozes, cenas de ação bem coreografadas e uma pitada de drama pós-apocalíptico, Península é uma escolha válida. Mas, se espera uma narrativa tão profunda e emocionalmente impactante quanto Trem para Busan, talvez se sinta levemente frustrado. A minha recomendação? Assista, mas não espere que ele supere o original. É um bom filme, mas diferente. E essa diferença, apesar de trazer pontos positivos, também apresenta fragilidades que precisam ser consideradas. Afinal, nem toda sequência consegue ser tão boa quanto a obra que a originou.




