John McAfee: Gênio, Polêmico e Fugitivo

Homem barbudo sentado em trono de computadores, com dinheiro, cães e coquetel. Cenário tropical caótico.
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Tem gente que nasce pra bagunçar o coreto, né? John McAfee foi um desses. E, olha, quando a gente pensa que já viu de tudo sobre o sujeito, surge um documentário como John McAfee: Gênio, Polêmico e Fugitivo para nos puxar o tapete e mostrar que, talvez, a história que conhecíamos era só a ponta do iceberg. Por que eu me sinto compelido a falar sobre isso hoje, em 2025, três anos depois de seu lançamento original? Porque a figura dele, anos-luz à frente da sua época e ainda tão enigmática, ainda me atormenta e fascina. É a história de um homem que desafiou o sistema e a si mesmo, e a verdade é que isso sempre nos pega, né?

Minha motivação, para ser bem franco, vem de uma curiosidade quase visceral por mentes que operam fora da curva. John McAfee não era apenas um gênio da tecnologia, ele era um fenômeno, um espelho distorcido da nossa era digital. E este filme, dirigido por Charlie Russell e produzido pela Curious Films, prometia mergulhar justamente na fase mais selvagem e menos compreendida de sua vida: os anos como foragido da justiça. Você sabe, aquela época em que ele virou uma espécie de lenda urbana ambulante, pulando de um esconderijo para outro na América Central. A sinopse já me fisgou: “imagens e entrevistas reveladoras”, “novas perspectivas”. Como resistir?

O que o documentário entrega, e é aí que ele brilha, não é uma simplória narrativa de “mocinho contra bandido”. Longe disso. Ele te arrasta para dentro do labirinto que foi a vida de McAfee, especialmente naqueles anos de fuga. Você não só vê o homem, você sente o calor abafado da selva, a paranoia pulsando em cada entrevista e em cada frame de filmagem de arquivo que traz o próprio McAfee. As mãos dele, às vezes, parecem tremer não de nervosismo, mas de uma energia contida, de uma mente que não desligava jamais. E é nesse “mostrar, não contar” que o filme se eleva. Não é apenas dito que ele era excêntrico; a câmera se detém em closes, nas suas pausas, na forma como ele manipulava a conversa, e você vê a excentricidade dançar nos seus olhos.

Charlie Russell não escolhe um lado óbvio. Pelo contrário, ele parece abraçar a ambiguidade. Há momentos em que você sente uma empatia genuína por McAfee, o visionário incompreendido, o alvo de perseguições. Mas, em seguida, as entrevistas com pessoas próximas – alguns leais, outros claramente ressentidos ou desiludidos – pintam um quadro muito mais sombrio, revelando as rachaduras da fachada, as promessas não cumpridas, as narrativas talvez “enganosas” que ele tecia para si e para o mundo. É como se o filme estivesse nos convidando a sentar na beira de um penhasco, olhando para o abismo da verdade, sem nos dar um mapa de volta. Qual é a realidade aqui? O filme não te dá a resposta, mas te arma com as perguntas certas. E isso, pra mim, é jornalismo investigativo de alta qualidade, disfarçado de puro entretenimento de crime.

Atributo Detalhe
Diretor Charlie Russell
Elenco Principal John McAfee
Gênero Documentário, Crime
Ano de Lançamento 2022
Produtora Curious Films

É fascinante como o documentário usa o próprio McAfee – através de filmagens de arquivo – como uma espécie de narrador fantasma. Ele se auto-retrata, ele se defende, ele confessa (ou não). E essa camada adicionada de sua própria voz, muitas vezes editada e intercalada com a visão de outros, cria uma tapeçaria complexa de percepções. É um jogo de espelhos onde a imagem final nunca é totalmente nítida, o que é um reflexo perfeito da própria vida de McAfee. Você termina a sessão com um nó na garganta, pensando sobre a natureza da liberdade, da justiça e, principalmente, da identidade em um mundo onde a informação é poder e a desinformação é uma arma letal. Quem era John McAfee, afinal? Um gênio incompreendido ou um charlatão brilhante? Ou talvez, e essa é a conclusão mais assustadora, ele era as duas coisas ao mesmo tempo.

A essa altura, três anos após seu lançamento original em agosto de 2022, e com o documentário ainda sem uma data de estreia no Brasil, eu me pergunto: será que um dia teremos a chance de ver essa obra que disseca uma das figuras mais polarizadoras da nossa era em nossas telas? É uma pena que histórias tão ricas e cheias de nuances, que nos forçam a questionar o que sabemos sobre a linha tênue entre genialidade e loucura, ainda não tenham um caminho claro até nós. Mas, até lá, a lenda de John McAfee – e a nova perspectiva que este filme promete – continua a ecoar, lembrando-nos que algumas verdades são tão complexas que desafiam até mesmo a mais perspicaz das investigações.