Lar dos Esquecidos

Lar dos Esquecidos: Uma Fome Insaciável em Busca de Sangue Fresco

Dois anos se passaram desde que Lar dos Esquecidos aterrissou nas plataformas digitais, e a lembrança de sua sinistra atmosfera ainda me assombra. O filme, dirigido e escrito por Andy Fetscher, apresenta uma premissa simples – uma reunião familiar que se transforma em um pesadelo sangrento – mas o resultado é surpreendentemente eficaz em criar uma tensão palpável e um clima de horror visceral.

A sinopse, sem spoilers, revela pouco: Ella retorna à sua cidade natal com seus filhos para o casamento da irmã. O que começa como uma celebração familiar rapidamente descamba para o caos com o aparecimento de idosos famintos por sangue. É essa promessa de terror que sustenta a narrativa, e, felizmente, o filme cumpre, ainda que com alguns desvios.

Fetscher, tanto como diretor quanto como roteirista, demonstra um talento nato para a construção de suspense. A fotografia, sombria e opressiva, realça a atmosfera claustrofóbica da pequena cidade, transformando os cenários em personagens tão ameaçadores quanto os próprios antagonistas. A trilha sonora, pontuando os momentos de suspense com uma maestria sutil, contribui para a crescente sensação de pavor. As atuações, principalmente de Melika Foroutan como Ella, transmitem um realismo cru que prende o espectador. Apesar de algumas atuações mais contidas, principalmente dos atores mirins, o elenco como um todo se encaixa na atmosfera tensa criada por Fetscher.

Atributo Detalhe
Diretor Andy Fetscher
Roteirista Andy Fetscher
Produtores Florian Schneider, Benjamin Munz
Elenco Principal Melika Foroutan, Stephan Luca, Bianca Nawrath, Otto Emil Koch, Louie Betton
Gênero Terror
Ano de Lançamento 2022

No entanto, nem tudo são flores no Lar dos Esquecidos. O roteiro, enquanto eficaz na construção da tensão, peca em alguns aspectos da lógica narrativa. Algumas escolhas dos personagens parecem precipitadas, a serviço do desenvolvimento da trama, em detrimento de um realismo mais aprofundado. Há momentos em que a explicação para o comportamento dos idosos fica um pouco vaga, deixando algumas pontas soltas que poderiam ter sido melhor exploradas.

Apesar dessas falhas, o filme triunfa na construção de um terror visceral e eficaz. A exploração do medo primal, a vulnerabilidade das relações familiares frente ao perigo iminente e a brutalidade implacável dos antagonistas são elementos que se destacam. A mensagem subjacente, ainda que não explicitamente declarada, é a fragilidade da segurança em um mundo que pode se transformar em um pesadelo a qualquer momento.

Em suma, Lar dos Esquecidos é uma experiência cinematográfica que não se esquece facilmente. Embora apresente algumas imperfeições em seu roteiro, a força de sua direção, a atmosfera tensa e as atuações convincentes compensam as falhas, entregando um filme de terror eficiente e satisfatório para os amantes do gênero. Recomendo fortemente para aqueles que apreciam um bom suspense com uma pitada de gore, e com a ressalva de que a busca por uma explicação lógica para tudo pode trazer alguma frustração. É um filme que você assiste, e depois pensa nele por alguns dias, e talvez sinta aquela coceira incômoda de querer entender mais, mas ao mesmo tempo, aterrorizado, você percebe que talvez seja melhor deixar alguns mistérios na escuridão.

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