John Wick 4: Baba Yaga

John Wick 4: Baba Yaga – Uma Ode à Violência Estilizada (ou Uma Exibição de Força?)

Passados dois anos desde sua estreia em março de 2023, ainda me pego pensando em John Wick 4: Baba Yaga. Não sei se é a coreografia de luta impecável, a estética visualmente deslumbrante, ou a simples e brutal eficiência da narrativa, mas este longa-metragem deixou uma marca indelével em mim. E, devo admitir, uma certa ressaca de adrenalina. A sinopse, afinal, não mente: com um preço por sua cabeça astronômico, John Wick continua sua sangrenta jornada contra a Alta Mesa, enfrentando os mais poderosos e implacáveis inimigos pelo globo.

Uma Dança Mortal Global

O diretor Chad Stahelski, mais uma vez, eleva a barra em termos de ação cinematográfica. A câmera dança com os personagens, acompanhando cada golpe, cada queda, cada tiro com uma precisão e elegância quase baléticas. A sequência de luta no arco de Paris é simplesmente de tirar o fôlego, um fluxo contínuo de violência que demonstra um conhecimento profundo das artes marciais e um talento ímpar para a coreografia de luta. Mas a ação não se limita a lutas corpo a corpo; as perseguições de carros e as baladas de armas de fogo em diferentes cenários, de Nova York a Osaka, são igualmente impressionantes, criando uma experiência cinematográfica verdadeiramente visceral.

O roteiro de Shay Hatten e Michael Finch, embora às vezes leve a trama para um nível quase caricatural de violência, funciona perfeitamente dentro do universo estabelecido. Os diálogos são concisos e eficazes, servindo principalmente para impulsionar a ação. Não esperem profundidade Shakespeariana aqui; a narrativa é impulsionada por vingança, lealdade e consequências – e é justamente essa simplicidade brutal que funciona tão bem.

Atributo Detalhe
Diretor Chad Stahelski
Roteiristas Shay Hatten, Michael Finch
Produtores Chad Stahelski, Erica Lee, Basil Iwanyk
Elenco Principal Keanu Reeves, Donnie Yen, Bill Skarsgård, Ian McShane, Laurence Fishburne
Gênero Ação, Thriller, Crime
Ano de Lançamento 2023
Produtoras Thunder Road, 87Eleven, Studio Babelsberg, Lionsgate

O Encontro de Gigantes e Seus Reflexos

As atuações são, sem dúvida, um dos pontos altos do filme. Keanu Reeves entrega mais uma vez uma performance contida, mas poderosa, como John Wick. Sua capacidade de expressar volumes com um olhar ou um simples movimento é um testemunho de seu talento. Donnie Yen, como Caine, aporta uma aura de mistério e habilidade que complementa perfeitamente a aura taciturna de John. A química entre ambos é palpável e eletrizante, suas lutas um espetáculo cativante. Bill Skarsgård, como Marquis, embora em menor tempo em tela, transmite com maestria a frieza e a arrogância do vilão. Ian McShane e Laurence Fishburne estão brilhantes em seus papeis habituais.

Pontos Fortes e Fracos – Uma Balança Delicada

A força de John Wick 4 reside em sua estética impecável, coreografia de luta espetacular e a construção sólida e coerente da mitologia do universo criado. O filme funciona como um relógio, um thriller de ação eficiente e brutal que sabe o que quer e o faz de forma excepcional. No entanto, há também a sua própria ostentação. A violência, embora estilizada, em certos momentos pode se tornar excessiva, chegando a um nível que, para alguns, pode parecer pretensioso. Embora eu aprecie a estética, a violência pura em si se torna um fim em si mesma, em alguns momentos eclipsando o próprio desenvolvimento dos personagens.

Temas e Mensagens – Alguém Mais Além Da Vingança?

A mensagem é clara, mesmo que implícita: a violência tem consequências. As ações de John Wick, embora muitas vezes justificáveis dentro de sua própria moral, têm um custo alto, e este custo não para de subir a cada novo capítulo. O filme também aborda a lealdade, a traição e a natureza volátil do poder, mostrando como mesmo os mais poderosos podem ser derrotados. Não esperem grandes reflexões filosóficas; o foco está na ação. Mas a história, mesmo sem ser inovadora, funciona bem dentro de seu contexto.

Conclusão – Um Clássico Moderno de Ação?

John Wick 4: Baba Yaga é uma montanha-russa de ação cinematográfica, um banquete para os olhos e os ouvidos. Dois anos depois, eu o recomendaria a qualquer um que aprecie filmes de ação estilizados, com coreografias de luta impecáveis e uma narrativa direta. Se você busca profundidade narrativa e complexidade psicológica, talvez esta não seja a melhor opção. Mas se quer um filme que te deixe na ponta da cadeira, exaltado e com os sentidos aguçados, então corra para as plataformas digitais e assista. A experiência, sem sombra de dúvida, vale a pena.

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