LIVE with Kelly and Mark: Um Legado Que Resiste ao Tempo?
LIVE with Kelly and Mark. O nome, em si, evoca uma era da televisão diurna que, para muitos, parece pertencer a um passado longínquo e nostálgico. Lançada em 1988, a série, com suas várias iterações e apresentadores, transcendeu gerações, mas será que o formato – um talk show matinal – consegue se manter relevante em 2025? A resposta, como veremos, é mais complexa do que um simples sim ou não.
A premissa é simples: um programa de entrevistas matinal com convidados, segmentos musicais e discussões leves sobre a cultura pop. Ao longo de seus anos no ar, LIVE com Kelly e seus vários co-apresentadores (a versão com Mark é apenas uma das fases dessa longa jornada) construiu uma identidade própria, definida por uma mistura de charme familiar e uma abordagem acessível aos assuntos do dia a dia. A sinergia entre os apresentadores – esse é o verdadeiro motor da série. A capacidade de criar um diálogo natural, divertido e, algumas vezes, até mesmo comovente, é fundamental para o sucesso do programa.
O que me chama atenção em LIVE with Kelly and Mark, analisando sua trajetória até 2025, é a surpreendente longevidade do formato. Num cenário televisivo cada vez mais fragmentado e inundado de conteúdo, a capacidade de manter uma audiência fiel por tanto tempo é algo admirável. A produção, apesar de suas limitações inerentes a um programa ao vivo, consegue garantir uma qualidade técnica aceitável. A direção, longe de ser brilhante, é eficiente: sabe manter o ritmo, alternar entre segmentos e controlar o fluxo da conversa. O roteiro, digamos, é a parte menos interessante. A espontaneidade, inerente ao formato, muitas vezes suplanta a necessidade de um roteiro rígido, o que pode ser tanto uma força quanto uma fraqueza.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Gênero | Talk |
| Ano de Lançamento | 1988 |
| Produtoras | WABC-TV, Buena Vista Television, Disney-ABC Domestic Television, ABC |
A atuação, por sua vez, é o ponto alto do programa. A química entre os apresentadores, independente da formação, é crucial. É a capacidade de conectar com a audiência, de gerar empatia e de fazer com que o público se sinta parte da conversa que garante a permanência da série na televisão. O sucesso de Kelly Ripa, por exemplo, se deve em parte à sua habilidade singular de conectar-se genuinamente com os convidados e com a audiência.
A série, porém, não está isenta de pontos fracos. A previsibilidade de certos segmentos e a dependência de convidados famosos podem tornar algumas edições monótonas. A falta de profundidade em discussões mais complexas é outra crítica recorrente. Em suma, LIVE with Kelly and Mark, apesar de ser um programa de entretenimento leve, raramente se aventura em territórios realmente desafiadores. As mensagens são, na maioria das vezes, superficiais, limitando-se a promover valores familiares e um otimismo um tanto ingênuo.
Ainda assim, e aqui reside a minha surpresa, a longevidade do programa demonstra uma coisa importantíssima: a força da familiaridade. Em um mundo de constantes mudanças, a consistência de LIVE with Kelly and Mark, sua capacidade de oferecer um respiro na correria do dia a dia, se torna um valor em si. O programa não busca redefinir a televisão; ele se contenta em oferecer um escape suave, um momento de conexão com algo – ou alguém – que permanece constante.
Concluindo, LIVE with Kelly and Mark, olhando retrospectivamente de 2025, não é uma obra-prima da televisão. Não inova, nem arrisca. Mas sua longevidade, seu poder de permanência na tela, reflete algo mais profundo: a necessidade humana por conexões genuínas e uma pausa reconfortante na cacofonia da vida moderna. Recomendo-o a quem procura um programa de entretenimento leve, sem pretensões, ideal para um café da manhã tranquilo. A nostalgia e a familiaridade, neste caso, têm um valor inestimável.




