Love Me

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Tem séries que chegam na nossa caixa de entrada de notícias e a gente pensa: “mais um drama de família”. Mas aí você lê a sinopse de “Love Me” e algo fisga, sabe? Não é só a premissa de um evento inesperado que muda vidas, mas a promessa de um mergulho em três gerações, cada uma lidando com o amor, a perda e a redescoberta de um jeito bem particular. E é exatamente essa promessa que me puxou para escrever sobre ela, mesmo com a série tendo sido lançada lá em 2021 e a gente, por aqui no Brasil, ainda esperando ansiosamente por uma estreia oficial. É a curiosidade, a paixão por boas histórias, que me move.

O que a criadora Josephine Bornebusch nos oferece aqui não é uma fórmula fácil, daquelas com arcos perfeitamente amarrados e lições de moral prontas. Não, “Love Me” é um convite para o desconforto, para a identificação com as falhas, as dúvidas e as pequenas vitórias que a vida adulta, e a não tão adulta, nos impõe. Ela nos apresenta os Mathieson – Clara (30), Glen (50) e Aaron (20) – e cada um deles se torna um ponto focal de um espectro de emoções. É como se um espelho fosse colocado diante de nós, refletindo as inseguranças de quem busca um primeiro amor, de quem tenta reacender uma chama que pensava apagada, e de quem se vê obrigado a redefinir o que o amor realmente significa após uma perda avassaladora.

A Clara da Bojana Novaković, ah, essa mulher carrega o peso do mundo nos ombros, sabe? Aos trinta, a gente espera estar com a vida mais ou menos organizada, com um caminho traçado. Mas um evento como esse te joga num mar de incertezas, e Bojana consegue nos mostrar a fragilidade de quem tenta ser forte, o anseio por um amor que talvez nunca teve, ou que perdeu. Não é sobre ela chorar em todas as cenas, mas sobre a forma como ela aperta a mandíbula, como o olhar dela se perde no vazio por um instante. Isso é mostrar, não contar.

E o que dizer do Hugo Weaving como Glen? É um ator que tem uma presença magnética, e aqui ele nos entrega um homem que, aos cinquenta, se vê de repente em uma encruzilhada existencial. É um período em que muitos pensam em desacelerar, mas Glen é forçado a reavaliar tudo. Sua atuação não grita desespero, mas sussurra uma quietude dolorosa, uma busca por propósito em um mundo que de repente parece ter perdido a cor. É na sutileza dos gestos, na voz embargada que ele entrega a vulnerabilidade de um homem que se vê confrontado com a própria solidão e a necessidade de se reconectar, tanto consigo quanto com seus filhos.

Atributo Detalhe
Criadora Josephine Bornebusch
Elenco Principal Bojana Novaković, Hugo Weaving, William Lodder, Bob Morley, Heather Mitchell, Mitzi Ruhlmann, Shalom Brune-Franklin, Celia Pacquola, Brenda Palmer, Lena Cruz
Gênero Drama
Ano de Lançamento 2021
Produtoras Aquarius Films, Warner Bros. International Television Production Australia, Film Victoria

William Lodder, como Aaron, completa esse trio de gerações. Aos vinte, o mundo parece estar começando, cheio de possibilidades. Mas o jovem Aaron é forçado a amadurecer de uma forma brusca. Ele lida com o luto, com o primeiro amor (com a Ella de Shalom Brune-Franklin, que promete ser um ar fresco em meio à tempestade familiar) e com a compreensão de que a vida não espera. Lodder nos convence da confusão, da raiva contida e da inocência perdida, tudo isso enquanto tenta encontrar seu próprio lugar em meio ao caos que se instalou na família Mathieson.

A série, produzida pela Aquarius Films, Warner Bros. International Television Production Australia e Film Victoria, tem a solidez que se espera de uma produção que quer ir fundo. Não é um drama barato, daqueles que usam a tragédia como muleta para avançar a trama. Aqui, o evento inesperado é o catalisador, mas o verdadeiro enredo é a reação a ele, a forma como cada um se desdobra, se quebra e se reconstrói. É um trabalho que respira nuance, onde a dor não é unidimensional e a esperança surge nos lugares mais improváveis.

E o elenco de apoio? É uma constelação. Bob Morley como Peter, Heather Mitchell como Anita, Mitzi Ruhlmann como Jesse, Celia Pacquola como Sasha, Brenda Palmer como Patty, Lena Cruz como Cora. Cada um deles contribui para o mosaico humano da série, adicionando camadas e texturas à experiência dos Mathieson. Eles não são apenas coadjuvantes; são pilares que, por vezes, sustentam, por vezes desafiam, a jornada dos protagonistas.

É uma pena que a gente, por aqui no Brasil, ainda não tenha tido o privilégio de mergulhar de cabeça nessa história. Porque “Love Me” não é apenas sobre o amor romântico, embora ele esteja presente e seja explorado com honestidade. É sobre o amor familiar, o amor-próprio, o amor que se transforma e o amor que persiste mesmo diante da adversidade. É sobre a coragem de amar de novo, de amar diferente, de amar a si mesmo quando tudo parece desabar. É uma série que te convida a sentir, a refletir sobre suas próprias relações, suas próprias perdas e suas próprias buscas. E para mim, um crítico que busca a alma nas histórias, isso já é mais do que suficiente para aguardar com um nó na garganta o dia em que “Love Me” finalmente encontrar o seu caminho até nós.