John Wick – De Volta ao Jogo

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John Wick: Uma Balada Sangrenta de Vingança que Ecoa Onze Anos Depois

Onze anos se passaram desde que John Wick, em 2014, explodiu nas telas, e a lembrança daquela explosão de violência balística e coreografias de luta impecáveis ainda me assombra de forma deliciosa. Este longa-metragem, dirigido por Chad Stahelski, com roteiro de Derek Kolstad, não se propôs a reinventar a roda – a premissa é simples, quase minimalista: um lendário assassino de aluguel, agora viúvo, tem sua paz perturbada, e a consequência é um banho de sangue elegante e brutal.

A sinopse, sem spoilers, se resume a isso: John Wick, interpretado por um Keanu Reeves em estado de graça, vive uma vida tranquila, até que um ato de violência o força a retornar ao submundo que jurou deixar para trás. A morte do seu cachorro, um presente de sua falecida esposa, é o estopim para uma onda de vingança brutal e meticulosamente planejada contra a máfia russa, representada pelos irmãos Viggo (Michael Nyqvist, em atuação memorável) e Iosef Tarasov (Alfie Allen).

Stahelski, com sua experiência em dublês, entrega uma direção visceral e elegante. As sequências de ação não são apenas violentas; são coreografadas com uma precisão quase balética, elevando-as a uma forma de arte. Cada tiro, cada golpe, cada movimento tem propósito e peso, transformando os tiroteios em sinfonias de violência estilizada. O roteiro, por sua vez, apesar da simplicidade, é inteligentemente estruturado, construindo a tensão gradualmente e mantendo o espectador preso à trajetória de vingança de John Wick.

Atributo Detalhe
Diretor Chad Stahelski
Roteirista Derek Kolstad
Produtores Basil Iwanyk, Mike Witherill, David Leitch, Eva Longoria
Elenco Principal Keanu Reeves, Michael Nyqvist, Alfie Allen, Willem Dafoe, Dean Winters
Gênero Ação, Thriller
Ano de Lançamento 2014
Produtoras 87Eleven, DefyNite Films, MJW Films, Thunder Road

As atuações são outro ponto alto. Keanu Reeves, longe da imagem caricatural que o acompanhou em alguns momentos da carreira, se entrega totalmente ao papel. Ele encarna a dor, a raiva e a implacável determinação de John Wick com uma intensidade impressionante. O suporte do elenco, com nomes como Willem Dafoe e Michael Nyqvist, contribui para elevar o filme a um nível acima do comum.

No entanto, não seria justo ignorar alguns pontos fracos. Algumas críticas, que eu li em 2014, apontavam para a simplicidade da trama, um argumento com o qual eu discordo parcialmente. A força do filme não reside na complexidade narrativa, mas na execução impecável da ação e na construção de um protagonista icônico. Porém, a ausência de uma profundidade psicológica mais elaborada pode desapontar alguns espectadores em busca de uma narrativa mais complexa.

O que John Wick nos entrega, acima de tudo, é uma experiência catártica. É uma ode à violência estilizada, sim, mas também uma exploração da dor e da perda, que impulsionam a jornada do protagonista. A mensagem, embora implícita, é clara: a lealdade, mesmo para um assassino implacável como Wick, é sagrada, e a traição tem um preço alto a pagar. O universo criado por Kolstad é rico em detalhes, ainda que a premissa inicial seja simples. A relação de John com seu cachorro, que funciona como um símbolo da sua frágil humanidade e um estopim para a vingança, é tocante.

Em suma, John Wick – De Volta ao Jogo, lançado no Brasil em 27 de novembro de 2014, é um filme que transcende o gênero de ação, tornando-se uma obra-prima de estilo e violência controlada. Apesar de algumas críticas à simplicidade da trama, a impecável execução, as atuações memoráveis e a estética singular o tornam uma experiência memorável. Ainda hoje, em 2025, recomendo fortemente para aqueles que apreciam filmes de ação inteligentes, cheios de estilo, com uma pitada de melancolia e uma quantidade generosa de balas. Um clássico instantâneo que merece o seu lugar no cânone do cinema de ação contemporâneo. Para mim, é um filme que vai continuar ecoando nos próximos anos.