Mãe e Filha

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Ah, a dança eterna entre mães e filhas! Sabe, me peguei pensando outro dia sobre como algumas histórias simplesmente não envelhecem, não importa quantos anos passem ou quantas novas séries pipoquem nas plataformas. E foi exatamente esse sentimento que me trouxe de volta a Mãe e Filha, uma série francesa que, lá em 2012, decidiu mergulhar de cabeça nessa relação tão complexa, tão cheia de amor e de faíscas.

Por que falar dela agora, em pleno 2025? Bom, porque a adolescência, o divórcio e a busca por um lugar no mundo – seja para uma mulher que se redescobre aos 39 ou para uma garota de 14 anos – são temas atemporais. E Mãe e Filha fez isso com uma honestidade que me pegou de jeito, sabe? Não é aquela visão açucarada de família, nem a tragédia exagerada. É a vida como ela é, com suas nuances, suas bagunças e suas tentativas, muitas vezes desastradas, de fazer dar certo.

A série nos apresenta Isabelle Marteau, interpretada com uma vulnerabilidade palpável por Isabelle Desplantes. Isabelle é advogada, 39 anos, e acabou de passar por um divórcio. E, olha, quem já viveu uma separação, ou acompanhou de perto, sabe que não é só o casal que se separa. A família inteira se ressente, se desestrutura, e cada um tenta encontrar seu novo eixo. Para Isabelle, esse eixo parece ser uma mistura caótica de “ser mãe presente” e “tentar recuperar o tempo perdido da juventude”. Ela quer ser a mãe legal, a “porreira”, que entende a filha, que talvez até vista a mesma roupa que ela para parecer mais jovem e descolada. A gente sente a pressão nela, a insegurança por trás daquela fachada de “tudo sob controle”.

Do outro lado do ringue, ou da mesa de jantar, dependendo do dia, temos Barbara, sua filha de 14 anos, que ganha vida através da performance crua de Lubna Gourion. Barbara está no auge da rebelião adolescente. Sabe aquele momento em que o mundo dos pais parece um planeta alienígena e tudo o que você quer é se encontrar, se diferenciar, e, ao mesmo tempo, ter um chão firme? É isso. O divórcio dos pais não é um detalhe para ela; é um terremoto que abalou seu mundo e a deixou cambaleando, procurando conformidade em um cenário que se desfez. A dor dela não é silenciosa; é explosiva, cheia de sarcasmo e de um olhar que diz mais do que mil palavras, tipo “você não me entende, e nem se esforça”.

Atributo Detalhe
Diretor Stéphane Marelli
Roteiristas Romuald Boulanger, Stéphane Marelli, Serge Lamadie
Elenco Principal Isabelle Desplantes, Lubna Gourion
Ano de Lançamento 2012

E é aí que a série brilha, gente. Aquela premissa de que “o adulto não é quem se pensa”? Ela se materializa em cada cena. Vemos Isabelle tomando decisões questionáveis, tentando ser a amiga da filha quando, na verdade, Barbara precisa de limites e de uma mãe. E vemos Barbara, mesmo na sua fase de “tudo me irrita”, às vezes mostrando uma maturidade surpreendente, uma capacidade de ver as coisas com uma clareza que falta à mãe. É como se elas estivessem numa gangorra emocional, com os pesos se invertendo constantemente, e a gente, como espectador, fica ali, torcendo para que elas encontrem algum equilíbrio.

O que me cativou em Mãe e Filha é a forma como o diretor Stéphane Marelli, junto com os roteiristas Romuald Boulanger, ele mesmo, e Serge Lamadie, conseguiu capturar essa montanha-russa de emoções sem cair no melodrama. Não é uma história de vilões e mocinhos. É uma história de duas mulheres – uma em formação, outra em reconstrução – tentando navegar o mesmo barco em águas turbulentas. Você sente a tensão nos silêncios, a frustração nos olhares que se evitam, a esperança nas pequenas tréguas. A câmera muitas vezes parece um observador discreto, quase um convidado invisível na casa delas, capturando a imperfeição dos diálogos e a autenticidade das reações.

Isabelle Desplantes consegue nos mostrar que a Isabelle mãe não é má, apenas perdida. Ela se debate com a própria identidade pós-divórcio, com a ideia de que “ainda dá tempo” para algo que ela talvez nem saiba o que é. E Lubna Gourion, por sua vez, nos entrega uma Barbara que é pura energia adolescente: às vezes insuportável, às vezes adorável, mas sempre, sempre, buscando amor e atenção, mesmo que sua forma de pedir seja afastando as pessoas. A química entre as duas é a espinha dorsal da série, e é nítida. Elas brigam como mãe e filha de verdade brigam, se reconciliam como mãe e filha de verdade se reconciliam, com abraços desajeitados e palavras não ditas.

Mesmo mais de uma década depois do seu lançamento original, em 2012, Mãe e Filha ressoa. Talvez você, como eu, se lembre de si mesma na adolescência, da sua própria mãe, ou até se veja na pele de Isabelle, tentando ser a mãe perfeita enquanto lida com as próprias inseguranças. A série nos lembra que a vida é um emaranhado de contradições, que o amor materno não é uma linha reta e que crescer – seja aos 14 ou aos 39 – é um processo contínuo de erros, acertos e, acima de tudo, muita paciência. E é por essa honestidade, por essa humanidade tão crua e verdadeira, que Mãe e Filha merece ser redescoberta. É um espelho, às vezes um pouco desconfortável, mas sempre revelador.