Liga da Justiça de Zack Snyder: Uma Carta de Amor (ou Desespero?) aos Heróis da DC
Quatro anos. Quatro longos anos se passaram desde que a “versão de Zack Snyder” da Liga da Justiça deixou de ser um rumor e se tornou realidade nas plataformas digitais. Em 2021, tivemos acesso a uma visão do universo DC que, a julgar pela fervorosa campanha dos fãs – o tão famoso ReleaseTheSnyderCut – prometia ser algo radicalmente diferente do que o público havia presenciado nos cinemas. De 17 de setembro de 2025, olhando para trás, consigo dizer com clareza: a promessa foi cumprida, mas a experiência é… complexa.
A sinopse oficial é concisa: determinado a honrar a memória do Superman, Bruce Wayne une forças com a Mulher-Maravilha para formar uma liga de metahumanos, visando enfrentar uma ameaça cósmica de proporções inimagináveis. Mas a verdade é que a trama, com seus múltiplos núcleos narrativos e seus personagens em desenvolvimento, transcende qualquer resumo. É uma epopéia, uma saga épica, às vezes cansativa, mas que raramente deixa de ser interessante.
A direção de Zack Snyder, tão característica em seus filmes, está presente em cada frame. A estética visual é marcante, opulenta até. A câmera lenta, a paleta de cores saturadas, e a construção de cenas grandiosas, que já eram marcas registradas do diretor, aqui se encontram num nível quase maximalista. Para alguns, será um deleite visual; para outros, uma demonstração de excesso que ofusca a narrativa. O roteiro de Chris Terrio, por sua vez, busca equilibrar a mitologia complexa dos personagens DC com uma história de escala colossal. Em alguns momentos, esse equilíbrio é atingido com maestria, resultando em momentos verdadeiramente memoráveis; em outros, a trama se perde em subplots pouco relevantes, alongando o filme além do necessário.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Zack Snyder |
| Roteirista | Chris Terrio |
| Produtores | Deborah Snyder, Charles Roven |
| Elenco Principal | Ben Affleck, Henry Cavill, Gal Gadot, Ray Fisher, Jason Momoa |
| Gênero | Ação, Aventura, Fantasia |
| Ano de Lançamento | 2021 |
| Produtoras | Warner Bros. Pictures, The Stone Quarry, Atlas Entertainment, Access Entertainment, Dune Entertainment, DC Films |
O elenco, sem sombra de dúvidas, é um dos pontos altos. Ben Affleck, Henry Cavill, Gal Gadot, Ray Fisher e Jason Momoa se entregam totalmente aos seus papéis, construindo versões dos heróis que, mesmo que distantes das suas representações em outras mídias, possuem uma profundidade emocional palpável. A performance de Ray Fisher como Ciborgue, em especial, ecoa até hoje, carregando uma carga dramática que sobreviveu à controvérsia que cercou sua participação posterior nos filmes da DC.
A Liga da Justiça de Zack Snyder se sobressai em seus momentos grandiosos. As batalhas são épicas, coreografadas com precisão e espetacularidade; as sequências de ação, muitas vezes lentas e detalhadas, permitem apreciar os efeitos visuais impecáveis. Mas, ao mesmo tempo, o filme peca por um ritmo excessivamente lento em alguns momentos, e a complexidade da trama pode tornar-se confusa para quem não está familiarizado com a mitologia dos personagens. O próprio peso emocional do filme, embora muitas vezes bem executado, também pode ser excessivo para alguns espectadores.
O filme aborda temas de sacrifício, esperança, e a responsabilidade que acompanha o poder. A ressurreição do Superman, por exemplo, não é apenas um evento narrativo; é uma metáfora potente sobre superação e a busca pela redenção, tanto para o herói quanto para aqueles que foram impactados por suas ações. A ameaça de Steppenwolf e sua invasão planetária servem como um catalisador para a união dos heróis, mas também para a exploração das suas fragilidades e traumas pessoais.
Em última análise, a Liga da Justiça de Zack Snyder é uma obra divisiva. Sua estética marcante, seu ritmo lento, e sua trama complexa certamente não agradarão a todos. Mas, para aqueles que apreciam uma abordagem épica e visualmente deslumbrante, com personagens ricamente desenvolvidos e uma carga emocional intensa, este filme é uma experiência obrigatória. É uma visão singular e grandiosa do universo DC, repleta de ambição e, apesar de suas falhas, um testemunho fascinante da paixão e da luta de seus realizadores para entregar a visão original. Recomendo fortemente o filme, mas com a ressalva de que prepare o seu tempo e a sua paciência para uma jornada longa e, ao mesmo tempo, memorável.




